Dirigente da MSL: “Clubes como o Botafogo não vão se sustentar por muito tempo se tiverem uma gestão profissional”

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Os recentes resultados esportivos de FlamengoGrêmio e Palmeiras não vêm ao acaso. A conquista de taças se deve muito ao trabalho financeiro das diretorias dos três clubes fora de campo. Prova disso é o recente relatório de Análise Econômico-Financeira dos Clubes de Futebol, do Itaú BBA, apresentado pelo economista César Grafietti.

No documento, que foi divulgado na última terça-feira (18), as três equipes foram as exceções e obtiveram mais elogios que ressalvas por conta da linha saudável de gestão em um ano tão impactado financeiramente por conta da pandemia da COVID-19.

Os resultados chamam atenção fora do Brasil. Em entrevista ao ESPN.com.br, André Zanotta, diretor de futebol do FC Dallas, da Major League Soccer (MLS), e que, no Brasil, teve passagens por Santos, Grêmio e Sport, afirmou que, em meio a gestões tão ruins, os clubes gaúcho, carioca e paulista são as exemplo a serem seguidos pelos rivais.

“Infelizmente, a organização dos clubes no Brasil está longe do ideal. A questão política dos clubes é muito forte. Você vê os clubes grandes se desmanchando, indo para a segunda divisão, com problemas financeiros gigantescos e dívidas quase impagáveis. Qual a credibilidade que um clube europeu vai buscar com um clube desse? Óbvio que tem exceções, vejo o grande trabalho que o Palmeiras tem feito aproveitando a base, o Flamengo se reestruturou desde a época do Bandeira de Mello, o Grêmio com o presidente Romildo fazendo uma gestão brilhante. Infelizmente, são poucas as opções”, começou por afirmar o dirigente, antes de também destacar o modelo recente do Red Bull Bragantino, que Zanotta projetou como destaque a longo prazo no Brasil e que já vem colhendo frutos.

“Agora, tem o RB Bragantino, eu não tenho dúvida que vai se destacar. É um clube organizado, dentro de uma estrutura muito forte, tem suas parcerias pelo grupo. O Brasil nunca vai ser superado na matéria-prima, a cultura do futebol aqui nos EUA não se compara. Mas, a questão de organização e profissionalização está bem à frente do Brasil”.

Se por um lado Flamengo, Grêmio e Palmeiras têm resultados esportivos e financeiros convergentes, BotafogoCruzeiro e Vasco trazem à tona um modelo negativo, que, para Zanotta, não vai se sustentar a longo prazo se não tiverem uma gestão profissional.

“O modelo para mim não é o principal. O principal é a gestão ser profissional. Se a gestão for profissional, como os clubes que citei, o clube pode continuar tendo sucesso. Pega Botafogo, Cruzeiro, Vasco, gestões que passaram e não foram competentes, para dizer o mínimo, para deixar o clube em uma boa situação. Esses clubes não vão se sustentar ao longo do tempo se mantiverem nessa forma”.

Eu vejo que o Salgado, por exemplo, a gestão que está fazendo no Vasco parece algo diferente do que vinha sendo feito. Espero que no Botafogo, o Cruzeiro acredito que esteja tentando sair do buraco que entrou. São esses modelos que não são sustentáveis. Não acredito que tenha um modelo, mas sim a gestão dos clubes”.

Fonte: ESPN

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