Análise: Botafogo tem noite de pouca inspiração e “esquece” de tentar a vitória fora de casa

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Em boa parte dos 90 minutos do empate em 0 a 0 entre Vitória e Botafogo, na noite da última quarta-feira, Enderson Moreira pareceu irritado à beira do campo. A insatisfação do treinador reflete o que o time apresentou no Barradão. A falta de inspiração e os erros da defesa ao ataque impediram os alvinegros de se aproximarem do líder Coritiba. A “gordura” criada nas última rodadas está acabando e agora a equipe fica a três pontos do quinto colocado Goiás.

Com 11 vitórias, dois empates e duas derrotas, Enderson previu a queda de rendimento do Botafogo. Depois de desempenhos em bom nível e vitórias em sequência, as últimas três atuações (derrota, vitória e empate) servem de alerta para o desgaste e a perda de intensidade, mas não representam terra arrasada.

A oscilação no ritmo ao longo dos 90 minutos marcou o desempenho do Botafogo, que segue irregular fora de casa. O time teve momentos de lucidez, chegou a pressionar especialmente nos primeiros minutos, mas foi passivo na maior parte do tempo.

– Acho que a gente começou bem o jogo, conseguimos controlar as ações e desempenhamos bem esse papel. Começamos nos 15 minutos iniciais com uma presença mais forte e como não conseguimos fazer o gol, o jogo vai se equilibrando. Nosso segundo tempo não conseguimos voltar tão bem – analisou Enderson.

Se pouco criou na última quarta, o Botafogo também não sofreu. Apesar de dar a bola para o Vitória em muitos momentos e ceder espaços principalmente pelas laterais, o time de Enderson não viu o adversário dominar ou assustar.

Foram dez finalizações do Vitória contra sete do Botafogo. O número é baixo e aponta que a falta de inspiração também afetou os mandantes. Fato é que o time alvinegro pareceu ter entrado em campo sem a intenção de vencer, e isso irritou.

Com duas chances criadas antes dos cinco minutos, o Botafogo deu a impressão de que amassaria o Vitória. Que nada. O time baiano logo acertou a marcação e passou a ser pouco ameaçado nos minutos seguintes. Os alvinegros tiveram espaços, mas não forçaram.

Chay fez partida apagada e não conseguiu se conectar com os companheiros de frente. Os problemas foram agravados por uma peça que não engrenou como de costume: os erros de Luis Oyama deixaram o time com menos força na saída e nas transições. Marco Antonio ficou preso à função defensiva, e Diego Gonçalves errou quase tudo que tentou.

– Acho que perdemos muito a bola em determinado momento, algumas bolas poderiam ter sido trabalhadas um pouquinho melhor, podíamos ter trabalhado nos dois lados do campo e às vezes até no lado esquerdo um pouquinho mais, acho que é um caminho longo para a gente poder explorar – avaliou o treinador.

No segundo tempo, as mudanças no ataque e na defesa pouco surtiram efeito. Com Daniel Borges e Warley em campo, o time teve mais segurança na parte defensiva, mas seguiu sem agredir o Vitória.

No ataque, Rafael Navarro se salvou: foram apenas duas finalizações, mas o centroavante se movimentou, correu e brigou pelas jogadas. Nos minutos finais, foi substituído por Rafael Moura, que manteve o pique nas disputas ofensivas e teve um gol anulado nos acréscimos.

Defesa desliza, mas não sofre gol

Se no ataque não teve inspiração, na defesa faltou concentração. Diego Loureiro, mais uma vez, não transmitiu segurança, e os zagueiros tiveram noite de deslizes no Barradão. Gilvan, principalmente, perdeu quase todas as disputas pelo alto. Kanu teve momentos de imaturidade e acabou expulso depois de receber o segundo cartão amarelo em lance muito questionável.

Na lateral direita, Jonathan Lemos voltou a atuar depois de quase cinco meses fora. A falta de ritmo foi evidente, e o jogador sofreu com as investidas do Vitória no primeiro tempo. A situação atrapalhou uma participação maior de Marco Antonio no ataque, já que o meia-atacante precisou focar na função defensiva.

Por outro lado, o Botafogo de Enderson terminou mais uma partida sem sofrer gols. Sob o comando do treinador, o time levou apenas sete gols – melhor aproveitamento entre os quatro primeiros da Série B e à frente de equipes do G-4 da Série A, como Palmeiras, Fortaleza e Flamengo.

O Botafogo deixa Salvador com situações pontuais a serem examinadas e corrigidas. Ainda na vice liderança, mas com a distância curta para as equipes de baixo, o time mira a recuperação em casa, onde tem 100% de aproveitamento com Enderson e vai jogar as próximas duas rodadas, contra Avaí e CRB, concorrentes diretos na briga pelo acesso.

Fonte: ge

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