Captação de talentos e controle de dívidas: as soluções propostas pelo novo investidor do Botafogo

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Faltam detalhes para John Textor, dono da Eagle Holdings, entrar de vez na realidade do Botafogo. O registro da SAF, empresa que passará a comandar o futebol alvinegro, e a convocação da reunião do Conselho Deliberativo que avaliará as condições da venda foram passos largos dados nessa segunda-feira rumo à consolidação da nova estrutura de gestão do clube.

O empresário norte-americano desembarcará no Rio de Janeiro não só com um aporte financeiro, mas também com ideias que pontuam um novo jeito de pensar futebol em General Severiano. Em entrevista ao jornalista britânico Matt Slater, no podcast “The Athletic Football”, John Textor enfatizou dois pilares em que diz acreditar muito: a captação de talentos no mundo inteiro e o controle das dívidas.

Na conversa, que aconteceu em novembro de 2021, antes de as notícias ligarem o americano ao Botafogo, o empresário deu pistas de como pode agir à frente do clube alvinegro. Ele citou soluções para o Crystal Palace, da Inglaterra, o qual o investidor adquiriu 18% das ações, e para o Benfica, cuja tentativa de compra de 50% da gestão do futebol fracassou.

— Dívida é a primeira lição. Se você não quer perder um grande negócio, seja uma empresa ou um grande clube de futebol, não pegue dinheiro emprestado. Se você tem dívidas, tenha uma estratégia para pagá-las. O modelo de negócios no futebol atualmente é bastante tradicional e bastante restrito: direitos de televisão, bilheteria e merchandising. Se você tem limitação na sua capacidade de competir, contratar jogadores e vencer jogos, faça alguma coisa sobre as suas receitas, mas não pegue dinheiro emprestado — explicou.

O empresário, que começou a trabalhar com finanças depois de se apaixonar por tecnologia ainda na escola, sentiu na pele os efeitos do endividamento no início de sua vida profissional — e por isso reforça tanto a ideia do controle do prejuízo de seus negócios.

— Pegar dinheiro emprestado é a única maneira de perder um negócio de qualidade e vê-lo destruído bem na sua frente, como aconteceu comigo na Digital Domain, com 344 funcionários. Torcedores são fabulosos, mas, em alguns lugares, a cobrança é construída de uma forma que significa vencer a qualquer custo, mesmo se você pegar empréstimos até não poder mais — explicou.

— Encontrar o equilíbrio é um dos maiores desafios no futebol. O que o torcedor quer, o que os acionistas querem, o que a comunidade quer, o que a história quer, sustentabilidade… Frequentemente esses objetivos competem um com o outro — continuou.

Olhar para a base

Para o investidor, o planejamento de pagamento de dívidas deve andar junto com um projeto de expansão das receitas. Na entrevista, ele cita a necessidade de entender que, muitas vezes, o impacto gerado pelo clube é até mais importante do que a equipe formada para disputar um campeonato.

— O valor do time é condicionado por contrato de televisão, patrocínios, verbas de marketing, venda de ingressos… Há muita coisa que o clube pode fazer para chegar ainda mais perto do torcedor do que só o time — explicou.

A visão de negócio, gestão e finanças adquirida ao longo da vida profissional de Textor têm relação direta ao que acontece também dentro de campo. A tentativa de compra de parte do Benfica e a aquisição de ações do Crystal Palace fizeram o empresário se debruçar sobre o mercado do futebol. Segundo ele, a captação de jovens promessas ao redor do mundo inteiro é essencial para tornar competitivo um time cujo orçamento é mais enxuto.

Questionado se os talentos poderiam ser encontrados em Lisboa, capital portuguesa e sede do Benfica, Textor concordou e ainda citou o Brasil como grande fonte de talentos — além de França e Bélgica. Ele destacou, porém, que identificou um problema na liga portuguesa que provoca uma debandada de jovens jogadores a custo mais baixo do que poderia ser cobrado se houvesse uma estrutura direitos de transmissão como a da liga inglesa.

— Infelizmente, o Benfica tem uma economia muito limitada, não é aberta a muitos lugares do mundo. Embora tenha uma marca muito forte, como o Porto e o Sporting, eles têm contratos de TV irrisórios, se comparados aos valores da Premier League. Consequentemente, anualmente têm que vender muitos jogadores para manter as contas em dia. Com isso, fica muito difícil alinhar a realidade do clube com a expectativa dos torcedores.

— As categorias de base do Benfica são uma das mais confiáveis no mundo, têm uma capacidade muito grande de garimpar jogadores. Muitos vão do Brasil e de outros lugares do mundo para lá e depois partem para o restante da Europa — finalizou o empresário.

Fonte: ge

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