Ex-Bota, Barroca diz que não abre mão do jogo que acredita: “ele é ofensivo, de coragem”

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    Depois do rebaixamento com o Botafogo no Brasileirão 2020, Eduardo Barroca reaparece na Série A nacional com o Atlético Goianiense, clube que comandou no acesso de 2019. Entre um trabalho e outro, passou sem grande destaque por Coritiba e Vitória. Antes disso, se destacou nas bases do próprio Botafogo e do Corinthians. Revelou jogadores nos últimos anos e se notabilizou por um estilo muito ofensivo na ocasião. Ele está disposto a colocar isso em prática novamente no Dragão. Confira!

    Como tem sido esse retorno ao clube que ajudou a subir em 2019?

    EB: Muito positivo. Aqui há uma forma de trabalhar com a qual eu me identifico muito. Existem profissionais de muita qualidade, tanto que nem trouxe meu auxiliar, uma estrutura que funciona. Temos o João Paulo Sanches e o Eduardo Souza, que ambientam bem o profissional que chega dentro da proposta do clube. Temos um elenco curto. Pouco mais de 20 jogadores de linha, mas bem equilibrado, e que me agrada. É bom lembrar que em 2019 participei apenas das últimas rodadas do acesso do Atlético. Fiz parte daquela história, mas foi num recorte um pouco menor.

    Existem algumas diferenças entre a proposta de jogo que costuma executar em suas equipes e aquilo que o Atlético vem fazendo. Como fará para se adequar a isso?

    EB: Sua percepção está certa, mas preciso ter o entendimento de todos os processos que levaram o time a este desempenho. Até aqui, a minha participação vem sendo manter o que vem dando certo e acrescentar algumas coisas que eu gosto. Alterei, por exemplo, um aspecto na nossa bola parada defensiva para a minha preferência. Detalhes que aos poucos vamos incorporando, sem contar os processos de treinamento, que já comecei a praticar, mas sem alterar tanta coisa na organização da equipe.

    Como costuma trabalhar a questão do modelo de jogo? Impõe suas ideias ou adequa de acordo com a realidade e o material humano do clube?

    EB: Costumo dizer que vai além do modelo de jogo. Começa na interação entre jogadores, diretoria e comissão técnica, nos métodos de treino e na forma que você passa isso aos atletas. Eles precisam entender o motivo das suas ações e o porquê fazem determinada coisa. São muitas questões, mas não abro mão daquilo que eu acredito. Que é ser corajoso! Sou do subúrbio do Rio de Janeiro e aprendi a gostar de futebol assim. A minha história tem muito da coragem para se estabelecer na profissão, em atacar, em ter a bola e jogar no campo do adversário.

    A intensidade do time tem chamado a atenção desde o ano passado. Isso é motivado pelo treinamento ou padrão de comportamento dos jogadores?

    EB: Tem as duas coisas nisso, mas precisamos entender exatamente o que é intensidade. Será que a velocidade de raciocínio também não é ser intenso? Muitas vezes, nos concentramos apenas na velocidade motora e na força das ações, e chamamos de intensidade. Não que esteja errado, mas existem muitas formas diferentes de ser intenso. Depende da proposta da equipe e da característica de cada jogador. Há, sim, uma imposição do Atlético em subir a marcação em determinados momentos, em rodar a bola com velocidade e buscar ser agressivo. E essa é uma filosofia que vamos procurar manter.

    Como faz a gestão da sua carreira? É um técnico de apenas 39 anos e disputará o terceiro Brasileirão de Série A como técnico efetivo, mas existe sempre o debate se todos os trabalhos que pintaram no período deveriam ser aceitos. É difícil essa escolha?

    EB: Pode ter certeza de que sempre que um técnico pega um trabalho, ele acredita que aquilo pode dar certo. Claro que a parte financeira é importante, mas há uma avaliação das condições gerais para alcançar o objetivo do clube. Seja acesso, no caso de uma Série B, que só te dá isso ou o rebaixamento. Ou título, vaga na Libertadores e Sul-Americana, no caso de uma Série A. As coisas que vão acontecendo depois muitas vezes são incontroláveis, mas a partir do momento que se inicia um trabalho, se acredita no melhor. Tenho sempre a preocupação de avaliar os trabalhos que eu fiz. Procuro um feedback de atletas que foram utilizados ou não, de dirigentes, membros da comissão técnica, e tento entender que tipo de sentimento o meu trabalho deixou. Onde foi e bom e no que pode melhorar. Depois que saí do Botafogo mergulhei nessa proposta para ter esse entendimento.

    Você utilizou bastante o ”jogo de posição” em seus trabalhos, principalmente nas bases de Botafogo e Corinthians, e no profissional do Glorioso em 2019. Como vê o uso dele no Brasil e o debate que gerou recentemente?

    EB: Um treinador gosta de colocar em prática aquilo que ele acredita e se esforça para dominar. Seja no posicionamento dos jogadores, na interação entre eles dentro de campo, nos movimentos treinados e nos padrões de comportamento motivados. Acho que é uma forma eficiente de gerar controle sobre o adversário. De se impor com a bola e reagir rápido ao perder a posse. É desse jeito que eu acredito no futebol. Lógico que você precisa avaliar as condições de uma partida ou os momentos dentro de cada jogo, mas a ideia principal é ter esse comportamento.

    Gerir bem o grupo é tão importante quanto a parte tática?

    EB: Tudo se integra. Tive uma vivência muito grande como auxiliar com diversos treinadores diferentes e de cada um deles eu tirei algo para botar na minha ”mochila”. O que devo fazer ao lidar com os jogadores, mas também coisas que não faria nunca. Acho que tudo parte da forma que você se posiciona e tenta ser justo no dia a dia. O jogador geralmente entende quando uma decisão é coerente.

    Acredita que o Atlético possa fazer uma campanha melhor que a de 2020, quando não correu riscos de rebaixamento e chegou na Sul-americana?

    EB: O objetivo inicial é fazer uma campanha competitiva novamente. Nos posicionar de uma forma sólida na tabela, sem aproximação com o bloco inferior. É nisso que me concentro inicialmente. Garantir mais um ano na elite e a partir daí buscar o que for surgindo. O time tem condições para isso.

    Fonte: UOL

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