A estrela do Novo Botafogo

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A alegria que vivemos no Nilton Santos, com a volta do Novo Botafogo de Futebol e Regatas ao seu verdadeiro lugar, a série A do Campeonato Brasileiro, é a foto mais brilhante de um filme complexo e penoso de profissionalização feito nos bastidores.

Muito nos orgulhamos do pioneirismo, entre os grandes clubes centenários de nosso país, de ter provocado um profundo debate interno e aprovado em nossos poderes a conversão em sociedade anônima, há quase dois anos. Lutamos para buscar a desejada mudança cultural pela transformação do clube sem fins lucrativos em empresa, que garantirá aos milhões de botafoguenses o retorno às épocas de glórias e o fim da triste rotina de rebaixamentos.

Mas a reconstrução começou de fato com a recente inversão do ciclo vicioso do endividamento e da crescente falta de credibilidade, num enfrentamento agressivo à cultura — de décadas — de gastar o dinheiro que não tínhamos e empurrar os pagamentos para os próximos mandatários. Cortamos na carne e revisamos literalmente todas as linhas de custo, inclusive as do futebol, reduzindo o orçamento em 40% em relação a 2020 e trabalhando incansavelmente para cumprir nossos compromissos com atletas e funcionários.

Reestruturamos nossos projetos de novos negócios. Em pouco tempo, tivemos 300% de crescimento nas receitas do sócio-torcedor, material esportivo e patrocínios de nossa camisa. E trabalhamos diariamente na criação de novas linhas de receitas, com criatividade e foco.

Exemplos do novo modelo de gestão que professa fazer muito mais gastando menos são o uso intensivo de métodos, números e scout para as tomadas de decisão, que vão desde reinventar a forma de operar o estádio até a real mensuração dos valores de mercado de atletas e a contratação de reforços. Ser contra isso é dar as costas ao que exige o mercado.

Mas como um clube com dívida bilionária pode ser a estrela do novo futebol brasileiro?

Primeiro, mudando o modelo mental. No Novo Botafogo, as palavras compliance, processos e performance são dogmas repetidos e cumpridos diariamente por uma equipe de executivos e funcionários de primeira linha.

Segundo, somos a única associação esportiva de grande porte, coroada agora pelo acesso à série A, que chegou à maturidade do modelo de investimento. Com as aprovações internas e estatutárias, temos a autorização para segregar e ceder o controle dos ativos do futebol, blindando-os das dívidas do clube, que estão sendo todas negociadas, alongadas e pagas, com transparência e responsabilidade.

E agora também contamos com a maior segurança jurídica da nova Lei da Sociedade Anônima do Futebol para os investidores, buscados por uma das mais importantes empresas de captação do país, a XP.

Terceiro, a força de nossa marca, história e torcida nos faz um time com potencial único de gerar retorno financeiro em ritmo crescente e sustentável aos investidores, porque nenhum clube cedeu tantos jogadores para a seleção brasileira, a mais vitoriosa da história do futebol.

E, por último, mas não menos importante: temos um vasto conjunto de ativos, que vai desde o patrimônio imobiliário formado por inúmeros endereços nobres e pelas seis sedes privilegiadas em localização até os futuros craques de nossas categorias de base.

Ainda há um caminho difícil e desafiador para que a alegria que vimos estampada nos rostos de atletas e torcedores vire uma rotina. Mas a certeza que temos é solitária: antes condenada por muitos a se apagar, a estrela do Novo Botafogo tem tudo para ser a mais brilhante na nova ordem do futebol brasileiro.

*CEO do Botafogo de Futebol e Regatas

Fonte: O Globo

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