Divergência interna e pressão das redes: os bastidores da queda de Bruno Lazaroni no Botafogo

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A queda de Bruno Lazaroni foi um dos últimos atos do Comitê Executivo de Futebol do Botafogo, que será desfeito após a eleição do dia 24 de novembro. A decisão por votação teve apoio da maioria, mas não conseguiu atingir a unanimidade e gerou certo atrito entre os cartolas que comandam o futebol do clube.

Para a diretoria, a gota d’água foi a exibição na derrota por 1 a 0 para o Cuiabá pela partida de ida das oitavas de final da Copa do Brasil. Não necessariamente por culpa de Bruno Lazaroni, mas sim pelo o que membros da diretoria consideraram como falta de motivação e iniciativa dos jogadores. Segundo um deles, chacoalhar o elenco e acirrar a disputa interna seria o único ponto positivo na mudança de treinador agora.

Mas isso não foi suficiente para convencer toda a diretoria. Com duas vitórias, dois empates e duas derrotas em menos de um mês, o aproveitamento foi considerado satisfatório. Para membros da diretoria, outro problema foi a forma como o clube lidou com a situação, sendo que Lazaroni se dispôs a ajudar e não questionou ao ser chamado para assumir por mais que tivesse acabado de realizar uma operação no abdômen.

– Fui voto vencido, porque não achava que deveríamos demitir um treinador com 50,5% de aproveitamento no Brasileiro – disse Manoel Renha, membro do comitê, à reportagem do ge.

Em entrevista na noite desta quarta-feira, Carlos Augusto Montenegro admitiu que o erro talvez tenha sido efetivar Bruno quando ele ainda não estava totalmente preparado. O que aconteceu, principalmente, por motivação financeira. Após a saída de Paulo Autuori, que sugeriu alguns nomes para a diretoria, o auxiliar permanente do clube foi o escolhido. 

– Paulo nos deu três sugestões: Roger Machado, que só pegaria um trabalho ano que vem e não aceitou, Renê Weber e Bruno Lazaroni. Resolvemos, também por dinheiro, dar uma chance ao Bruno. Ele tinha passado por uma cirurgia delicada, estava se recuperando, pensamos se colocaríamos ele como interino, achamos que ganharia força como efetivo. O segundo tempo com o Goiás e o jogo com o Cuiabá nos mostraram que não ia dar certo. Resolvemos tirá-lo. 

– Acho que ele não poderia ficar nem mais um minuto, o erro dele foi entrar com o Cícero contra o Cuiabá. Não gostei, não mudou nada, o Forster não estava mal e, se ele quisesse fazer diferente, colocava o Caio de primeiro volante. Não ter substituído no intervalo me irritou muito. A gente sentiu que, como temos um grupo jovem, foi o que deu pra montar, precisamos de uma liderança maior. Talvez o momento de apostar no Lazaroni foi errado e podemos apostar mais pra frente.

Outra motivação para o Botafogo optar por realizar a modificação no início da tarde desta quarta-feira, foi que o clube considera o avanço na Copa do Brasil como principal objetivo. Caso passe para as quartas de final, o Bota receberá R$ 3,3 milhões que ajudariam as finanças do clube – apesar de esse dinheiro não ser considerado para o pagamento de salários. 

– Estou arrasado de ter jogado mal e perdido para o Cuiabá, mas temos que levantar a cabeça e seguir em frente. O jogo lá será em campo neutro, temos que tomar atitude para devolver com juros na semana que vem. São mais de R$ 3 milhões em jogo para um clube falido – também disse Carlos Augusto Montenegro. 

Túlio Lustosa é o responsável por encontrar o próximo técnico do Botafogo — Foto: Vitor Silva/Botafogo

Túlio Lustosa é o responsável por encontrar o próximo técnico do Botafogo — Foto: Vitor Silva/Botafogo 

A saída de Bruno tem ainda outro peso, a necessidade de dar uma resposta urgente ao torcedor do Botafogo, que nas últimas semanas fez críticas duras à atual diretoria e ao elenco. Entendendo que essa medida poderia acalmar os botafoguenses, a diretoria tentou o acordo de paz ao demitir ainda o preparador físico Felippe Cappela, alvo principal das cobranças. 

Menos de um mês após a efetivação de Bruno Lazaroni, o Botafogo se lança ao mercado em busca de um novo técnico. A missão está nas mãos de Túlio Lustosa, que ouviu algumas sugestões do comitê para garimpar o futebol brasileiro em busca de um nome “cascudo”, que possa ter controle do vestiário e suportar a pressão pelos problemas também extracampo. O gerente de futebol tem carta branca, sem teto salarial, segundo Montenegro, para apresentar as opções mais viáveis aos dirigentes. 

Mesmo com os desafios financeiros, Montenegro disse não se preocupar com o salário do técnico nesse momento, pois seria o menor dos problemas. Além dos vencimentos mensais, serão oferecidas ao novo comandante premiações por metas alcançadas, como posição no Campeonato Brasileiro e avanço na Copa do Brasil. 

Se terá tempo ou não para a chegada de um novo treinador que comande o time na beira do campo às 19h da próxima terça-feira ainda é incerto. Porém, a movimentação caminha para que esta seja a solução ideal.

Fonte: ge

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