Aos 44 anos, Loco Abreu pendura as chuteiras nesta sexta com legado que tem recorde mundial e muita superstição

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Uma das principais façanhas do futebol é contar histórias e criar personagens que ficam para sempre na memória de clubes e torcedores. E um deles dará adeus ao esporte bretão nesta sexta-feira (11). Washington Sebastián Abreu Gallo, ou simplesmente Loco Abreu, aos 44 anos, pendurará as chuteiras com recordes, histórias e um legado recheado de místicas que ficará no imaginário do esporte.

Pelo Sud América, clube recém-promovido à primeira divisão do Uruguai, Loco Abreu irá disputar sua última partida. Contra o Liverpool-URU, às 15h, no Estádio Belvedere, o mesmo onde fez sua primeira partida como profissional.

“Nesta sexta, estou deixando a atividade profissional. Contra o Liverpool, baixam-se as cortinas. Depois de 26 anos tomei essa decisão com convicção, entendo que é o momento mais justo, estando em atividade, jogando na Primeira Divisão… O time está bem, é o momento indicado”, confirmou Loco Abreu em entrevista à ESPN uruguaia.

Recorde mundial

Ao todo, 31 clubes na carreira de três continentes distintos. As muitas equipes fazem o andarilho uruguaio ser o jogador de futebol a estampar o nome no Guiness Book, o livro dos recordes, com a maior quantidade de equipes defendidas na carreira.

Aos 44 anos, com 26 dedicados ao futebol profissional – o que corresponde a pratiamente 59% de sua vida ao esporte -, Loco Abreu disputou 787 jogos disputados, 437 gols e 97 assistências.

‘Uh, El Loco!’

Dos 31 clubes defendidos, talvez o com relação mais sincera é o Botafogo. Se o Nacional é declaradamente seu clube do coração, o Alvinegro Carioca conquistou um espaço especial em sua vida. Não à toa, o escudo do clube foi inserido na mística camisa que usa por baixo do uniforme.

Loco Abreu é o maior uruguaio da história do Botafogo, o 5º estrangeiro com mais jogos pelo clube carioca, com 106 partidas e o 3º maior estrangeiro gringo do Glorioso, com 63 gols.

Em 2010, pensando em novos desafios e visando a Copa do Mundo na África do Sul, chegou ao Glorioso, recebeu a camisa 13 das mãos de Zagallo e tirou o clube da fila no Campeonato Carioca. Na memória do torcedor alvinegro, a cavadinha na final da competição, contra o Flamengo.

Loco Abreu comemorando gol marcado pelo Botafogo na final do Campeonato Carioca de 2010 contra o Flamengo Fernando Soutello/AGIF

Na memória de Loco Abreu, o ‘Uh, El Loco’ é entoado até hoje. O apelido surgiu na imprensa argentina, quando defendia o San Lorenzo. Mas, a tradicional canção que a torcida do Botafogo cantava uníssonamente no Estádio Nilton Santos para anunciá-lo eternizou o apelido.

Superstições, camisa 13 e lances memoráveis

Declaradamente supersticioso, Loco Abreu coleciona histórias inusitadas. A camisa 13 não fazia parte somente das costas. Em entrevista ao Lance, em 2010, Jefferson, ex-goleiro e também ídolo do Botafogo, revelou que a poltrona que o atacante sentava deveria ter o número 13 no avião, assim como o quarto que dormia.

Nos treinamentos, batia os pênaltis que treinava para fora propositalmente porque acreditava que, ao chutá-los para fora nos treinos, a sorte não seria desperdiçada e estaria guardada para as partidas.

Após os treinos, o box no vestiário era o mesmo, assim como a banheira. Tal obstinação levava os companheiros, com muito bom humor, fazerem fila onde o uruguaio mantinha suas tradições.

Nos jogos, contava com a esperada sorte e ousava. Quem não se lembra das cavadinhas pelo Uruguai contra a seleção brasileira na semifinal da Copa América, em 2007, ou contra Gana nas quartas de final da Copa do Mundo de 2010?

Loco Abreu comemora após gol de cavadinha na disputa de pênaltis entre Uruguai e Gana na Copa do Mundo de 2010 Shaun Botterill – FIFA/FIFA via Getty Images

Último a jogar com Maradona

Dentre tantas histórias, superstições, gols e conquistas que marcaram a carreira de Loco Abreu, o uruguaio carrega uma em especial. Leva consigo em sua aposentadoria o fato de ter sido o último atleta até então em atividade a compartilhar os gramados com Maradona.

O lendário craque argentino, falecido em 25 de novembro de 2020, pendurou as chuteiras em 1997. Foi em um clássico entre Boca Juniors e San Lorenzo que Loco Abreu enfrentou Don Diego e, agora, dá por fim, de fato, a ‘era Maradona’.

Fonte: ESPN

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