Fla e Bota explodem rivalidade em meio a caso Ninho e pandemia. Relembre casos

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A relação entre Botafogo e Flamengo não é nada boa e não é de hoje. Historicamente é assim, mas alguns pontos marcantes ajudam a acirrar o ânimo entre os clubes. No último sábado, a torcida do Alvinegro colocou uma faixa provocativa nas arquibancadas do Nilton Santos para provocar o rival: “Aqui prezamos pelas vidas”.

O recado gerou grande confusão e voltou a deixar os ânimos entre os clubes bastante exaltados. Os clubes não terão mais qualquer duelo nesta temporada, mas as polêmicas estão longe de acabar. O UOL Esporte fez uma lista das brigas nos bastidores que deixaram a rivalidade entre alvinegros e rubro-negros uma das maiores da cidade.

Faixa e resposta

Torcedores do Botafogo tiveram acesso ao Nilton Santos para personalizar o estádio para o clássico. Uma faixa, no entanto, roubou a cena: “Aqui prezamos pelas vidas”. A diretoria do Alvinegro teve acesso às imagens e não interferiu. O Flamengo, por sua vez, não gostou nada e pediu pela retirada, inclusive, ameaçando ir ao STJD. O clube de General Severiano até chegou a remover a mensagem, mas mudou novamente de ideia antes da bola rolar e voltou com a provocação.

O Botafogo justificou: “Botafogo está convicto de suas posições na pandemia”. Reduziu a mensagem apenas à postura do Flamengo no período, quando foi a favor da volta do futebol e ainda defendeu a presença de torcedores nos estádios em 2020, o que não vai ocorrer.

O Rubro-negro, por outro lado, entendeu que a mensagem também foi um ataque ao caso do incêndio no Ninho Urubu, que culminou com a morte de dez crianças no início de 2019. Após a vitória no campo, o vice-presidente geral do Fla, Rodrigo Dunshee de Abranches, provocou o Botafogo.

“Rivalidade deve se limitar às questões esportivas. Botafogo durante anos foi muito mal gerido, hoje está praticamente falido, rebaixado e em vias de ser extinto. Como não tem nada de bom a apresentar, está se tornando notório por atacar o Flamengo. Ok. Boa sorte aí, Botafogo”, encerrou.

Montenegro e a pandemia

Por mais que a justificativa do Botafogo não convença inteiramente, de fato, as posições dos clubes foram bem distintas durante a pandemia. Enquanto os bastidores do futebol estavam quentíssimos ao tratar sobre a volta do futebol, dirigentes trocavam farpas.

Revoltado com a posição do Flamengo de retomar as atividades o quanto antes e a qualquer custo, Carlos Augusto Montenegro, então membro do comitê executivo de futebol, atrelou a postura do rival com o incêndio do Ninho com a volta ao futebol.

“O Flamengo, que já passou por uma tragédia com os garotos, a respeito da qual foi colocado que houve uma falta de atenção, está querendo arriscar de novo a vida dos atletas? Que maluquice é essa de querer jogar? Por que o Carioca é a coisa mais importante do mundo?”, disse ao O Globo.

“Se fizer isso, eles (Flamengo) estão preparando uma outra tragédia. Agora, calculada. A anterior foi o acaso. Ninguém imaginava. O Flamengo deveria ser, até pelo trauma, o primeiro a defender a quarentena, mostrando que aprendeu a lição. Muito triste isso. Fico envergonhado. É uma falta de sensibilidade e respeito à vida humana”, finalizou.

CEP x Flamengo

Nos últimos anos, a rivalidade entre Botafogo e Flamengo parecia mais amena. Com a eleição de Carlos Eduardo Pereira, em 2014, o clima voltou a pesar. O cartola fazia questão de se opor ao rival em praticamente todos os temas. Na oportunidade havia uma guerra declarada entre o Rubro-negro com a Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) e o alvinegro ficou ao lado da entidade.

O principal problema de Carlos Eduardo com o Flamengo é que, segundo ele, o adversário só pensa no próprio umbigo e não no bem do futebol. Para Pereira, o Rubro-negro trabalha nos bastidores para o enfraquecimento dos rivais.

“Esse ambiente colaborativo você não consegue desenvolver com o clube ali da Lagoa. Não faz parte do planejamento deles a cooperação entre os quatro grandes do Rio. É algo essencial. Grande clube nenhum existe sem os outros três. Os quatro precisam dos quatro fortes para gerar o produto “clássico”. Você não vai trabalhar pelo enfraquecimento dos outros. Não é o caminho se dividir ainda mais. Se não houver um trabalho conjunto, todos vão perder”, disse CEP, como é conhecido, ao jornalista Alexandre Praetzel.

Caso Arão explodiu relação

O que já era ruim ficou ainda pior no fim de 2015. Após voltar à primeira divisão, o Botafogo tentava manter seus destaques para a próxima temporada. Willian Arão era um deles. O volante, revelado pelo Corinthians, estava emprestado por uma temporada com opção de compra por parte do Alvinegro, que teria que depositar determinado valor até uma certa data.

O Botafogo tinha o interesse e realizou o pagamento na data certa. O problema é que Willian Arão já havia sido seduzido nos bastidores pelo Flamengo, que ofereceu salário bem superior ao atleta, que devolveu o pagamento do Botafogo sinalizando que preferiria trocar de clube, o que aconteceu.

O caso, claro, foi parar na Justiça. No Rio de Janeiro, o Botafogo saiu derrotado em três instâncias. No STF (Superior Tribunal Federal), no entanto, foi o jogador quem perdeu e ficou decidido que deveria haver um ressarcimento ao Alvinegro. A decisão é definitiva, mas o valor ainda não foi paga. Com juros e correções, o valor, hoje, está em R$ 7 milhões.

“Willian Arão já perdeu, nos deve R$ 4,5 milhões mais a correção, estamos esperando a Justiça dar o pague-se para esse dinheiro vir para o Botafogo. Vai ser uma alegria muito grande”, disse Carlos Eduardo Pereira em outubro, antes da correção da quantia.

Finais e ‘chororô’

Na década passada a rivalidade entre os clubes viveu um de seus ápices. Entre 2007 e 2010, Botafogo e Flamengo fizeram todas as finais do Campeonato Carioca. O Rubro-negro levou a melhor nas três primeiras, e o Alvinegro deu a resposta na última desta fila.

Porém, o dia de 24 de fevereiro de 2008, o segundo da série, apresentou um acontecimento histórico. Após o segundo vice seguido, jogadores e comissão técnica do Botafogo compareceram juntos à coletiva de imprensa. Havia o sentimento de insatisfação com Marcelo de Lima Henrique, árbitro da partida. Revoltados, muitos jogadores choraram no episódio, que ficou conhecido de maneira provocativa pela torcida do Flamengo e parte da mídia como “chororô”.

Virou música dos torcedores do Flamengo e motivo de comemoração e provocação para jogadores do Flamengo ao longo dos anos. Até mesmo Vinicius Júnior, dez anos depois, comemorou com o gesto (criado pelo centroavante Souza) após uma vitória sobre o Botafogo em jogo do Carioca.

Resposta com ‘cheirinho’

O ‘chororô’ marcou os botafoguenses, mas o troco veio oito anos depois. Em 2018, o Botafogo eliminou o Flamengo na semifinal da Taça Rio com um gol de Luiz Fernando. Na comemoração, ele segurou a ponta do nariz, uma clara provocação ao ‘cheirinho’, expressão criada pelos rivais do Rubro-negro que na oportunidade disputava os títulos, mas não os conquistava.

“No vestiário os caras já brincaram comigo, ali no dia do jogo mesmo. Foi meu primeiro gol no Maracanã, nunca vou esquecer disso. A comemoração veio na hora. A gente vê muito sobre isso, eu fiz o gol e na hora veio na minha cabeça fazer aquela comemoração. Quando eu vi, já tinha feito (risos). O gol foi no primeiro tempo e eu fiz uma comemoração daquela? Depois que eu parei para pensar que aquilo podia viralizar se a gente tivesse perdido”, lembrou ao Lance.

Fonte: UOL

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