Com o fim de relação entre Honda e Botafogo, especialistas analisam saída: “Cultura japonesa preza muito pela responsabilidade”

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Honda sente sequência
Foto: Vitor Silva

A relação entre o japonês Honda e Botafogo chega ao fim depois da badalação do atleta. O jogador chegou ao Botafogo trazendo consigo toda uma trajetória no futebol e cultura pertinente a cada pessoa. Aproveitando a relação entre Brasil e Japão, que no estado de Rondônia, chega a 26 anos, o GE consultou dois especialistas, que são senseis (neto de imigrantes japoneses nascido no Brasil), para debater o assunto. Um empresário há 25 anos no ramo e com 30 na região. E, uma psicóloga, que está h´há 32 anos no solo rondoniense. 

Carla Ito, é psicóloga clínica e organizacional com especialização em gestão estratégica de empresa, ao se deparar com o histórico da situação, ela lembra da grande presença de cobranças quanto a responsabilidade no comprometimento de metas que a cultura japonesa implementa. Para ela, desde grandes situações, como pequenos detalhes podem ter dado um choque de realidade com o que Honda estava acostumado, devido a realidade vivida com ele. Para ela, mesmo com a puljância de estar na “terra do futebol”, o atrito e as dificuldades em bater metas na personalidade japonesa é muito preponderante. 

– Cultura e valores são extremamente relevantes. A cultura japonesa tem uma questão de autocobrança, autodisciplina, planejamento, muito fortes. E a adptação a cultura e entrosamento com o time me parecem ter abalado ele. A gestão do clube e ele ver as coisas sendo tocadas, são pontos muito importantes. A cultura japonesa preza muito pela questão da responsabilidade, do cumprimento de metas e entregas. Isso é muito forte (…)horários(…)até a pontualidade é muito importante. Isso pode ter pesado na decisão. É difícil, mesmo que você tenha vontade e interesse, e se sinta agraciado por estar num clube brasileiro, num clube onde é pujante. Existe um conflito com os valores e rotina – analisa ela. 

Claudio Hikague é empresário, afirma estar ambientado ao Brasil. Mas disse, que a questão do respeito a liderança pode ter pesado. Ele afirma que as questões de gestão confundem estrangeiros ao qual ele tem contato no Brasil, devido a função dele, para Cláudio, no futebol isso não foge a regra. O time ter cinco técnicos na temporada rendeu até críticas públicas por parte de Honda. 

– Sou de descendência japonesa, mas a gente tá totalmente ambientado, e seguindo os costumes do Brasil. Realmente é muito difícil essa diferença. Quando você vem de um país como o Japão, que eu já tive oportunidade de conhecer, há um grande choque. Isso porque tem o clima, tem também a questão de ser um país totalmente disciplinado. Essa cultura choca totalmente com a realidade de mudanças abruptas como foi a do Botafogo com cinco técnicos em um ano. Lá no Japão existe um respeito com quem lidera, com os mais velhos, técnicos por exemplo. Quando ele reclama disso, ele está tentando exercer a liderança. Porém, me parece que essa liderança interna, lá no vestiário não rendeu – afirma. 

A questão do marketing também foi ressaltada por Hikage. O clube disponibilizou poucos produtos do japonês, como camisa e almofada personalizadas. Para o empresário, a pandemia somada à falta do torcedor fizeram com que o que ele se propunha não fosse cumprido e, para um homem de negócios, isso é muito frustrante. Ele cita que nomes de grandes empresas vindas do exterior estranham também as mudanças constantes.

– Além disso foi uma série de outros fatores que aconteceram e atrapalharam o propósito dele. Falta de público no estádio, pandemia (…) Quando um jogador de grande nome de fora é trazido, conjuntamente a isso vêm uma ideia de marketing. Assim como foi com o Ronaldo, no Corinthians, com o próprio Seedorf, no Botafogo. Esses deram certo porque em conjunto e, ajuda na motivação, os outros fatores ajudaram. O Honda chegou, logo na sequência, a pandemia chegou no Brasil. Sendo assim, ele não conseguiu dar o retorno esperado pelos dirigentes do Botafogo. As mudanças políticas também são coisas que o estrangeiro não se acostuma fácil. Conheço empresários de fora que lido na minha profissão que não entendem muitas coisas que acontecem por aqui. Eles estranham um pouco. Já vi presidentes de multinacionais reclamando disso. Na minha opinião, quando ele vê o proposito não se cumprindo, e essas mudanças todas, desanima ao ponto de motivar a tal decisão – Claudio Hikague, empresário sansei. 

A psicóloga visualiza ainda que há um reforço com relação à cultura japonesa quando ele se prontifica a levar o nome do clube. O que dá uma ideia de se manter com o compromisso que havia firmado. Porém, não foi concretizado nesse momento. 

– Acho interessante essa questão de mesmo com a saída dele, o compromisso de levar o nome do clube ao exterior e manter essa relação. Reforça a questão de ainda se comprometer com a entrega dele. Ele se sente responsável, dentro do âmbito profissional – afirma a psicóloga. 

Foram dez meses e 27 jogos pelo Botafogo. 

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  • Fonte: GE

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