Dirigente quer Deliberativo do Bota proativo; orçamento é missão inicial

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Em meio à crise pela qual o Botafogo atravessa, os conselheiros recém-eleitos têm um desafio inicial: a análise e aprovação do orçamento. O documento, construído pela gestão anterior e em um outro cenário, se mostrou defasado e está sendo refeito pela atual cúpula, que corre para cumprir os prazos estatutários. Além desta missão, Mauro Sodré, presidente do Conselho Deliberativo, explanou também sobre o que espera implementar no decorrer do mandato e como tal órgão alvinegro pode ajudar neste momento de instabilidade.

Em entrevista ao UOL Esporte, Sodré falou sobre propostas que visam uma mudança no estatuto, projeto da S/A e, até mesmo, possíveis punições a dirigentes por contratos lesivos ao Glorioso.

Com o rebaixamento à Série B do Campeonato Brasileiro concretizado na 34ª rodada, após derrota para o Sport, o Botafogo terá um grande impacto nos cofres e precisa analisar novamente o cenário financeiro para 2021.

“No momento, a pauta prioritária é relacionada ao orçamento do clube. É esse o assunto inicial mais sensível porque, se não for aprovado, o Botafogo não vai conseguir rodar, ou vai rodar com limitações. Ele foi entregue pela gestão anterior, mas a realidade, agora, é diferente daquela em que a proposta apresentada foi elaborada. O Conselho Diretor está refazendo essa proposta. A energia, no momento, está sendo dedicada nesta reformatação, que tem prazo. O Deliberativo vai discutir isso na segunda quinzena de março. Temos mês de fevereiro para concluir isso. O que tem de concreto são reduções de receitas com a queda à Série B. Isso tudo precisa ser planejado, o quanto isso impactará na execução do orçamento, nos investimentos e custeio do clube. Evidentemente que a obtenção de novas receitas é fundamental. O Botafogo precisa, realmente, realizar novas receitas”, disse.

Para ajudar a encontrar um caminho para novos rumos do Alvinegro, Mauro Sodré quer colocar o Conselho Deliberativo “na rua”, visando diagnósticos mais profundos das diversas áreas do clube. Ele também pretende criar comissões para a discussão de assuntos específicos que forem surgindo no decorrer desses próximos quatro anos.

“A crise é gerada, em minha leitura, pela combinação de fatores. Chegamos aqui por baixa eficiência. Não estou falando da última gestão ou da penúltima. É um processo de ações ineficientes, somado a alguma irresponsabilidade de trato fiscal. Quando você tem um orçamento e esse orçamento estabelece limites, você não realiza as receitas, e continua a tocar as despesas sem contingenciar, está, de alguma forma, conduzindo equivocadamente a questão orçamentária. Esse somatório de situações produziu a situação atual. O sufocamento financeiro ao qual o Botafogo se depara reflete em todo o clube”, apontou o dirigente, que completou:

“Esse é um diagnóstico. O Conselho Deliberativo hoje tem como contribuir fazendo o que está sendo feito, indo ao encontro dos problemas, indo buscar a realidade. Esse conhecimento é um olhar do Conselho, não é um conhecimento transversal, que foi mostrado por um terceiro. O Conselho está indo ao encontro dos departamentos e quer entender essa realidade. Uma forma de contribuir neste momento é compreender a crise e tratar. O núcleo central dessa contribuição passa a buscar entender o Botafogo, e até se deparar com assuntos que mereçam um aprofundamento. Para isso, vamos construir comissões especiais para tratar determinados objetos. Objetivo é, mais adiante, fazer as proposições. Por exemplo, se tiver um problema relacionado a engenharia, procurar os engenheiros do Conselho, mostrar o objeto e pedir um relatório. É um Conselho proativo e propositivo”.

Uma das soluções indicadas é a transformação do departamento de futebol em clube-empresa, projeto aprovado pelo Deliberativo em dezembro de 2019, mas que enfrentou diversos obstáculos e ainda não foi concretizado.

“Esse é um tema que o Conselho, hoje, não detém conhecimento. Não temos nenhuma informação privilegiada, nenhuma informação que nos mostre o status desse processo. As informações são dispersas. É possível que, assim como estamos querendo entender os meandros do Botafogo em seus departamentos, que busquemos também informações sobre o estado atual do projeto da S/A. Conhecer a situação atual antes mesmo de tomar qualquer decisão é fundamental”, afirmou.

A péssima campanha no Brasileiro — está na última colocação, com apenas 24 pontos — fez com que os membros do Comitê Gestor de Futebol, que comandou a pasta no ano passado, se tornassem alvos de duras críticas da torcida e alimentou o debate sobre punições a dirigentes por contratos que foram danosos ao clube. Alguns alvinegros, inclusive, acionaram o Ministério Público do Rio de Janeiro para apuração de “gestão temerária”.

Sem abordar um tópico especificamente, Sodré não descartou a chance de investigação de questões que forem levadas ao Conselho Deliberativo.

“Tudo que diga respeito às regras estatutárias, diz respeito ao Conselho. O Deliberativo está ali para fiscalizar o cumprimento das regras estatutárias. Insere-se dentre as regras estatutárias, o princípio da eficiência e também a questão das gestões. Então, diante de qualquer caso que reclame uma análise para verificar uma desobediência estatutária, de algo que, de alguma forma, tenha lesivo aos cofres do Botafogo, está na alçada do Conselho em termos de fiscalização. Sem querer aqui misturar com as competências dos demais poderes. Cada um tem a sua parcela de responsabilidade em um processo que diga respeito a atos que, de alguma forma, tenham sido lesivos. Vejo sem paixão, analiso tudo com pragmatismo. Diante de tal situação, o Conselho tem de estar atuante. Primeiramente, na compreensão exatamente do que aconteceu. O Conselho forma juízo não a partir da emoção, mas a partir da verdade real. E essa verdade é obtida através do acesso, análise, audiência. Seja qual for o caso, a quem diga respeito, ele vai estar atuante no cumprimento ao estatuto”, apontou.

Veja outros tópicos da entrevista:

UOL Esporte: Recentemente, foi entregue um projeto que visa que duas categorias de sócio-torcedor tenham direito a voto.

Mauro Sodré: Essas proposições internas dizem respeito a uma mudança estatutária. E essa mudança estatutária vai ter o seu momento adequado para que seja tratada. Não vamos discutir isoladamente essa proposta. Essa proposta trazida, e muito bem recebida, vai se inserir em um hall de discussões de uma reforma estatutária, que vai ocorrer, O que vamos ter de encontrar é o seu momento, a oportunidade para o início desta discussão.

UOL Esporte: A última eleição presidencial teve bastidores agitados. O que espera do seu mandato?

Mauro Sodré: Começo com muito otimismo, estou muito estimulado com esse momento, com o momento de poder fazer com que o Conselho Deliberativo faça as melhores entregas possíveis na contribuição do soerguimento do Botafogo. Então, para isso, não vamos medir esforços. A ideia é fazer com que o Conselho Deliberativo atue com uma visão diferente de outros mandatos, de outras gestões. Ideia é fazer com que tenhamos um Conselho Deliberativo verdadeiramente atuante e propositivo. Dentro da independência do Conselho Deliberativo, que nós possamos somar. O Conselho tem capacidade e tem condições de fazer entregas muito mais interessantes e abrangentes do que aquelas que vimos até hoje.

Temos hoje um Conselho Deliberativo com 239 conselheiros, um conselho multidisciplinar, no qual você encontra pessoas com variadas formações e qualificações. É um conselho atento à obediência estatutária. O estatuto do Botafogo parte de princípios que são os da legalidade, da moralidade, da impessoalidade, da eficiência. Acho que o conselho atuando suportado no estatuto e com atenção a esses princípios, pode contribuir muito.

UOL Esporte: E como pretende colocar isso em prática?

Mauro Sodré: Isso já vem sendo feito. Nós não nos reunimos ainda, mas a mesa diretora tem se reunido e o que estamos fazendo hoje é tentando conhecer e buscando conhecimento do Botafogo em todos os seus departamentos. Estamos saindo da caixinha do Conselho Deliberativo e estamos indo ao encontro da realidade, que não seja só o futebol. O futebol é muito visível, a realidade do futebol está aí muito clara, mas o Botafogo não é só futebol. Tem, por dentro dele, outras miríades que merecem igual ou até mais atenção, dedicação, olhar diferenciado. O que a gente tem feito é discutir sobre esse ângulo. Na medida em que estamos conversando com essas pessoas que estão no dia a dia, queremos fazer um diagnóstico, compreender o Botafogo. Significa que o Conselho Deliberativo não vai ser pautado tão somente pelo Conselho Diretor, ele vai ter a sua própria pauta. Esse é um Deliberativo que acho que a entrega vai ser diferenciada, diferentemente de outras situações onde se tinha predominantemente uma pauta produzida pelo Conselho Diretor. O Deliberativo que quero ver funcionando é com autonomia e pauta propositiva.

A união é fundamental, fundamental que, dentro do Conselho todos saibam que são conselheiros do Botafogo e que não existe nada que possa se sobrepor aos interesses do Botafogo. Eleições passaram, Acho que o ambiente da eleição não pode ser trazido para o Conselho agora. Se houve um ambiente acalorado, isso faz parte do processo, mas também faz parte do processo que isso fique lá trás. O Botafogo precisa de ações assertivas. Vou incentivar os conselheiros a pensar dessa forma. Temos um número grande de problema a serem resolvidos, tratados, e temos de saber otimizar o nosso tempo.

Fonte: UOL

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