Da perda do avô à chegada da filha: Diego Loureiro celebra dia dos pais como titular do Botafogo

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Diego Loureiro tinha 20 anos quando perdeu o avô materno, Julio Cardoso. Seu Julio era um dos principais incentivadores do jovem goleiro do Botafogo e foi ele quem levou o atual titular a dar os primeiros chutes na bola. Ou melhor, a fazer as primeiras defesas. Mas em junho o grande companheiro de Diego nos treinos e jogos passou a assistir às partidas de uma arquibancada diferente. 

Inevitavelmente isso afetou Diego, e é ele mesmo quem diz isso. Em conversa por telefone com o ge, o jogador contou que desde então a cabeça dele não foi a mesma. Até que Maitê apareceu. Na verdade, a aparição dela ainda é só por ultrassom e pelo contorno da barriga de Gabrielly, esposa do jogador. É a chegada prevista para daqui a dois meses uma das principais responsáveis pela boa fase do goleiro. Neste domingo ele entrará em campo pela primeira vez com a alcunha de pai. 

– Foi algo que me ajudou a ter um direcionamento psicológico também e entender que eu precisava focar nesse momento para dar uma vida tranquila não só pra minha filha, mas pra minha família. Acho que perdi um pouco desse direcionamento quando perdi meu avô, fiquei um pouco sem cabeça. Eu estava muito chateado porque ele sempre estava comigo quando tinha treino e jogo. Eu sentia muita falta dele. O fato de a minha esposa estar grávida da minha primeira filha me ajudou a colocar o meu psicológico no lugar e dar esse direcionamento de batalhar e ser o melhor todos os dias.

– Espero que o próximo eu possa estar com minha família, com meu pai, que é um cara excepcional pra mim, me dá força dentro de campo. Se eu faço algo de errado ele conversa comigo, se às vezes eu sou mais ríspido com alguém ele diz que não é o caminho. Ele é um exemplo de pessoa a seguir. Ele e meu avô são minhas maiores inspirações. São as pessoas que eu me espelho. Infelizmente meu avô faleceu, mas graças a Deus eu tenho o meu pai comigo ainda que me dá bastante direcionamento nas coisas que eu faço.

A filha foi a grande motivação para que dentro de campo ele se doasse mais e resolvesse levar a parte física ainda mais a sério. Após perder a posição de titular que trazia desde o fim do Brasileirão com a chegada de Douglas Borges, Diego resolveu fazer um trabalho de condicionamento físico à parte com Vilmar Quadros, mas tendo acompanhamento da nutrição e preparação física do Botafogo. 

Depois de uma conversa com Flavio Tênius e Marcelo Chamusca, Diego emagreceu e entrou em forma. A ideia agora é ficar mais definido para melhorar ainda mais, só que tendo cuidado para não correr o risco de perder os reflexos – essenciais para a posição. Titular no fim do ano passado e agora com uma sequência de seis jogos (os três últimos sem sofrer gols), Diego se considera mais maduro do que naquele período. 

– Hoje me vejo mais maduro. Tanto na parte física quanto mental. Fiz um trabalho muito bom com o professor Paulo Ribeiro, psicólogo do clube. Ele me ajudou bastante também em ter o foco de poder melhorar. A gente tem que estar sempre no nosso melhor pra quando a oportunidade aparecer. Hoje me vejo mais maduro em outros quesitos e acho que a questão de estar bem mental e fisicamente me ajuda nesse bom desempenho hoje que venho fazendo e podendo ajudar o Botafogo.

Com Diego Loureiro muito provavelmente no gol, o Botafogo joga neste dia dos pais contra a Ponte Preta, às 20h30 (de Brasília), pela 16ª rodada da Série B. Antes do início da rodada o time ocupava a nona posição com 22 pontos, quatro a menos em relação ao G-4. 

Confira outras respostas da entrevista do jogador ao ge

Nesse primeiro semestre você recuperou a posição pelo desempenho técnico, mas também por conta da melhora física. Como foi esse processo? Em que condições você estava antes e como está agora?

– Foi um processo que teve a conversa com o Flavio e com o professor Chamusca quando ele ainda estava aqui. Ele conversou comigo sobre a questão física, disse que eu podia melhorar, que eu tinha a confiança deles, mas que eu precisava melhorar fisicamente para que pudesse ajudar a equipe. Aí eu comecei o trabalho com o Vilmar Quadros, um preparador físico que eu faço por fora, mas tudo acompanhado pelo Botafogo. Teve a parte do nutricionista com o Rodrigo Vilhena que também me ajudou bastante.

– A preparação física do Botafogo me aconselhou na questão de carga de treino para não me prejudicar. Então acabou que eu tive esse trabalho extra e também dentro do clube. Foi tudo acompanhado pelo Botafogo para não ter nenhum erro. Eu também trabalhei com o Vilmar por fora, para poder me ajudar nesse gasto. 

– Agora tem toda a questão com o Rodrigo Vilhena, que tem me aconselhado bastante em como prosseguir com a dieta para que eu não recupere o peso e também que eu estabilize o peso e não perca e isso possa prejudicar em campo em questão de explosão, velocidade e tudo. Continuo fazendo meus treinos com o Vilmar e no clube, além de tudo ser acompanhado pelo Rodrigo com uma dieta bem ajustada por ele. 

– A ideia agora é melhorar a massa magra, secar de vez. Eu estou bem fisicamente. E sempre buscar melhorar, acredito que a gente sempre possa melhorar um pouco. Agora minha ideia é melhorar um pouco mais, ficar mais forte fisicamente e creio que isso vai me ajudar bastante. 

O clube já tinha Gatito e Cavalieri e ainda buscou o Douglas Borges. Chegou a pensar que poderia perder espaço no elenco?

– Mesmo com Diego Cavalieri e Gatito a gente tem que estar pronto para qualquer circunstância porque aqui é um grupo e a gente trabalha junto. Quando o Douglas chegou, foi pra agregar. Ele teve a oportunidade dele, eu também tive as minhas. A disputa é interna, mas totalmente saudável e eu tenho uma boa relação com todos os goleiros. Mas o Douglas, quando veio, chegou para agregar e ajudar o Botafogo principalmente. 

Na sua opinião, quais foram as principais mudanças no time com a chegada do Enderson?

– Acho que tem momentos no futebol que não encaixa. A gente vinha trabalhando muito forte. A gente teve a saída dos treinos no Nilton Santos e tivemos que ir pra Saferj, que era longe pra todo mundo. E isso atrapalhava um pouco. Mas sempre trabalhamos muito forte. Não tivemos nenhum problema por falta, horário, atraso. Dentro de campo talvez a gente não tenha feito algo que o professor pediu. A gente não estava no nosso melhor momento, tanto que a gente não abdicou de trabalhar. Esse foi o nosso foco: não abdicar de trabalhar, porque continuamos fazendo isso forte. 

– Infelizmente o professor Chamusca saiu, é uma ótima pessoa, um excelente treinador e que tem as ideologias dele de trabalho. Mas chegou o professor Enderson com as ideias dele de trabalho. O grupo acatou todas as ideias, está se entregando às ideias de trabalho dele, assim como seria com qualquer treinador. A gente tem que respeitar. Ele conversou com todos nós. Hoje estamos bastante focados, trabalhando e creio que a gente ainda vá crescer bastante dentro da competição e voltar o Botafogo para o lugar que ele deve.

Como foi a semana cheia de treinos? Já deu pra pegar tudo que Enderson pede?

– Acho que ainda vamos precisar um tempo pra deixar tudo 100% dominado e organizado entre a gente, mas acho que conseguimos captar bastante a parte do professor sobre o que precisamos fazer dentro de campo. O professor Enderson é bastante didático, ele explica bastante e quanto mais ele explica, depois ele pergunta o que a gente tem que fazer. Eu procuro sempre participar das questões táticas que ele cobra aos jogadores de linha até para eu poder ajudar em alguma situação dentro de campo, até para que eu possa falar alguma coisa, aconselhar alguém em posicionamento. 

– Procuro sempre participar. Ele é um cara bem didático, bastante paciente, explica quantas vezes tiver que explicar e acho que isso foi algo que ajudou nesses três jogos que tivemos um pouco menos de tempo de trabalho. Claro que essa semana cheia também ajuda a ter um tempo maior de treinamento da parte tática e técnica. Essa semana cheia foi bastante importante para a gente. 

Gostar de parte tática pode fazer você virar técnico no futuro?

– Gosto bastante da parte tática do jogo, mas por enquanto estou focado em jogar futebol. Temos que ter um pensamento sobre o que precisamos fazer no futuro, mas talvez seja algo a se pensar. Gosto bastante dessa parte tática, de ser treinador de goleiros de repente, algo voltado ao futebol, que eu sou apaixonado. Mas é algo que eu posso pensar um pouco mais pra frente, até porque ainda estou no início da carreira. É algo a se pensar.

Como surgiu a característica de liderança que é possível perceber em vídeos de bastidor e nas orientações dentro de campo?

– Sempre tive uma característica de liderar, mas não é de ser um líder que impõe, sempre tento entender o lado de todos. Acabou que ano passado nossos jogadores mais velhos estavam lesionados, então no final da temporada ficamos eu e Kanu como mais velhos se não me engano. Nós ficamos um pouco de frente no vestiário e isso foi ficando um pouco de hábito. Aí você tem um pouco de liberdade, chegaram novos jogadores e estou sempre procurando conversar no vestiário e entender como podemos acertar um pouco mais dentro de campo. Algum passe, posicionamento… 

– Isso da liderança foi basicamente observando o Jefferson, que era um cara excepcional nessa questão. Ele sempre tentava cobrar, mas não era uma cobrança com imposição, mas sim tentando ajudar. Isso era uma característica que eu gostava bastante nele. Sempre que eu tento cobrar alguém ou falar alguma coisa, talvez como um dos líderes do grupo, era no intuito de ajudar. Mas acho que já tinha isso comigo e só precisava aflorar e ver como usar. 

O que pretende levar dessa relação com seu pai e seu avô pra sua filha?

– Os dois me ensinaram a ser uma pessoa de caráter e ter uma boa índole. Eles me ensinaram a ser o melhor. Meu pai tem uma frase que eu nunca me esqueço: “Os vencedores nunca desistem, e os que desistem nunca serão vencedores”. E meu avô falava que a cada treino eu tinha a obrigação de ser melhor do que no dia anterior e que se o treinador mandasse eu bater a cabeça na trave, eu tinha que bater a cabeça na trave. 

– Eu quero passar pra ela que ela tem que ser melhor todos os dias, uma pessoa de boa índole e de caráter sem igual. E sempre que ela vir alguém que precise de ajuda, que ela esteja disponível. Foi isso que meu pai e meu avô me ensinaram a ser.

Fonte: ge

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