Desmistificar posturas. É preciso (re) pensar práticas sociais e no Botafogo

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Há em nossa sociedade uma separação dos assuntos e ao mesmo tempo uma falsa noção de que criticar algo errado significa estar contra aquilo ou a quem se critica. Tanto a quem reconhece a importância de criticar quanto aquela pessoa que receberá a crítica, têm-se esse tabu. E com o futebol não é diferente. É preciso desmistifica-lo. Para o bem da nossa sociedade e avanço da construção de um país melhor (incluo o futebol), é preciso desmistificar isso.

Chama-me a atenção sobre a falta de criticidade que boa parte dos torcedores possuem. Como disse acima, há uma falsa ideia também de que criticar uma péssima ação do clube ou daqueles que dirigem significa não ter amor pelo clube quando é exatamente o contrário que acontece. Vejo muitos torcedores especificamente dos quatro clubes do Rio velando suas opiniões quando há alguma atitude duvidosa (digamos assim). Guardar as opiniões quando o necessário é realmente criticar, ponderar que há erros, é vital. Mas, se dentro de campo os títulos aparecem, mais difícil ainda criticar. Afinal o importante é ganhar jogos e títulos, não é?!

É preciso mudar esse pensamento. É sintomático ver no futebol o reflexo de nossa sociedade. Além disso, a ideia de que o futebol é um assunto a parte na maioria das vezes se faz presente. Quando acontece algum problema (vide racismo, homofobia, corrupção escancarada) aí as pessoas “compreendem” de que são assuntos indissociáveis.

Bem, citarei duas situações recentes que precisamos (re) pensar. A primeira refere-se a invasão de cerca de 300 pessoas a sede do clube. Em primeiro lugar é importante ressaltar que violência não resolverá o problema. A situação do clube está posta há anos. É preciso reestruturar o clube e isso perpassa pela mudança da gestão. Ademais, é salutar pontuar a ideia de que vandalizar significa nutrir amor pelo o clube. Há algo bastante questionável nessa ação.

Outro ponto pertinente diz respeito a imagem e sentimento que o futebol promove na vida das pessoas. É importante pensar que é um esporte. Um esporte profissional e competitivo, mas que requer especificamente no Botafogo entender o termo “profissional” de forma literal. Ou seja, de forma que o clube de fato entenda a necessidade de mudanças. Daí mais uma vez reitero a indissociabilidade entre futebol e política.

E através dessa necessidade de profissionalização eu chego a segunda situação-problema no clube. Por que trocar o batedor de pênalti sendo que aquele jogador já havia acertado a cobrança anterior? Aquela máxima de “tem coisas que só acontecem com o Botafogo” mais uma vez se fez presente. Faltou liderança do batedor, liderança daquele que estava como treinador interino naquele momento. Faltou respeito e profissionalização. O clube depende dos resultados dentro de campo. Não se pode pensar que estão jogando um jogo-treino ou amistoso onde os jogadores podem revezar para vários fazerem o gol. Resultado: uma péssima cobrança que custou caro ao clube. Naquele momento do jogo estávamos ganhando e poderíamos ter ampliado a vantagem, dando uma tranquilidade para jogar o segundo tempo com maior sabedoria. No final, aquele resultado recorrente nesse brasileirão: empate!

O clube demonstrou em uma ação “boba” o amadorismo que está entranhado nos corredores e campos da sua estrutura. Reitero, mais uma vez, futebol e política não se separam. Aristóteles já dizia que “o homem é um animo político”. Nossas ações são pautadas por movimentos políticos. Pensar o clube é entender essa questão.

Deve-se questionar o clube por questões simples como essa ocorrida no jogo contra o Ceará. Há de se questionar a gestão do clube; suas ações; suas omissões; sua falta de transparência. Os torcedores não aguentam ver o clube sendo notícia de forma negativa. Mas para o clube mudar, é preciso que a torcida também repense suas ações. Não se pode pensar que criticar o clube é uma postura antibotafogo.

Criticar a forma que se administra o clube é exatamente prezar por ele. É vislumbrar dias melhores, dias de glória. Sem a torcida entender que ser crítico não é demérito, continuaremos com pessoas que estão há anos lá fazendo mais do mesmo. E deixando um dos maiores clubes da história ser visto de forma preocupante dentro e fora de campo. Portanto, é preciso desmistificar essa ideia. Para a vida.

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