Como podem funcionar os tokens que Botafogo utilizou como carta na manga para pagar Rafael

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Além de contar com o apoio de torcedores ilustres para o pagamento das luvas, a diretoria do Botafogo teve um trunfo diferente para a contratação do lateral-direito Rafael. A ideia do clube foi colocar “fan tokens” como parte do bônus do jogador na assinatura do contrato. Modelo semelhante aconteceu com Messi, ao acertar com o PSG. 

O Botafogo ainda não divulgou qual foi a empresa vencedora da abertura de licitação realizada em julho. Mas o anúncio não vai demorar, como garantiu o próprio clube ao contratar o novo reforço. A tendência é seguir caminhos semelhantes aos de rivais brasileiros como Atlético-MG, Corinthians e Flamengo, além de outros consagrados internacionalmente, como o Paris Saint-Germain. 

 — Foto: ge

— Foto: ge 

A maioria dos clubes que buscam essa parceria se acertaram com uma empresa chamada Socios.com. Ela tem plataforma que emite criptomoeda chamada Chiliz. Com isso, coloca o token de determinado clube à disposição para a compra com essa criptomoeda. O token, em si, é um criptoativo, não é de fato uma moeda. A pedido da reportagem, Rodrigo Capelo faz a comparação com milhas de viagem. 

– Com base nessa quantidade de tokens, os torcedores podem escolher coisas do tipo: música que toca no estádio, desenho do ônibus, experiências… Com base na quantidade que o torcedor tem, ele vota nessas questões e vai exercendo a escolha dele. Os tokens vão à venda por 2 dólares cada (R$ 10,65 na cotação atual). A empresa faz emissões separadas e limitadas. No caso do Corinthians e do Atlético-MG, eles colocaram 850 mil tokens à venda que vendidos a 2 dólares cada um dá 1,7 milhão de dólares (cerca de R$ 9 milhões, hoje). Desse montante o clube tem direito a 50%. 

No caso do Corinthians, as criptomoedas foram limitadas a 50 por pessoa e não expiram após serem usadas. Depois dos 850 mil iniciais, enquanto o clube não abrir novas vendas, há uma lei da oferta e procura para valorização do ativo. Segundo a diretoria do clube paulista, eles foram essenciais para a contratação de Willian.

Clube apostou em remunerações variáveis para atrair jogador — Foto: Reprodução Instagram

Clube apostou em remunerações variáveis para atrair jogador — Foto: Reprodução Instagram 

Coritiba, Cruzeiro e Vasco seguem outro caminho

Como a palavra “token” tem sido utilizada de maneira genérica, ela pode ter diferentes significados. No caso de Coritiba, Cruzeiro e Vasco eles tiram a palavra “fan” do formato citado anteriormente e colocam outros benefícios para o torcedor. Sem a possibilidade de interação com pequenas decisões e as experiências exemplificadas por Capelo, a aposta é dar retorno financeiro a quem comprar os criptoativos. 

Esse retorno se dá com base no mecanismo de solidariedade da Fifa. O clube tem direito a até 5% do valor de transação de algum jogador que tenha ficado entre os 12 e os 23 anos. No caso do Vasco, os tokens foram colocados à venda por R$ 100 e davam um retorno de 1/500.000 sobre o valor que o clube tem direito na transação de 12 jogadores listados pelo clube.

No caso de Transferências internacionais:

  • Do 12º ao 15º aniversário: recebe 0,25% da compensação total por cada ano.
  • Do 16º ao 23º aniversário: recebe 0,5% da compensação total por cada ano.

No caso de Transferências nacionais:

  • Do 14º ao 17º aniversário: recebe 0,50% da compensação total por cada ano.
  • Do 18º ao 19º aniversário: recebe 1% da compensação total por cada ano.

O Vasco coloca 12 jogadores em sua lista para evitar que alguma lesão séria ou algum contratempo na carreira do atleta torne o investimento muito arriscado. O investidor recebe em caso de qualquer transferência de quem estiver na cesta de jogadores. Já o Cruzeiro tem uma lista muito maior e contempla jogadores que passaram entre os 12 e 23 anos, mas que não necessariamente foram revelados pelo clube. Nesses casos, há uma antecipação da receita, só que, de acordo com Capelo, não é prejudicial como as que muitos clubes faziam com direitos de TV. 

– Não é negativo. O clube recebe hoje um valor por solidariedade que, amanhã, quando for de fato receber, vai ser repartido com compradores desse token. Se fosse em quantia exorbitante seria ruim, sim, mas é pouca coisa (quem quiser entender mais do assunto pode ouvir o podcast acima)

Cada clube escolhe o que fazer com o dinheiro arrecadado. Não há certeza de sucesso, mas é uma forma que se enxerga de gerar novas receitas. Vasco e Cruzeiro seguem a trilha de usar o dinheiro para pagamento de dívidas, salários e contas. Já Botafogo e Corinthians investiram em contratações de jogadores.

Fonte: ge

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