Efeito Honda e Kalou no Botafogo reflete a importância dos estudos

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HONDA E KALOU

Dois jogadores. Uma lição. Estudar é preciso. É sabido que a vida de um jogador de futebol começa cedo.Muitas vezes precisam fazer escolhas por conta da rotina de um atleta do futebol. Porém, um dia a carreira chega ao fim. E muitos precisam passar por este processo sem ter a ideia do que fazer pós-futebol.

Certa vez, ouvi de um ex-jogador durante um programa a seguinte frase: “o jogador morre duas vezes”. O futebol e todo o seu aparato deste esporte no Brasil mostra o reflexo de um país que pouco estuda. O jogador muitas vezes não consegue conciliar os estudos com o esporte à medida que os compromissos esportivos exigem um esforço para se profissionalizar. No entanto, segundo relatório da OCDE, apenas 21% dos brasileiros possuem Ensino Superior completo no país. Esse funil ainda se torna mais estreito à medida que se imagina a pós-graduação. Será que essa realidade é diferente no futebol? Talvez não…

Todavia, o clube ao receber jogadores como Honda e Kalou, sutilmente mostra a importância de estudar, aprender novas línguas e a buscar uma graduação. Afinal, a carreira de jogador é efêmera. O que fazer depois que ela terminar?

Desde que chegou, Honda tem feito aulas de português para conseguir se comunicar com os jogadores do clube. Em contrapartida, Marcelo, um dos mais próximos do japonês no Botafogo, em uma entrevista recente a um canal aberto da televisão, destacou a vontade que tem em aprender inglês para conseguir se comunicar melhor com o japonês, já que ele utiliza este idioma para conversar enquanto não está fluente em português. Assim como ele, outros jogadores e até torcedores motivados para estudar o inglês ou qualquer outro idioma.

Kalou, por sua vez, solicitou dispensa para este final de semana colar grau na École de Commerce de Lyon, onde cursou Administração. Os noticiários inclusive postaram a foto do jogador de beca. Um grande feito sobretudo considerando as dificuldades que a profissão impõe. Afinal, é preciso conciliar as viagens, concentrações, treinos, e ainda conseguir concluir uma etapa de estudos. Tornando-se referência para os mais jovens no clube.

É evidente que a diretoria do Botafogo ao contratá-los não estava pensando em “tocar os corações” dos jogadores nesse sentido. Além do objetivo de melhorar o desempenho do clube dentro de campo, o marketing do clube agradece. Consequentemente, o clube poderá aumentar a receita através da imagem destes dois grandes jogadores. Mas, é inegável que ao contratá-los, tal ação ajuda na troca de experiências, nas trocas culturais, haja vista que temos uma diversidade de jogadores no clube. Botafogo hoje conta com brasileiros, uruguaio, costa marfinense, japonês,peruano, entre outras nacionalidades. Ou seja, uma variedade de culturas, diferentes idiomas que ajudam no interesse em estudar e a respeitar as diferentes culturas. Promove ainda que sutilmente, a educação ali dentro.

As mudanças de clubes podem ser constantes. A necessidade de aprender uma outra língua faz parte da profissão. E por que não pensar no pós-profissão? Afinal, não se sabe até quando o jogador estará na ativa….

Em tempo: Relatório da OCDE sobre a educação no Brasil

https://www.oecd.org/brazil/Education-at-a-glance-2015-Brazil-in-Portuguese.pdf
https://observatorio3setor.org.br/noticias/apenas-21-porcento-dos-brasileiros-de-25-a-34-anos-tem-ensino-superior/

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