Durcesio Mello promete gestão profissional caso eleito: “Botafogo não pode viver de mecenas”

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O segundo candidato da série de entrevistas do ge com os presidenciáveis do Botafogo é Durcesio Mello. Candidato pela Chapa Preta e Branca, o empresário poderá ser escolhido para comandar o clube pelos próximos quatro anos na próxima terça-feira.

Desde quarta o ge publica uma entrevista por dia, sempre às 6h. As conversas também são divulgadas em áudio. É só dar o play abaixo para ouvir o podcast com Durcesio Mello. Antes, o primeiro foi Alessandro Leite. Na sexta, será a vez de Walmer Machado.

Durcesio tem 65 anos, é empresário e já pensou em concorrer à presidência do Botafogo anteriormente, mas o pouco tempo de associado o impediu. Agora, com o apoio do amigo de infância Carlos Augusto Montenegro e a junção de diversas correntes no clube, tenta chegar ao cargo de presidente pela primeira vez pela chapa preta e branca, “Botafogo de Todos”.

Tratada como prioridade, a busca por dinheiro novo será o principal desafio do próximo presidente do clube. Durcesio coloca como solução a viabilização do clube-empresa. Mas, caso o projeto não saia, o jeito seria buscar outras formas de trazer “dinheiro novo”. 

Durcesio Mello, candidato à presidência do Botafogo — Foto: Divulgação

Durcesio Mello, candidato à presidência do Botafogo — Foto: Divulgação 

Entre as propostas do candidato está a profissionalização da gestão do futebol do Bota, inclusive com a contratação de um CEO. Para isso, Durcesio diz que vai romper com a forma clássica de gerir o clube e até mesmo extinguir algumas vice-presidências. De acordo com o candidato, essa é a única forma de tirar o Botafogo da crise financeira.

No futebol, Durcesio afirma que chegou a entrar em contato com um jogador para ser camisa 10 e diz que montar um time forte é a solução para fazer a roda girar e atrair mais receitas. Segundo ele, uma das formas de valorizar o clube é ter um DNA botafoguense entre os garotos da base que subam ao profissional. 

Leia a entrevista

Projetos financeiros

– Com um passivo na casa de R$ 1 bilhão, o Botafogo tem hoje uma das maiores dívidas do futebol brasileiro. Em entrevista recente, Carlos Augusto Montenegro revelou que o clube não tem recursos para quitar contas básicas, como água, luz e até compra de bolas. Como resolver essa situação no curto prazo para manter o funcionamento do clube?

É difícil imaginar como pagar com o orçamento que existe, mesmo com o futebol. Não acho que o Botafogo está falido, ele está numa situação muito delicada. Acho que o grande problema não é o R$ 1 bilhão, o grande problema são as dívidas que aparecem toda hora, que fazem bloquear as receitas do Botafogo. Então acho que a primeira coisa é viabilizar via S/A, que seria uma maneira melhor e todos acreditam que vai acontecer, estou confiante e tentando ajudar independente de quem for eleito. 

Porque é fundamental para trazer dinheiro novo e poder quitar essas dívidas de curto prazo e tocar a vida. O Botafogo, não fossem as dívidas, teria uma operação rentável. Eu acho que passa por trazer dinheiro novo via S/A ou de outra maneira para quitar essas dívidas que estão na casa de R$ 450 milhões, que são as mais críticas. O resto é equacionado, Ato Trabalhista e Profut vão se pagando. Essa é minha grande preocupação, e é isso que teremos que trabalhar pra pagar caso a S/A não saia. 

– A S/A tomou novo rumo após o primeiro projeto estagnar. O plano atual só terá continuidade na nova gestão. O senhor acredita que a A S/A é a única solução? Como pretende dar seguimento ao projeto?

A S/A está andando, e eu ganhando a eleição traz uma credibilidade e uma certeza para os fundos, porque sou 110% favorável à S/A. Inclusive, eu era um investidor no plano A, porque acredito que o Botafogo é um investimento que pode ser rentável. Agora tem o plano B, e acho que pode ser muito mais viável porque abre para investidores. Acho que vai acontecer e tem que acontecer, senão só resta trazer dinheiro novo com algum empréstimo, mas isso não me passou pela cabeça, porque é uma operação gigantesca comprometer um empréstimo de R$ 200 milhões para o clube rodar.

O dinheiro vai entrar, tem receitas pro ano que vem, a gente consegue girar o futebol, mas a S/A é importante porque você destrava receitas que hoje estariam travadas e também possibilita fazer um time para disputar torneios. Eu prefiro nem pensar na hipótese de a S/A não sair. O torcedor pode, às vezes, não gostar, mas pergunte a qualquer um que se oponha à S/A se o torcedor do City, Liverpool, Manchester United, Arsenal ou PSG estão insatisfeitos. Eu quero é ver meu time ser campeão. 

Centro de treinamento

– O Botafogo está com dificuldades para terminar o novo Centro de Treinamentos, em Vargem Grande. A previsão inicial de mudança era o ano passado, mas isso ainda não aconteceu e há pessimismo sobre a finalização da obra no próximo ano. O que fazer para acelerar o processo?

Os irmãos (Moreira Salles) já se comprometeram a construir o CT e estão construindo. Os três primeiros campos já estão praticamente prontos, faltam os outros três campos e a parte de alojamentos, que eles se comprometeram a fazer com o Botafogo botando nada de dinheiro. Você tem que completar essa operação, porque passa por entregar de novo esse CT, que não é nosso mesmo, ele foi dado para o Botafogo com pagamentos mensais de R$ 50 mil em 30 anos, e o Botafogo nunca pagou uma parcela. 

Se fosse o banco, já teria tomado esse CT, então é melhor devolver, eles colocam numa fundação ou no que for e tocam a obra, vão emprestar ou alugar para o Botafogo lá na frente. Eu, ganhando a eleição, no dia seguinte vou sentar com os irmãos e conversar sobre o que precisa ser feito, que é devolver o terreno e eles gerenciarem não só a obra, como a manutenção. 

Gestão

– Qual vai ser a primeira coisa que vai fazer se for eleito para presidente do Botafogo? 

Eu já quero no primeiro dia estar com um CEO e começar a definição da equipe profissional. Um projeto meu é profissionalizar o clube, porque esse amadorismo levou aonde está hoje. Isso acho que passa por uma gestão profissional, com um CEO, diretores remunerados, performance e metas. Eu quero funcionários em tempo integral, um CEO que caiba nas finanças, que traga resultados, escolher uma equipe básica, o diretor financeiro, diretor comercial e o diretor de administração ou de serviços, ainda estamos definindo o organograma. 

Mas isso é a primeira coisa, tentar após a posse anunciar o nome do CEO. Estou conversando com pessoas para definir o perfil dessa pessoa. Não precisa ser alguém ligado ao futebol; se for, melhor. Profissionalização não é só uma palavra bonita, tem que mexer em muitas coisas, é o meu primeiro compromisso. Têm outras coisas que quero fazer a curto prazo, mas esse dá pra fazer no primeiro dia. Tenho que revisitar contratos, a estrutura do Botafogo, a gente tem que fazer plano de carreira pros funcionários, implantar o modelos de governança corporativa, compliance.

– Na sua campanha, você fala na construção de um Botafogo moderno. Essa é um das principais críticas ao atual modelo de gestão do clube, que mantém dirigentes e práticas antigas. Como romper com essa situação? Acredita na renovação não só do processo, mas também das pessoas que comandam o dia a dia? Carlos Augusto Montenegro, por exemplo, é um apoiador da sua campanha… Ele terá alguma função na sua gestão?

Quando implantarmos o profissionalismo com cargos remunerados, já estamos rompendo com grande parte desse problema que hoje há no Botafogo, que é a falta de renovação. Porque você não está colocando em cargos que têm vice-presidente jurídico, financeiro, comercial… Você vai botar gente profissional. Porque vai ter eu e o vice-presidente e talvez um conselho consultivo. A gente vai definir metas para o CEO, mas também cobranças. O CEO não performou em seis meses, vai para a rua. 

O Montenegro talvez seja o maior botafoguense da história, porque não era de grupo político algum e ajudou todos. Eu quero o Montenegro por perto, sim, mas é com ideias e coisas de experiência dele e com o conhecimento que tem de dentro do Botafogo. O Botafogo não pode ficar vivendo de mecenas. A gente tem que criar um modelo profissional e de geração de recursos de S/A ou sem S/A que não precise de alguém para comprar 18 bolas. Isso é inadmissível. Não cuspindo no prato, digo da maneira profissional de se fazer, mas sempre contando com ele e com outros que vão ajudar.

Futebol

– Como será a organização do futebol na sua gestão? Quem será o vice? Haverá diretor executivo responsável Pode antecipar nomes? 

Não tenho nomes. Diferentemente de outros anos, você assumir no meio de um Campeonato Brasileiro, quanto menos ruído fizer, melhor, então eu preferiria continuar como está. A única coisa que posso fazer é mudar o técnico caso seja necessário. Em princípio quero fazer uma transição tranquila, mantendo a equipe que está aí, que é o Tulio Lustosa, o Lucio Flavio, com o Ramón Díaz indo bem, se Deus quiser. Manter isso até o fim do Brasileiro. Aí sim pensar no que fazer pro ano que vem, mas antes disso tenho que pensar em como liberar as receitas que teremos ano que vem. 

Hoje, do jeito que está, tem chance de o Botafogo nem disputar o Campeonato Brasileiro do ano que vem, porque não tem dinheiro, como vai fazer se as verbas estão penhoradas? Não estou dizendo que não vai disputar, mas temos que ver o jeito de fazer isso, já estamos trabalhando com o modelo de futebol que não era esperado, a gente queria a S/A e não saiu, vamos ficar com esse pacote maior, porque antes eu esperava ficar só responsável pela sede, o sócio-proprietário e os esportes olímpicos.

– O Botafogo não consegue um título de expressão nacional desde o Campeonato Brasileiro de 1995. Sem dinheiro, como montar um time competitivo para voltar a se destacar no cenário brasileiro?

Sem dúvida, sou um dos que falam que temos que fazer um time forte e trazer um ídolo para alegrar a torcida e fazer novos torcedores, isso faz parte de um projeto a longo prazo. Eu tentei trazer um jogador, fiz uma oferta numa loucura, por um jogador que está em atividade na Europa, pra ser o camisa 10. Prefiro não revelar o nome, porque a negociação não acabou, mas é um cara que vai impactar não só o Botafogo, mas certamente o futebol brasileiro. Seria leviano eu prometer que vou entrar, contratar, e o Botafogo vai ser campeão do Brasileiro, da Libertadores. 

Isso é sonhar demais, mas temos que ser mais dignos e à altura das tradições botafoguenses. Temos que fazer um time para não entrar todo ano no Brasileiro pensando, depois que ganhar três pontos, que agora só faltam 41 para não ser rebaixado. Tem que ser com planejamento, pessoal que entenda de futebol, montar um time competitivo para daqui a dois, três anos quem sabe as coisas começarem a melhorar, porque aí a roda começa a girar e você consegue fazer times fortes para disputar títulos. Eu tenho 65 anos e há 25 não vejo o Botafogo ser campeão. Não sei se eu tenho mais 25 anos pra viver.

– O futebol feminino é hoje uma obrigatoriedade da Conmebol e da CBF para que os times possam participar das competições organizadas por essas entidades. O Botafogo, pela situação financeira delicada, investiu pouco na modalidade desde que ela foi retomada nos últimos dois anos. Como tornar o futebol feminino do Botafogo mais competitivo e atrativo?

Quero fazer isso, chegou a hora do futebol feminino ter investimentos que justifiquem até as vitórias e as alegrias que o futebol feminino brasileiro nos deu. Só vou saber como está a situação sendo eleito quando eu pegar ciência dos números. 

Temos que viabilizar, eu não saberia responder a essa pergunta de como viabilizar, mas tenho muito interesse e tenho uma ligação forte de amizades e conhecimento com o Lyon, que é o maior time de futebol feminino do planeta. Esse ano não tem muito o que se fazer, tenho o que pensar no ano que vem. Mas posso garantir que o futebol feminino terá destaque no Botafogo. 

– Botafogo teve 34 técnicos no século. Só na gestão Mufarrej foram nove em três anos. Como interromper esse ciclo de demissão para ter uma prática um pouco mais saudável para os cofres do clube e até tecnicamente falando?

Esse ciclo vicioso é muito danoso para o futebol. Grande parte dos passivos trabalhistas do clube, hoje, é com técnico. Sou radicalmente contra essa dança de técnicos. Eu tenho um projeto que fala do DNA botafoguense. Isso é um projeto, que até o Autuori tinha, de implantar esse DNA botafoguense. Por que eu estou falando disso? Porque você precisa começar a quebrar certos padrões que têm no futebol brasileiro e o planejamento do futebol certamente é importante. É você trazer um técnico que você esteja convicto de que ele vai entregar coisas que podem demorar mais. Com o risco de você ir mal em um campeonato ou outro, mas tem que ser. 

As histórias de sucesso que têm no mundo de futebol, todas passam por técnicos longevos, que ficaram três, quatro, cinco, 17 anos, como foi o caso do Sir do Manchester United (Alex Ferguson). É copiar o sucesso. Raramente você vê um time de ponta da Europa disputando título tendo trocado de técnico no meio da temporada. Isso passa por planejamento estratégico. Tem que pensar: “o técnico que eu quero tem que ter esse perfil, tem que ter isso” acreditar no cara e dar carta branca para ele.

– Hoje, o time principal do Botafogo é recheado de jovens da base. Quais os planos para as categorias inferiores e como melhorar a arrecadação com venda de jogadores, que é uma das principais fontes de renda do clube?

O clube que não tiver uma base forte não vai sobreviver. Porque tem jogadores que você preparou com a sua metodologia e também para eventuais vendas e, em um momento de transição, você tem que parar isso. No projeto da S/A, por exemplo, fala em você segurar o jogador até uma idade maior. Porque hoje a garotada está saindo com 18 anos. Hoje nós temos cinco jogadores no profissional. Muitos vieram por necessidade, mas estão lá. E está sendo fantástico. A base é importante para o time. 

Porque se você só trouxer jogador de fora, você não vai ter aquela “pele”, o instinto do garoto botafoguense que vem desde o sub-15, passando pelo sub-17 e sub-20. O Renha tem feito um trabalho louvável na base mesmo com a situação precária que a gente tem ainda porque não tem um CT, sem recursos, mas com trabalho. E tem uma geração subindo, do sub-17, que vai ser o futuro do Botafogo, mas um futuro breve. Tem Matheus Nascimento, Kauê, Jhonathan… tem uma garotada muito boa vindo. A base é tudo. Não só pela receita que traz, mas também pela identidade que traz ao time.

Estádio e sedes do Botafogo

– No ano passado, antes da Covid-19, o Botafogo teve média de 13 mil pagantes e chegou a jogar para um público de 1 mil pessoas. Esses números preocupam? Com quais ações concretas o senhor pretende levar o torcedor de volta ao estádio?

Temos que fazer um programa de sócio-torcedor mais eficiente e mais simples do que é hoje. É muito complicado você ir para jogo tem que fazer cadastro… É tudo muito difícil. O sistema tem que ser mais amigável. Agora, o mais importante para atrair gente é você ter um time forte. Isso é estatística. No Botafogo, mais ainda. Traz o Honda, sobe para 35 mil, chega o Kalou vai para 37, aí perde três jogos e vem para 30. O Botafogo é mais sensível porque há muitos anos que a gente não ganha nada. O jeito é você tratar melhor. 

Não só com o próprio programa sócio-torcedor, mas também com times que deem mais alegria ao sócio para estimular a virem para ser sócio-torcedor. Tendo mais, você tem condições de gastar mais no futebol. Gastando mais no futebol, você faz mais sócio-torcedor porque o torcedor fica animado. Uma coisa vai ajudar a outra. 

– Sócios reclamam do sucateamento da sede de General Severiano. Além dela, o Botafogo tem outras, como Marechal Hermes e Mourisco, por exemplo, como pretende utilizar todos os imóveis que o clube tem?

Já estou trabalhando nisso, então vou começar com o Mourisco Mar, que é a piscina, que está fechada há um ano e tem que reabrir. Estou em negociações com um grupo para a gente reformar a piscina e voltar a ser uma das três mais bonitas do mundo. Com isso você tem que reformar aquela sede. Quando digo reformar, é para dar um upgrade nela e botar um bar e restaurante bacana, colocar um deck. Eu penso até em fazer escola de vela ali embaixo e talvez criar um píer, não sei. Pensamos em fazer um deck para ancoragem de barcos para gerar receita para a sede. 

As sedes têm que ser autossustentáveis. Quero fazer centro de custos diferentes e isso parte da profissionalização. O dinheiro que o Mourisco Mar gerar vai ficar no Mourisco Mar. Porque isso beneficia polo aquático, natação e o próprio sócio-proprietário. O Sacopã, que é do remo, esporte estatutário, tem dado muitas alegrias para a gente. Só temos que fazer o remo ficar autossustentável. Porque hoje ele custa algum dinheiro para o Botafogo e quem paga é o futebol. Ele tem que ter o dinheiro do remo. Seja com patrocínios ou lei de incentivo e tudo isso. 

A sede da Dona Terezinha (Jacarepaguá) eu não conheço pessoalmente, mas tenho que fazer alguma coisa lá. Penso numa sede campestre, para atrair sócios novos daquela região que têm acesso à piscina, tem um bar bacana, tem que fazer um campo… Em janeiro, ganhando, vou visitar algumas vezes lá. 

General Severiano é o nosso patrimônio maior. Tem que trazer atividades e entretenimentos para os sócios, para que possa motivar o sócio-proprietário a frequentar a sede. Você vai à sede hoje em dia e é triste. Porque é um estado de sucateamento e eu até entendo que, de repente, não tem dinheiro mesmo. Por exemplo, eu tenho um projeto para pegar o campo de futebol – que não vai ser mais preciso, saindo a S/A – e fazer campo de society, quadra de tênis, quadra de futsal, churrasqueiras… Porque com isso eu trago mais atrativos e mais incentivos para o sócio-proprietário frequentar o clube.

Fonte: ge

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