O caso Yayá Touré: quais as lições que o Botafogo pode tirar e o que aprender para uma negociação de nível profissional

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Saudações Alvinegras aos irmãos de camisa!

Desde a segunda quinzena do mês de fevereiro vivenciamos uma verdadeira novela que todo mundo ficou de saco cheio, onde fomos da euforia de uma grande contratação à frustração por não ela não acontecer; voltamos a ter esperança e ficamos extasiados com um acordo iminente; tivemos um vídeo vazado e no final das contas ficamos a ver navios. Todos já sabem que me refiro à negociação com o marfinense Yayá Touré.

Não quero entrar no mérito da negociação em si porque já são águas passadas. Mas não podemos deixar passar a oportunidade de aprender algumas lições com toda essa novela.

Chateações à parte, não podemos tirar a razão do jogador marfinense no que diz respeito ao seu temor em vir para o Brasil. Afinal de contas, todos sabemos que a fama do nosso país lá fora é muito ruim, pois é considerado um país onde a corrupção reina, onde a segurança pública é precária, onde se procura a todo momento dar o famoso “jeitinho brasileiro”. Além da mudança em si, que já é bastante relevante.

“Mas o que tem a ver o Botafogo e suas negociações com isso?” – você deve estar se perguntando. Há um conceito corporativista, que é muito utilizado em empresas gigantes, e que há tempos já deveria ser observado pelos clubes brasileiros e não é. Algo que é normal na Europa: a gestão de pessoas.

Ao entrar em uma negociação com um jogador, principalmente uma negociação do porte da que nos referimos, o clube deveria ir preparado com uma série de situações que vão muito além de o cara vestir a camisa, entrar em campo, jogar, participar do marketing do clube e receber suas remunerações. Seria muito mais correto que o representante do clube numa negociação com essa fosse munido de informações do tipo: na cidade já temos uma escola britânica, onde seus filhos poderão estudar; nós temos uma indicação de moradia pra você e sua família, que ficará perto da escola de seus filhos, e com bom acesso para seu local de trabalho; temos aqui uma série de opções para que sua esposa tenha atividades, seja culturais ou desportivas, de modo que ela não fique ociosa enquanto você estiver viajando com a equipe para jogos. Tudo isso é importante e faz parte do trabalho de gestão de pessoas, que deveria existir em um departamento próprio no clube, com profissionais capacitados para tal.

Muita gente criticou o jogador, afirmando que ele estava fazendo “doce” para vir jogar no Botafogo. Mas pense se seria muito fácil para você mudar radicalmente de vida, e mudar a vida de sua família também. Ir para um país desconhecido, com todas as mazelas já citadas nesse texto. Quando o cara tem um perfil de pessoa indecisa, como parece o caso do Touré, essa situação fica muito mais exposta.

Pelo que foi noticiado, parece que o marfinense queria vir para o Botafogo. Mas as dúvidas pesaram. E isso porque não entramos na questão da fala do dirigente Alvinegro (“não vou pegar um avião com Coronavírus, se ainda fosse o Mané eu iria”); e nem do vídeo vazado; verdadeiros absurdos que não podem chegar perto de uma gestão profissional.

E não só com jogadores estrangeiros! Imagine o que pensa a família de um garoto que vem do interior pra jogar na base do clube. Qual pai e mãe que, em sã consciência, vai deixar seu filho tranquilamente viver em um clube sem ter a certeza de que ele vai ser bem tratado?

Amigos, lembrando que o tom crítico não é em detrimento da imagem do nosso amado Botafogo. Muito pelo contrário! Queremos ver nosso clube cada vez mais forte, revelando talentos para o mundo, contratando grandes nomes do futebol e ganhando grandes títulos. Minha participação nesse espaço é opinativa, se você concorda ou discorda deixe seu comentário e sua contribuição. E divulgue o Fala Glorioso, o canal que dá voz ao torcedor Alvinegro! Abraços Gloriosos!

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