Ex-diretor recorda “grande festa” em General Severiano dias antes do título do Botafogo em 1995

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O título brasileiro de 1995 é um dos mais significativos da história do Botafogo e será relembrado pela Globo com transmissão da final contra o Santos no próximo domingo, às 16h. No clima da reprise, o GloboEsporte.com recorda, durante esta semana, personagens e histórias daquela campanha. A começar pelas memórias do grande benemérito e curador do Centro de Memória do Botafogo, Luiz Felipe Carneiro de Miranda.

Tão comemorada quanto a conquista nacional foi a volta do Botafogo a General Severiano um ano antes, em 1994, como lembra o historiador. Um capítulo desse retorno, garante Luiz Felipe, foi fundamental para o título no dia 17 de dezembro de 1995.

– A volta do Botafogo a General Severiano em 1994 foi mais do que um título. Em 8 de dezembro de 1995, dias antes da decisão, houve uma grande festa na sede para a inauguração do complexo sócio-esportivo. Estávamos todos na expectativa da final, a maioria dos grandes ídolos esteve presente no clube, o que deu uma força para o elenco.

“Inaugurou-se o campo de treinamento e, naquele dia, o próprio Nilton Santos jogou”.

Ídolo Nilton Santos em campo durante inauguração do complexo sócio-esportivo de General Severiano em 1995 — Foto: Arquivo/Luiz Felipe Carneiro de Miranda

– Foram passados filmes com muitas conquistas marcantes. Jogadores do elenco da ocasião estavam presentes, foi um momento especial. Tenho certeza que aquilo deu um gás a mais. Houve a confraternização do time da época com ídolos do passado. Um detalhe muito importante do ponto de vista psicológico – contou Luiz Felipe ao GloboEsporte.com.

Sócio há 50 anos, Luiz Felipe foi diretor do Botafogo na década de 70 e exerceu várias funções no clube. Há alguns anos, o grande benemérito revitalizou o Centro de Memória do Botafogo, do qual é curador. Veja abaixo algumas memórias do historiador sobre o título brasileiro de 1995:

Importância histórica

– Não é o mais importante da história do Botafogo, porque o Botafogo, nos seus 116 anos de história, tem títulos muito importantes. A importância de um título é dada pelas circunstâncias. Considero que é um dos mais significativos títulos por ser uma conquista de caráter nacional. Nós já tínhamos conquistado em 1968 nosso primeiro Campeonato Brasileiro. Ele entrou numa conjuntura importante, que foi logo depois da volta do Botafogo a General Severiano, que foi em 1994. Esse título foi muito difícil.

– Esse ano faz 25 anos do título, com certeza vai ter comemoração. Esse título é muito comemorado no Botafogo, os jogadores campeões sempre estão lá comemorando, recebendo homenagens, a torcida também.

Emoção no vestiário

– Eu era primeiro secretário do Conselho Deliberativo, eu estava em São Paulo na final e fui ao vestiário após a conquista. A comemoração foi uma coisa extraordinária, a emoção era muito grande. Eu tinha assistido no estádio todos os títulos do Botafogo desde 1967 e esse teve uma emoção muito especial, porque foi fora do Rio de Janeiro, numa situação adversa, a torcida do Santos era maioria no Pacaembu. O Botafogo teve muitas dificuldades na campanha, teve problemas de salários atrasados e tudo, mas isso, em momento algum, perturbou o desempenho da equipe, que era muita unida.

Retorno ao Rio nos braços da torcida

Avião do Botafogo é cercado por torcida na chegada ao Rio após título brasileiro de 95 — Foto: Cezar Loureiro/Agência O Globo

– A volta no avião foi sensacional. Nós não divulgamos em qual aeroporto iríamos pousar, porque sabíamos que a torcida estava enlouquecida no Rio de Janeiro. Quando pousamos no Santos Dumont, o avião não conseguiu taxiar para o terminal, porque a torcida invadiu a pista do aeroporto.

“Nunca vi coisa parecida, não estou exagerando um milímetro. Tivemos que passar no meio da multidão. Foi uma noite que não acabou”.

Luiz Felipe Carneiro de Miranda, historiador e curador do Centro de Memória do Botafogo — Foto: Arquivo pessoal

Ídolos que ficaram daquela conquista

– O Túlio, com certeza. Quando uma pessoa é de uma certa idade, eu digo logo: “Você é da Geração Túlio”. Formou-se uma geração de torcedores do Botafogo muito grande. O que faz torcida não é necessariamente o título, mas são os ídolos. E nesse ponto o Botafogo é imbatível, ninguém tem ídolos como o Botafogo. Túlio formou uma geração de botafoguenses. Donizete também foi muito bem nessa campanha, Gottardo e Gonçalves, Wágner foi extraordinário na final. Enfim, o time era todo certinho.

– O Donizete, inclusive, na final no Pacaembu, jogou em más condições físicas, mas ele não admitia ficar fora da decisão. Estava muito aquém das condições físicas, e ele foi fantástico. Era alguma lesão de ordem muscular, em um jogo normal ele não teria jogado.

Fonte: GE

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