À flor da pele…

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A melhor história da última semana do futebol brasileiro quase passou despercebida em meio a tanta polêmica, chegadas e partidas.

Refiro-me à emoção do lateral-direito Rafael, de 31 anos, em sua apresentação oficial ao Botafogo, seu clube do coração.

Porque nos acostumamos às paixões fabricadas pelo poder financeiro dos clubes.

Mas a do jogador que retorna ao Brasil depois de 13 temporadas no futebol europeu e escolhe a camisa da sua infância é um enredo ótimo de ser contado.

Rafael e seu irmão gêmeo Fábio, botafoguenses como o pai, tinham tudo para ter iniciado a carreira no clube do coração.

Só que não puderam desfrutar deste prazer porque o Botafogo não possuia estrutura para abrigá-los em seus alojamentos.

Vestiram a camisa alvinegra do futsal, que na época ocupava as dependências do clube Mackenzie, porém não calçaram as chuteiras para defender o Glorioso.

Como moravam no bairro de Araras, em Petrópolis, se abrigaram no Vale das Laranjeiras, vestindo a camisa tricolor.

Isso mostra a vantagem que levam os clubes que dispõem da estrutura que tem o Fluminense, e que hoje possui também o Flamengo.

O próprio Botafogo, que na primeira década deste século relegou as divisões de base ao sacrifício de abnegados, hoje tem outra realidade.

Malou bem, já briga seus futuros talentos num Centro de Treinamento terceirizado em Várzea das Moças, em Maricá.

E não tardará a ter o seu próprio CT numa área adquirida há três anos em Vargem Grande, não distante do Ninho do Urubu.

Realizado, após sete temporadas no United, da Inglaterra, cinco no Lyon, da França, e uma no Basaksehir, da Turquia, Rafael resolveu viver o seu sonho.

E nem entro no mérito de suas condições física e técnica, que devem estar acima de qualquer suspeita.

Falo da opção de jogar por prazer.

De se reconectar com a infância e vir para disputar posição, ignorando a divisão em que o Botafogo se encontra ou até mesmo de sua saúde financeira.

Torço para que Rafael consiga mostrar o futebol eficiente que o manteve por um longo tempo em duas das mais prestigiosas ligas europeias.

E que ele possa provar também o quão mais bonita é a história daqueles que jogam com a emoção à flor da pele e o coração na ponta da chuteira…

Fonte: Blog Gilmar Ferreira – Extra

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