Ex-atleta do Bota conta sobre a luta para ser jogadora de futebol profissional no Brasil

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O Campeonato Paulista feminino é o maior regional do País. Com isso, os clubes de São Paulo atraem várias mulheres que sonham em ser jogadoras de futebol profissionais, uma categoria ainda pequena entre as 5 mil mulheres adultas que praticam futebol no Brasil. Daiana Martins da Silva, de 22 anos, é uma dessas mulheres atletas.

Nascida no Rio de Janeiro, Daiana deixou sua família no Rio, inclusive a sua filha pequena, para atuar no Nacional. Ao deixar o gramado após o fim do jogo depois da dura derrota contra o Corinthians por 11 a 0, ela emocionou a equipe de transmissão 100% feminina composta pela Federação Paulista de futebol.

Daiana, em exclusividade para o Yahoo Esportes, relata sobre seu sonho e suas dificuldades, muitas delas comuns com outras colegas jogadoras. Atualmente ela vive em São Paulo numa casa que o treinador cedeu para as atletas, enquanto foi morar de aluguel em outro lugar.

Quando decidiu em ser jogadora de futebol?

“Eu tenho um primo que foi jogador de futebol. Eu pegava a chuteira dele escondido quando chegada do futebol para eu jogar também, tinha 13 anos na época. foi onde tudo começou.”

Qual é sua relação com o esporte? 

“Desde a minha adolescência, com 13 anos. Consegui eu mesma ver em mim o meu potencial. Sem apoio dos meus pais na época. E para eu conseguir ir nos treinos comecei trabalhar na obra do meu vizinho, pra ganhar 20 reais, o valor que dava para eu treinar. E na época consegui passar na peneira do Botafogo. Acordava bem cedo ainda de madrugada. Pois o local do treino era muito longe de casa. Eu fui jogadora do Botafogo dos meus 13 anos até os 15 anos.”

– Além do Botafogo passou por outros clubes?

“Sim. Duque de Caxias, Barcelona do (RJ), Portuguesa (RJ) e o Tupy (SC).”

Com quantos anos foi mãe? E qual maior dificuldade de ficar longe de sua filha nesse período?

“Fui mãe com 17 anos, e faltava pouco para minha maioridade. Eu sempre busquei meu sonho, quando eu engravidei eu pensei que ali tinha acabado tudo pra mim, mais com o passar do tempo eu vi que não, vi que poderia ser um novo recomeço e foi o que aconteceu, a minha filha é o maior dos motivos para eu estar aqui correndo atrás do meu sonho.”

Você tem familiares pessoas que te apoiam? E como lidar com a saudades de sua filha?

“Minha mãe me apoiava muito, mais infelizmente ela faleceu. E desde seu falecimento as coisas ficaram mais difíceis. Pois ela além de me apoiar ela ajudava a cuidar da minha filha. Meu pai não gostava muito da ideia de eu ser jogadora de futebol. Por ser um esporte de muito contato ele tinha medo de me machucarem, porque eu sempre apanhava, mas depois me acostumei. Para lidar e driblar a saudade da minha filha Dyanna, de 3 anos, é muito difícil. Porque ela mesmo antes de nascer já fazia parte de mim, da minha vida, e depois que nasceu, a gente sempre estava muito perto da outra. Tudo que eu fazia ela estava comigo e é disso que sinto mais falta. Neste período, ela vive com a minha ex-sogra no Rio.“

Hoje jogadora do Nacional, disputando o maior regional do País. Qual é sua maior expectativa?

“Minha maior expectativa é a então sonhada vaga para o campeonato brasileiro feminino. Sabemos que não fizemos uma boa campanha no regional. Mas estamos buscando a evolução. Essa parceria do PS9 com o Nacional é muito recente, ainda estamos ajustando.”

Qual maior dificuldade hoje como atleta?

“Hoje como mãe e atleta a minha maior dificuldade é viver longe da minha filha.”

Qual seu ídolo no futebol?

” Ronaldinho Gaúcho.”

Você é umas das jogadoras que fazem parte do projeto PS9?

“Eu vim de uma ONG (ST1) em uma parceria do treinador Luiz Junto ao Daniel Ribeiro (RJ) para estar revelando atletas, uma ONG onde o intuito é ajudar atletas, assim como o Projeto Social 9, eu vim nessa missão atrás do meu sonho, não só meu mais de todas as minhas companheiras de equipe.

O que falta para o futebol feminino crescer cada vez mais no Brasil?

“Equidade para os times pequenos, que estão começando agora, possam ter o mesmo engajamento e condições dos times grandes.”

Hoje vocês moram em algum alojamento do Clube?

“Não é um alojamento, é uma casa. Estamos morando eu mais seis atletas na casa do Técnico, Professor Luiz. Pois não tínhamos lugar pra ficar. Ele cedeu sua casa pra gente e foi morar de aluguel.”

Mesmo com muita dificuldade o Clube Nacional junto da parceria Social do PS9. Se comprometeram em reinventar a equipe de futebol feminino desde os anos 90. Há, pessoas comprometidas no projeto. O treinador Luiz Souza e o diretor do Clube Fábio Varella.

“Eu quero deixar um agradecimento especial, a uma pessoa que mesmo com suas limitações, faz tudo por nós. E creio que ele seja um espelho para muitas pessoas. Ao Tio Fábio Varella, diretor do Clube”, Daiana finalizou.

Fonte: Yahoo

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