Entrevista com Luiz Felipe Carneiro de Miranda do Centro de Memória do Botafogo

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Fala Glorioso!

Hoje vamos fazer um breve bate papo, aqui na nossa coluna com um grande botafoguense, hoje converso com o benemérito do clube e curador do Centro de memória do Botafogo, Alceu Mendes de Oliveira Castro, Luiz Felipe Carneiro de Miranda. Nessa conversa o Luiz Felipe conta como foi o início do centro de memória e fala do Tricampeonato Mundial de 1967, 1968 e 1970.

Fala Glorioso :

Luiz Felipe gostariamos de saber como foi o desafio de reerguer o centro de memória do clube, bem como restaurar alguns troféus e em outros casos providenciarem novos como, por exemplo, o troféu da Conmebol 1993?

Luiz Felipe Carneiro de Miranda:

Sobre o centro de memória ela remete à 1978 quando havíamos saído de General Severiano e fomos para a antiga sede do Mourisco, e eu era um jovem diretor do clube, ainda na sede, antes da venda, os troféus não tinham espaço para serem colocados e foi tudo muito improvisado, o Botafogo teve de entregar sua sede, o campo e foi para o Mourisco. 

Os troféus não tinham uma sala para eles em General Severiano e os principais ficavam em armários na sala da diretoria, a maior parte ficava nas arquibancadas na parte de baixo do estádio. Então em 1978 recebemos uma verba específica para fechar a arquibancada da piscina do Mourisco e ali criar uma sala de troféus, e eu então um garoto de 20 anos trabalhei com afinco e selecionei os 200 troféus mais importantes do Botafogo que eu conhecia, para fazer parte da sala, assim foi feito e os demais ainda ficaram lá embaixo, pois, não havia lugar suficiente.

Com o passar do tempo aquela sala foi aumentando, o clube foi ganhando outros troféus envolvendo os outros esportes. O Presidente Althemar Dutra de Castilho, fez de sua sala, mais uma sala de troféus e nos fundos a sala específica. Quando voltamos para a sede de General Severiano em 1993, os troféus voltaram e ficaram lá no subsolo onde hoje é o centro de memória. 

Em 1998 foi feito o centro de memória onde eu e o falecido professor Brás participa da concepção histórica, já que éramos, historiadores do clube. Após isso, mesmo sem eu participar da diretoria, sempre fui muito ligado ao clube, até que em 2015 eu decidi após ver o centro de memória muito abandonado, mal tratado, jogado em segundo plano, “Uma coisa muito triste para qualquer botafoguense”, foi aí que tomei a decisão de revitalizar aquele centro de memória e fazer algo por aquela obra tão bonita, cujo acervo salvei em 1978.

No final de 2015 e o ano todo de 2016, todos os sábados e às vezes aos domingos, realizei sozinho a volta da concepção histórica inicial, acrescentando coisas novas que não tinham, como, a galeria dos campeões mundiais e dos times campeões. 

Hoje temos o centro de memória, mais completo, mais bonito, mais significativo do Rio de Janeiro e um dos mais significativos do Brasil. Quanto ao troféu da Conmebol, foi conquistado nessa fase de transição da volta do Mourisco para General Severiano e não se sabe o motivo do troféu não chegar ao clube, não sei exatamente o que aconteceu, mas mandei fazer uma réplica e agora temos desde 2017 uma réplica do Troféu da Conmebol na sede de General Severiano embelezando o centro de memória.

Fala Glorioso:

Luiz Felipe recentemente através de um amplo estudo preparado inclusive com muito esforço seu, o Botafogo reconheceu a importância dos títulos conquistados em Caracas nos anos de 1967, 1968 e 1970. Conte ao Fala Glorioso como foi esse processo?

Luiz Felipe Carneiro de Miranda:

O tricampeonato da Pequena Taça do Mundo em Caracas, nos anos de 1967, 1968 e 1970 já são conhecidas, é claro, e já integram a linha do tempo do nosso site há muito tempo, apresentando as conquistas do Botafogo, com uma denominação diferente.

A torcida do Botafogo sempre pediu que o clube valoriza-se mais essas conquistas, porque o Botafogo era um time extraordinário, um dos melhores times do mundo naquele tempo.

O Botafogo disputou a pequena copa do mundo com outros grandes times do planeta e até seleções nacionais ele venceu, os vencedores, eram considerados campeões mundiais. 

Lembrem-se que os clubes brasileiros estavam começando a disputar a taça Libertadores da América e naquele tempo ela não tinha o reconhecimento que tem hoje. Temos que olhar os fatos na realidade com que aconteceram na época e não de hoje.

O depoimento do Gérson, é emocionante, sendo ele o capitão dos times de 1967 e 1968, pois, em 1970 já havia sido vendido ao São Paulo e o Gérson acha perfeito que o Botafogo valorize cada vez mais, e é isso que fizemos para trocar no site a denominação, Torneio de Caracas, para Campeão do Mundo. 

Os Troféus serão refeitos.

Fala Glorioso:

Luiz Felipe, entre tantas glórias e conquistas do Botafogo que hoje estão expostos no centro de memória, quais os seus preferidos e se existe alguma curiosidade envolvendo esses troféus?

Luiz Felipe Carneiro de Miranda:

É difícil como historiador e torcedor apaixonado pelo Botafogo dizer a preferência que tenho, dentro do centro de memória valorizo cada peça, pois, cada uma delas seja troféu ou medalha, ou foto, tem uma importância muito grande para contar a história magnífica do Botafogo. Seria até uma injustiça da minha parte dizer este ou aquele é mais importante. Penso que é obrigação do botafoguense pelo menos uma vez na vida visitar o centro de memória para conhecer a grandeza de nossa história e aquilo que não conhece do mais antigo clube multiesportivo do Brasil e campeão de três séculos.

Fala Glorioso:

Para finalizar esse breve bate papo, qual o legado que esse trabalho do Centro de Memória deixa para as futuras gerações de gloriosos?

Luiz Felipe Carneiro de Miranda:

O grande legado para as futuras gerações, é que o Botafogo, como todas as grandes instituições do mundo, valoriza, preserva e divulga sua história. O Botafogo só é a força que tem, apesar de todas as dificuldades que vem enfrentando no decorrer das últimas décadas por dois motivos, primeiro pela sua torcida apaixonada e segundo pela sua história magnífica, essa é o objetivo do Centro de Memória, manter viva na memória dos botafoguenses a grandeza do nosso Clube.

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