Afinal, por que os times grandes não jogam no campo dos pequenos no Estadual?

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A elitização do futebol do Rio passa pela presença cada vez mais rara dos quatro grandes clubes nos estádios onde o esporte é mais democrático e romântico: os dos times considerados pequenos. Entre muitos exemplos a cada edição do Carioca, vale destacar a última rodada, em que Vasco e Botafogo foram visitantes contra Nova Iguaçu e Bangu. Os duelos, porém, aconteceram em São Januário e Nilton Santos, respectivamente.

Nem mesmo a pandemia, que afastou os torcedores dos estádios, foi capaz de tirar totalmente os clubes de maior torcida da zona de conforto oferecida por Maracanã, São Januário e Nilton Santos. Até o momento, Botafogo, Flamengo e Fluminense têm apenas um jogo, cada, em estádio pequeno confirmado na Taça Guanabara. O Vasco, dois.

Era justamente a impossibilidade de receber a torcida dos grandes com conforto e segurança adequados um dos motivos para os times menores serem alijados do direito de mandar as partidas em casa.

Um fator econômico ajuda a explicar a inversão de mandos de campo na edição deste ano. Existe um acordo de cavaleiros entre os clubes grandes e pequenos, em que os maiores estão arcando integralmente com as despesas das partidas cujos mandos são dos menores, passando por cima do que diz o regulamento da competição — ele estabelece que, quando o mandante é um clube pequeno, a despesa deve ser dividida igualmente se os times empatarem, ou com 60% para o perdedor e 40% para o vencedor.

Em troca do gesto de generosidade, o grande recebe o direito de escolher onde jogar. O Vasco, por exemplo, obviamente, escolheu que o Nova Iguaçu mandasse o jogo na Colina.

Ainda que perca totalmente o fator campo ao aceitar jogar no estádio do adversário, o clube pequeno celebra o gasto a menos — com os portões fechados, todos os jogos operam no vermelho e a crise causada pela pandemia bate com força à porta de todos eles.

Desde que o Campeonato Estadual começou, a espécie de “compra do mando de campo” aconteceu em três partidas: Resende x Fluminense, Macaé x Flamengo e Nova Iguaçu x Vasco. Na partida entre Bangu e Botafogo, ocorrida no Nilton Santos, o alvinegro fez questão do regulamento e dividiu as despesas meio a meio. Os dirigentes de Moça Bonita lamentaram o gasto de cerca de R$ 27 mil, uma vez que parte dos funcionários não recebem há oito meses. Mas ainda foi um prejuízo menor do que seria levar a partida para Volta Redonda, outra opção na mesa.

Regulamento permite

Não necessariamente o clube grande, quando sai em socorro do pequeno, pede em contrapartida o jogo em seu estádio. Sábado, o Bangu enfrentará o Fluminense. O tricolor sinalizou que vai bancar a despesa, para o alívio do presidente banguense Jorge Varela. Mas o clube das Laranjeiras optou por levar a partida para São Januário pelo estádio ser bem mais barato: o custo do uso do Maracanã é de cerca de R$ 170 mil. Já na Colina, não deve passar dos R$ 50 mil.

A Federação de Futebol do Rio disse que não interfere nos acordos feitos entre os clubes.

— O regulamento prevê que um clube pode ser mandante em qualquer estádio que indique. Mesmo que o outro clube seja o proprietário do estádio, ele vai continuar com a prerrogativa de mandante — explicou Marcelo Viana, diretor de competições da entidade.

Além da questão econômica, outro fator interfere na hora de um clube pequeno mandar em casa uma partida contra um grande. A definição dos horários dos jogos, atribuição que cabe ao detentor dos direitos de transmissão, pesa para que o privilégio dos grandes se perpetue.

Se um dos quatro é escalado para jogar à noite, quatro equipes pequenas já ficam impossibilitadas de recebê-los em seus estádios devido à falta de refletores adequados: Bangu, Madureira, Nova Iguaçu e Resende.

— Cogitou-se que os pequenos voltassem a mandar seus jogos contra os grandes em seus estádios e os grandes foram receptivos à ideia — afirmou Jânio Moraes, presidente do Nova Iguaçu: — No jogo contra o Vasco, o horário de 18h foi um problema. Eu não poderia jogar em casa, só se iluminasse o campo com luz de vela.

Em meio a fatores que só aumentam o desequilíbrio técnico do Estadual, o Flamengo não visita um estádio de pequeno desde 2018, quando foi ao Raulino de Oliveira enfrentar o Volta Redonda. O rubro-negro já acumula 21 jogos seguidos no Maracanã, e não joga fora do estádio desde o primeiro jogo da final do Carioca de 2019.

Fonte: O Globo

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