Em seu primeiro Dia dos Pais, botafoguense Marcelo Adnet conta: ‘Uma ou duas vezes por mês dou uma chorada de amor’

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Pai de primeira viagem, Marcelo Adnet está vivendo o amor em muitas doses diárias nesta pandemia. Mas o humorista parece mesmo que nunca ficará imune à condição de papai babão e orgulhoso da menina Alice, que acaba de completar 8 meses. Logo no início do isolamento social, ele e a mulher, Patrícia Cardoso, descobriram a gravidez. Hoje, ele comemora o seu primeiro Dia dos Pais, aos 39 anos, simplesmente deixando a emoção tomar conta.

— O importante é que eu vou passar o dia com ela. Eu acho que Dia dos Pais é todo dia. Mas como é o primeiro e sou um cara do improviso, quero deixar para ir sentindo as coisas na hora. Eu sou sensível pra caramba e vou chorar de emoção. Uma ou duas vezes por mês dou uma chorada de amor. Aquele choro de “Uau!”, quando a ficha cai. Não imaginava que ela seria tão bonita, inteligente, engraçada e carismática. Já sou eu sendo coruja — derrete-se o ator.

O humorista, que volta nesta segunda-feira com o quadro “Adnet na CPI”, no Globoplay, conta que a gravidez não foi exatamente planejada pelo casal. Mas que eles foram parando de tomar cuidados contraceptivos a partir de um momento, deixando as portas abertas para o presente do destino. A escola de improviso, que ele traz tanto nas peças do seu antigo grupo de teatro Z.É – Zenas Emprovisadas até os trabalhos atuais, também foi aplicada quando as cortinas se abriram para o palco da paternidade. Mesmo estudando alguns métodos e regras para os cuidados com o bebê, Adnet usa mesmo é a sua sensibilidade com a pequena.

— Hoje, a vejo como um ser já bem desenvolvido. Não fala, mas se comunica. É o improviso de olhar para ela e pensar no que vou fazer. Se a coloco para ver o passarinho, se vou balançar ou checar a fralda. Decido na hora: vou botar para ver um desenho ou cantar? Mais do que eu ensiná-la, é ela me ensinar o que quer. Um dia ensinamos o filho a voar. Mas é cedo, ela depende muito da gente. Quem sabe um dia dependerei da Alice? — reflete Adnet, que participou de ensaios fotográficos para registrar os primeiros meses com a filha.

Na pandemia, o ator pôde fazer seus trabalhos todos de casa, com quadros também improvisados para a TV e o streaming, como o “Sinta-se em casa” e o “Sinta-se na casa”. Assim teve como acompanhar mais de perto a gravidez de Patrícia e os primeiros meses da filha. Ele segue sem sair para gravar e não se sente à vontade para isso. Adnet acredita que ainda é o momento de buscar soluções artísticas dentro de casa, já que por enquanto não tomou a segunda dose da vacina contra a Covid-19, e vai acumulando equipamentos de gravação. Alinhado a isso, eles decidiram também não ter uma babá para a filha. O casal organizou turnos para o cuidado com a menina.

— Parceria é isso. Dividimos para um poder ficar despreocupado. Os dois fazendo turno juntos seria muito pesado. Eu fico normalmente na madrugada e manhã. Porque ela tem mais facilidade em fazer a Alice dormir. Acaba que eu conjuguei cuidar dela com as Olimpíadas. Não ia ver o futebol feminino, por exemplo, porque era 5h da manhã. Mas aí ela acordou dez minutos antes e vi — conta o pai, que tenta diversificar o conteúdo musical e televisivo para a menina: — Não acredito que nesta idade ela tenha uma preferência claríssima por conteúdos infantis. Ou eu falo isso para me proteger. Porque chego do lado dela e boto as Olimpíadas. Acho que ela pode se divertir com as cores, com os sons, com a bola de um lado para o outro, com o movimento. Essa consciência de estar vendo um desenho ou um jogo é para depois. Claro que, se ela reclamar, eu troco. Já sei várias musiquinhas de desenho de cor.

Mesmo reconhecendo que está um pouco cansado, o que considera totalmente compreensível, Adnet rejeita a moda das redes sociais de mostrar as dificuldades na criação dos pequenos. E também espera que a filha não entre na categoria de bebês que ficaram famosos por sua fofura, também comum na internet hoje.

— A criação é difícil. Mas tem tanta coisa pior. Tem gente com filho na rua. Será que a pessoa lá está fazendo um blog? Dizendo: “Gente, oi. São 4h30, faz 6°C. Não tenho como cobrir a minha filha. Tem um cara ali que me bate”. Não está. Não gosto disso, não. Claro que é legal você ver e aprender. Mas não acho que deva ser sublinhado esse lado de como é difícil. Lógico que os pais vão estar com olheiras. Mas imagina como é ter um filho sem uma babá eletrônica. Muita gente hoje não tem. Quantas mães tem que levar o filho ao trabalho, estão desempregadas ou subempregadas. Essa romantização da maternidade burguesa não ajuda. O que ajuda é não esquecer da desigualdade do nosso país e do mundo, onde tem gente morrendo por falta de hospital. Crianças brincando no esgoto, perto da minha casa. Isso é que me comove. Perrengue não é virar a noite, é outra coisa — resume.

Como a família sempre é importante para a criança, o casal conta com a ajuda da prima do ator, a nutricionista Joana Adnet, especialista em introdução alimentar, fase pela qual Alice está passando.

— Ela é supergulosa, adora tudo, e está arrasando na natação agora. Levo duas vezes na semana. Ela pega a pranchinha e fica felicíssima. Fico querendo voltar a ser um bebê também. Fazer tudo de novo para ser um ser humano melhor (risos). Não cometer os mesmos erros. Mas a vida é bonita por isso. É uma vez só e rápida — brinca ele.

No meio de todo esse turbilhão de amor, Adnet ainda encontrou tempo para trabalhar em outra paixão: o carnaval. Ele compôs, em parcerias, os sambas-enredo que ganharam em quatro escolas de samba de São Paulo (Gaviões da Fiel, Dragões da Real, Rosas de Ouro e Leandro de Itaquera) e da Acadêmicos do Sossego, de Niterói. O ator ainda se tornou o carnavalesco, junto com Ricardo Hessez, da Agremiação Botafogo Samba Clube, do Grupo Especial da Intendente Magalhães. Nesta última, ele prepara o enredo sobre o ex-técnico da Seleção Brasileira de Futebol Masculino João Saldanha.

— Ricardo é o cara criativo do deslumbre. E eu desenvolvo o texto. Vou fazendo a pesquisa sobre o João, escrevo a sinopse e ajudo no desenvolvimento conceitual das fantasias — explica ele.

De futebol e história, ele realmente entende. Com a volta da CPI da pandemia, depois do recesso do Senado Federal, Adnet volta a investir nos episódios do “Adnet na CPI”, que diverte o público com imitações de Galvão Bueno narrando as sessões, além de imitar também outros nomes na cobertura esportiva da TV Globo, como o comentarista e ex-jogador Walter Casagrande.

— Falo sempre com o Galvão. Muita gente lembra de mim quando o ouve. Dizem que ele está me imitando bem (risos). Ele está num momento bacana. Teve uma época que o chamavam de chato. Mas agora virou a chave e voltaram a ver o ícone que o Galvão realmente é. Valorizamos quando sentimos falta. Não é a mesma coisa ver uma Copa sem ele — admira o fã Adnet, que promete referências às Olimpíadas e novos personagens no “segundo tempo” do programa do Globoplay.

Para fazer a atração, Adnet recebe dos editores um resumo daquele dia de CPI. Em cada episódio, ele narra de 45 minutos a uma hora, que depois são condensados para os dez minutos que vão ao ar.

— Saio dublando como se fosse a primeira vez que vejo aquilo mesmo. Só para algumas coisas especiais que eu volto a gravação. Mas costuma ser de primeira. Porque o Galvão não pode ver antes o jogo e narrar depois. Faço assim para não ficar muito quadradinho — explica o imitador.

Sempre com um tom crítico em seu humor, Adnet diz que sentiu a necessidade de desconstruir o presidente Jair Bolsonaro. Mas avalia que hoje isso já está feito. Ele chegou a sofrer ataques do secretário especial da Cultura, Mario Frias, e da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República) por conta de seus vídeos.

— O humor é a maior arma. Para esse pessoal da 5ª serie, da galera do fundão, não adianta mostrar artigos, números e estudos. Eles não estão nem aí. O problema é ser sacaneado. A piada realmente incomoda para eles — avalia.

Fonte: Extra

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