Descobrindo o rosto. A realidade não vista por muitos

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Carlos Augusto Montenegro publicou na segunda-feira (08/02/2021) uma carta na qual diversos temas estiveram presentes. Uma carta com teor forte e para muitas pessoas que torcem pelo clube, talvez não tenham concordado. Diante de diversos pontos colocados nela, destacarei alguns.

Há alguns meses venho falando sobre a gestão do clube. Havia uma necessidade de todos nós que torcemos pelo clube, desde aqueles assíduos no estádio Nilton Santos até aqueles que não conseguem ir aos jogos (incluo-me nessa!) por diferentes razões, urgia pensarmos e cobramos mudanças. O clube vinha dando sinais claros de que o rebaixamento seria o desfecho de uma temporada com péssimas contratações; jogadores que não possuem condições de representar o Glorioso; jogadores caros (casos de Honda e Kalou); apostas em treinadores como Ramon Díaz e Eduardo Barroca. A situação financeira do clube colocou um desafio enorme para os gestores. Conseguir trabalhar com poucos recursos. Mas, isso não significa trazer quaisquer “profissionais”.

Como bem disse Montenegro em sua carta, fora Presidente do clube (saiu em 1996) e depois esteve cooperando com o clube. Lá se vão 25 anos envolvidos na realidade do Botafogo. Vejo nele o exemplo claro de que o clube carece de profissionais para administrá-lo. Aquele perfil anos 90 de dirigente não tem mais espaço nos clubes. Alguns entenderam. Outros levarão tempo…

Em outro tópico de sua carta, Montenegro foi bastante lúcido embora utilizando de hipérbole destacou que o passado glorioso do clube ainda o acompanha até o presente. Em outras palavras, vive-se de um passado que ficou lá atrás. É preciso olhar o atual momento. E esse, muitos torcedores ainda não reconheceram. É uma mensagem difícil para quem é apaixonado pelo clube. Porém, razão e paixão não caminham de mãos dadas. Contudo, é preciso frieza para analisar o momento e o que estão fazendo com esse clube. Ontem, Montenegro disse palavras duras. Em um passado não muito distante, ajudara a manter essa sensação de clube gigante inflamando a torcida. Por que não o fez antes? Fica o questionamento.

Sobre Gatito, atenho-me a comentar o que disse. Porém, sempre que esteve em campo, honrou o clube. Mas, ele precisa pensar em sua carreira. O futebol é efêmero…

Sobre a torcida. Quer torcida mais apaixonada que a nossa? A boa fase do clube em qualquer competição tem consequência estádio cheio e apoio incondicional. Se temos culpa, a menor delas é a nossa. Até mesmo no que diz respeito a diminuição da torcida. É preciso lembrar ao Montenegro que mesmo há mais de 20 anos sem um título de expressão, a torcida está ali sempre almejando conquistas do clube. Esperançando dias melhores. Porém, o que estimula pessoas a escolherem clubes certamente perpassa por bons jogadores e títulos. Vide Neymar no Santos ou o próprio Flamengo 2019. Torcedores modinhas ou não, é outra discussão.

Diferentemente do Cruzeiro que mesmo afundado em dívidas e com dirigentes que saquearam o clube, há torcedores investindo/patrocínio (como Pedro Lourenço/ Supermercado BH) na montagem do elenco enquanto do nosso lado não vemos interesse daquelas pessoas que possuem um capital enorme para fazer deste clube uma potência na realidade. Sempre me questiono se falta vontade deles ou a bagunça que o clube está os afastam. Pela forma que estão conduzindo o Botafogo, a minha suposição é que a segunda alternativa talvez seja a correta. Afinal, por quê somente o Botafogo que conta com uma torcida apaixonada não tem esse tipo de investimento por torcedores com poder aquisitivo ? Fica mais um questionamento.

Não vejo o rebaixamento como algo ruim. Não sou desse tipo de torcedor. Não vi no primeiro e não será agora que enxergarei dessa forma. Utilizando uma analogia, comparo o rebaixamento a reprovação na escola. Não é algo agradável, mas pode se tornar pedagógico. Ou seja, pode ser educativo ao mostrar a necessidade de avaliar um comportamento praticado e modificar posturas. No caso do aluno reprovado, pode se avaliar apenas aquele ano e aí mudar a estratégia dentro da escola. Já o clube, é um pouco mais complicado porém extremamente necessário avaliar todo um processo. Sobretudo para evitar cometer erros e fazer dessa adversidade algo que motiva à ação para alterar tudo que está de errado. Começando de fora para dentro do campo.

Desejo que as próximas temporadas sejam de muito profissionalismo, competência e lucidez para os desafios que estarão postos ao clube. Serão muitos. Contudo, necessários. Senão, o radar de divisões inferiores estará mais próximo. E não é isso que queremos.

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