“Descoberta” por Tamires, goleira Rubi abraça projeto do Botafogo e comemora acesso à Série A1

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Há 13 anos, Rubi estava desanimada com seu futuro no futebol e havia conseguido um emprego em Belo Horizonte, quando recebeu um convite para jogar um torneio pelo Santos. A goleira foi informada que ficaria por um curto período de tempo com o time e não receberia salário e, mesmo assim, largou tudo para uma nova tentativa de buscar o sonho. Lá ela ficou por quatro anos e meio. 

A responsável pelo convite é ninguém menos que Tamires, lateral-esquerda da seleção brasileira. A jogadora, que disputou a Copa do Mundo da França em 2019, viu Rubi em um torneio amador que disputou na capital mineira e enxergou talento na atleta. Meses depois, indicou a goleira para defender o Santos em uma competição de futsal. O resto é história. 

Rubi, aos 19 anos, chegou à sua primeira equipe profissional de futebol de campo já convivendo com ídolas como Marta, Cristiane e companhia. A experiência de vida é usada hoje para liderar o elenco do Botafogo, que acaba de garantir o acesso à Série A1 do Brasileirão e ainda busca o título da Série A2. 

– Eu era muito nova, fui pro Santos com 19 anos, elas estavam no auge e era meu primeiro contato com time profissional. Na minha carreira foi essencial, porque eu comecei com as melhores, então quando saí de lá eu estava preparada. Eu tenho amizade com muitas meninas daquela época, foi mágico pra mim, fico feliz por vê-las brilhando. Foi uma experiência de vida, evoluí muito. Joguei com Marta, Cristiane, Maurine, Ester, Aline Pellegrino – a liderança dela era fantástica, sempre foi um exemplo. 

– Estou muito feliz por fazer história no Botafogo. Infelizmente, o futebol masculino está passando por uma situação delicada, a torcida está carente e merece. Tentamos dar nosso melhor também pra trazer alegria para os torcedores. O primeiro objetivo, o desafio era fazer o Botafogo subir pra Série A e depois brigar pelo título. Uma coisa de cada vez. É muito gratificante, sentimento de realização mesmo, esse grupo é maravilhoso – disse Rubi ao ge. 

A goleira de 32 anos tem nove jogos com o Botafogo na temporada e é referência dentro do elenco. Rubi abraçou o projeto alvinegro e se juntou ao técnico Glaucio Carvalho para fazer um grupo forte e determinado em 2020. O time, que passou pelo Ceará na quartas de final do Brasileirão A2 e se garantiu na primeira divisão, agora foca no título do campeonato. O adversário da semifinal é o Bahia, com jogos marcados para os dias 10 e 17 de janeiro. A primeira partida será no Nilton Santos. 

Veja o papo com Rubi:

Início no futebol

– Meu primeiro time no campo foi o Atlético-MG, mas não era nada profissional. A gente se juntava para disputar algumas competições, mas não tinha apoio. Eu estava me formando no Ensino Médio, as responsabilidades começaram a aparecer e precisei começar a trabalhar. Continuei disputando torneios nos finais de semana, e a Tamires (lateral da Seleção), que é de Minas também, estava de férias e me viu em um torneio. Depois de um tempo, ela me mandou mensagem convidando para jogar um torneio de futsal no Santos, mas era só pra isso e não receberia nada. 

– Meu pai me aconselhou a ir, tive que deixar o emprego, fui e fiquei lá quatro anos e meio. Comecei a treinar campo, viram talento e acreditaram em mim. Naquela época, o Santos tinha Marta, Cristiane, a maioria das meninas da Seleção, e lá foi meu primeiro time profissional. Depois passei por XV de Piracicaba, Kindermann, São José, disputei um torneio pelo América, fiquei quase três anos no Iranduba, fui pro São Paulo e esse ano aceitei o desafio do Botafogo. 

Projeto do Botafogo

– Qualquer resultado tem um trabalho por trás. Quando eu conheci o Glaucio (técnico do Botafogo), quando ele me chamou para vir conhecer o CT, ele foi muito transparente comigo e eu senti muita verdade no que ele falou. Eu acreditei, gostei muito da estrutura do Botafogo, que é melhor do que as de muitos times que passei. Gosto muito de desafios na minha vida, o que o Glaucio me mostrou, os profissionais do clube, a grandeza do Botafogo me fizeram sonhar junto. Falei que ia ajudar, indiquei algumas jogadoras, e o sucesso está no grupo. É um grupo bom, unido, a comissão técnica é muito profissional. Plantamos as sementinhas lá no início e estamos colhendo os frutos.

Rubi abraçou projeto do Botafogo e ajudou técnico a fazer grupo mais forte — Foto: Vitor Silva/Botafogo

Rubi abraçou projeto do Botafogo e ajudou técnico a fazer grupo mais forte — Foto: Vitor Silva/Botafogo 

Momento chave do Botafogo em 2020

– A gente pegou uma chave muito difícil, com times bons, e isso fez a gente amadurecer a cada partida. Sempre tinha algo para aprender e superar, e isso fez o grupo mais forte. Contra o Vila Nova-ES lá* foi um jogo que marcou muito. Estávamos perdendo, sendo eliminadas e conseguimos reverter um resultado quase impossível, mas acreditamos até o final. Esse jogo mostrou que a gente podia ir além. 

* Botafogo e Vila Nova-ES se enfrentaram no dia 13 de novembro, pela última rodada do Grupo 5 da primeira fase do Brasileirão. O adversário chegou a estar vencendo por 3 a 1 em casa, e as alvinegras conseguiram três gols no segundo tempo para garantir a vitória e a classificação.

Bahia pela frente

– A gente conhece a força do Bahia, conheço as meninas que estão lá, é um time de muita qualidade, que mereceu também a vaga. Acredito que muitos times poderiam estar na Série A1, mas ficaram para trás. O Bahia é um time que fez campanha excelente, mas vamos focar nesse jogo, tenho certeza que vai ser um jogo digno de semifinal, e mais um adversário difícil como os que enfrentamos desde o início. Estamos preparadas, vamos treinar bastante, potencializar nossos pontos fortes e focar nesse outro objetivo, que é o título. Temos que trabalhar bastante.

Críticas às goleiras

– No masculino, os caras são maiores, as valências deles também, a velocidade da bola é diferente. Muita coisa diferente. Antigamente, as goleiras tinham dificuldades pelo tamanho do gol, e a gente ouvia muitas críticas. Hoje é totalmente diferente pelo trabalho que vem sendo desenvolvido. O trabalho no dia a dia minimiza esses problemas. Se você está bem posicionada, se fizer um trabalho de aceleração, de impulsão, isso é o essencial. 

– A gente vê que as goleiras não são tão altas como no masculino, mas o trabalho que tem sido desenvolvido é baseado nas nossas valências físicas. Antes não tinha um trabalho específico correto. Eu sou grata por estar pegando essa mudança, esse crescimento do futebol feminino no mundo. Sei que ainda tem muito pra crescer. 

Dificuldades na carreira

– A falta de incentivo no início. Eu comecei no Santos com 19 anos e não tive base nenhuma. Você já tinha que começar no time adulto, e hoje já tem times investindo na base e campeonatos de categorias inferiores, o que ajuda na preparação. Eu tive essa dificuldade. O preconceito também, todas mulheres que jogam futebol passam por isso, até dentro da nossa casa por não verem futuro no futebol feminino. A gente tem que passar por isso para que outras colham o que a gente está plantando. Alguém tem que sofrer um pouco mais. Saber que eu contribuí é muito gratificante.

– Até brinco com as meninas mais novas que eu queria ter 20 anos para pegar tudo que elas estão vivendo, porque a gente vê como o futebol feminino está crescendo, tem que dar muito valor. Pra gente que já ralou lá atrás é muito bom ver isso. 

Rubi em ação pelo Botafogo — Foto: Vitor Silva/Botafogo

Rubi em ação pelo Botafogo — Foto: Vitor Silva/Botafogo 

– O Brasil ainda tem um sentimento machista muito grande, a gente tem quebrado essa barreira no dia a dia, mas sempre sofremos com os preconceitos e com as dúvidas sobre nossa capacidade. Isso com as mulheres em geral, e a gente vem quebrando essas barreiras, mostrando que a gente é forte e pode fazer o que quiser. Eu vejo a evolução do futebol feminino, a tendência é só melhorar. Começou com a obrigatoriedade, mas o importante é que mais um passo foi dado e isso tem aberto portas e alcançado pessoas que antes não acompanhavam o futebol feminino. Vamos ultrapassar essas barreiras aos pouquinhos.

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Fonte: GE

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