Com foco em recuperação e gestão, responsável por recrutar CEO do Botafogo explica perfil

0
52

A contratação do novo CEO do Botafogo, Jorge Braga, foi anunciada há pouco mais de uma semana, mas a escolha começou meses antes. Quando o presidente Durcesio Mello ainda era candidato, na reta final de 2020, procurou em São Paulo uma empresa para mapear no mercado o nome ideal para liderar a reconstrução do clube. 

O ano virou, Durcesio tomou posse e a Exec, do ramo de capital humano, voltou com os candidatos mais indicados para a realidade alvinegra. Entre eles, o economista Jorge Braga. Um dos sócios da empresa, Lúcio Daniel explicou ao ge o processo de busca e o perfil do novo executivo. 

Jorge Braga deixou um cargo na Claro para trabalhar no Botafogo. Também passou por empresas como Nextel, Embratel, NET, Telemar/Oi, Xerox e Lexmark Brasil.

ge: Como foi o processo de escolha?

Lúcio Daniel: Temos um trabalho voltado para alta gestão. Nós fomos procurados pelo Botafogo, no final do ano passado, para participar da contratação do CEO. Naquele momento, o Durcesio era candidato. A intenção era profissionalizar a gestão, mudar a prática de indicações políticas. Na Europa, já temos um mercado maduro onde os profissionais vêm do mercado corporativo, e isso trouxe muitos benefícios. 

Nós já tínhamos ajudado outras instituições, não só corporações. ONGs, partido político… Mas, para nós, foi único achar um CEO para um clube de futebol. E o Botafogo foi o primeiro no Brasil a contratar esse profissional através de um headhunter, ninguém tinha feito até agora.

Até que ponto vocês participaram? E qual foi a influência do Botafogo?

O processo é 100% conduzido pela consultoria. O clube não teve participação, só depois que fizemos as escolhas. Quando a Exec foi selecionada, a gente ajudou na descrição do perfil do profissional. Qual profissional se quer, como vai vir, qual será o pacote salarial… Depois desse perfil, vamos ao mercado, fazemos entrevistas e selecionamos os candidatos. 

A consultoria não indica quem é o principal, o favorito, pelo contrário. Apresentamos cinco grandes finalistas, cada um com um perfil diferente. Um trazia mais um foco em negócios, outro tinha boa relação com investidores interessante, o Jorge tinha essa visão para a dívida entre outras coisas. E o Botafogo escolheu. 

Executivo chegou ao clube no dia 17 — Foto: Vitor Silva/Botafogo

Executivo chegou ao clube no dia 17 — Foto: Vitor Silva/Botafogo

O Botafogo não participou, não vetou, não indicou. Depois que apresentamos os finalistas, começaram as entrevistas com o pessoal do clube. A consultoria é responsável por tudo, desde o início até a etapa final de acerto da proposta. 

O que o clube mostrou que procurava nesse novo executivo?

Para definir o CEO, tivemos o cenário público do Botafogo. Vinha mal no Campeonato Brasileiro, um dos principais em termos de endividamento, várias gestões políticas. Era o momento de quebrar isso. Negociação de dívida, gestão profissional, trabalhar a imagem do Botafogo como um dos principais clubes brasileiros… Como resgatar tudo isso? Foi o que entrou na avaliação. 

Oferecemos um leque de opções. Profissional especializado em reformulação, negociação de dívida, ou voltado para novos negócios, ou voltado para desenvolvimento financeiro. Tudo isso em um só candidato é muito difícil, mas o Jorge reúne a maioria delas. 

Ele é um cara bom em relação com pessoas, negociação de dívidas, traz nas passagens por grandes empresas fontes novas de receitas. Mostra para o investidor uma credibilidade. É de mercado, profissional.

O que sentiu do Jorge Braga sobre essa chegada?

Ele sentiu as pessoas engajadas. É diferente você dizer que quer mudar e mostrar que quer mudar. Ele enxergou isso. Ele passou que foi muito bem recebido, vai conversar e conhecer todas as pessoas. Está começando a entender toda a estrutura e começar o trabalho. 

O time de infância foi levado em consideração?

Era uma preocupação que eu tinha, colocar um CEO em um clube de futebol sendo ele, por exemplo, torcedor assíduo de um rival. É complicado. A gente tirou a emoção da frente. O processo é algo profissional. Ainda bem, ele não é um torcedor assíduo, a gente pouco entrou nesse aspecto com ele. 

Durante o processo, nos deparamos com pessoas que trabalharam em clubes rivais ou tinham relação com outros times. Se fosse um torcedor fanático, de andar na rua com bandeira, não colocaríamos no processo seletivo, porque tem muita emoção envolvida. Todos os profissionais que tinham a capacidade de tratar isso como um ambiente profissional, nós levamos em consideração. Nos finalistas que apresentamos ao Botafogo, nenhum tinha esse fator emoção. 

Com o tamanho da dívida do Botafogo, como o contrato foi amarrado para não onerar ainda mais o clube?

Se o torcedor está preocupado porque o clube pode ficar mais endividado, eu diria o seguinte: para se ter grandes manobras, precisa de grandes pessoas. Ele vai comandar a transformação do clube, vai atrair investimentos. Não é uma pessoa sem preparo, que o Botafogo gastaria dinheiro à toa. 

O Botafogo foi muito cauteloso, e o Jorge também ponderou bastante esse lado. Houve bom senso dos dois lados. Não teve loucura no lado financeiro. Um grande executivo traz grandes investimentos, e isso vai se equilibrar no médio ou longo prazo. 

A falta de experiência no futebol pode atrapalhar?

Ele vai trazer as boas práticas de mercado que conheceu a vida inteira. A gestão do futebol é algo muito específico, e o Botafogo tem outros esportes também. Para isso, a diretoria está lá para ajudar. Durcesio, Vinícius, conselheiros… Todos eles serão importantes para ajudar nessa transição, apresentar esse ambiente. E o Jorge vai encaixar as mudanças de gestão. Tem que existir esse casamento. 

Lúcio Daniel é especialista em recrutamento de grandes executivos — Foto: Divulgação

Lúcio Daniel é especialista em recrutamento de grandes executivos — Foto: Divulgação

O que exatamente faz um CEO?

O CEO é um presidente que cuida de toda a parte profissional do clube. Gestão, processos, controle… É quem vai comandar o clube principalmente nos assuntos financeiros. O Durcesio vai fazer um trabalho mais político, mais institucional. Cada um tem um papel. O CEO é o grande líder dos assuntos executivos dos clubes. 

É o momento de olhar para o clube e dar um voto de confiança para quem está nesse mandato. Os clubes que apostaram em trazer pessoas de mercado, fazer um bom planejamento de longo prazo, hoje são clubes vencedores. A história do Flamengo e do Palmeiras é resultado de uma boa governança. O Botafogo está dando esse passo inicial agora. 

Esse profissional pode fazer um trabalho melhor porque é independente. Não tem padrinho político, não é preso a ninguém internamente. Isso mostra uma transparência que dá credibilidade no mercado. 

E pelo lado do profissional, como é convencer um executivo com espaço no mercado a aceitar um cargo que normalmente é mais instável?

Nenhum clube no Brasil teve essa coragem do Botafogo, de ir ao mercado para contratar um CEO independente. Para quem gosta de desafio, é riquíssimo. O Botafogo tem uma grande marca, mas um nível de dívida altíssimo. Do lado do Jorge, ele viu a oportunidade de mudar o clube. Tem um retorno de imagem muito grande, contato com mídia. O futebol trata com a paixão, e o torcedor está sempre de olho.

Fonte: ge

FalaGlorioso.Club | Loja com mais de 100 Produtos do Botafogo. Acesse!

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui