Flerte com ajuda de Alemão e amuleto de título em 1989: histórias de Botafogo e Maradona

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No campo, a ligação de Diego Armando Maradona com o Botafogo é curtíssima: um amistoso, em 1986, que terminou em 1 a 0 para o Napoli, sem gol do Pibe. É fora dele que o alvinegro carrega histórias que merecem ser recontadas décadas depois. O maior camisa 10 da história do futebol argentino, morto na última quarta-feira, já foi sonho de consumo e virou amuleto em campanha de título em General Severiano.

As duas histórias aconteceram no final dos anos de 1980 e se entrelaçam em julho de 1989. No início daquele mês, jornalistas noticiavam a vontade de Emil Pinheiro, homem forte do futebol alvinegro, de contratar quem os argentinos chamam de deus. 20 dias depois, o Botafogo encerrava uma fila de 30 anos com participação indireta do craque: uma camisa que virou amuleto na campanha do Campeonato Carioca. 

Maradona e Luisinho em Napoli 1x0 Botafogo — Foto: Arquivo Pessoal

Maradona e Luisinho em Napoli 1×0 Botafogo — Foto: Arquivo Pessoal 

Derrota que deu sorte

O alvinegro mais supersticioso não têm dúvida: o título carioca de 1989, que encerrou a fila de três décadas, não viria não fosse uma derrota do Botafogo de três anos antes. Em 20 de agosto de 1986, o clube carioca teve o primeiro e único embate com Maradona, uma derrota por 1 a 0 em um jogo pouco inspirado, mas histórico. 

Os lances não foram memoráveis, mas o encontro com o ídolo ficou marcado para os jogadores alvinegros. Principalmente para o ex-volante Luisinho, que conseguiu não só uma foto, mas a camisa de Diego para levar de recordação. Um presente que virou pé de coelho para o Botafogo três anos depois. 

– Essa camisa tem uma história legal porque em 1989 eu passei a levar na minha bagagem em todas as concentrações. E o Espinosa passou a cobrar: “cadê a camisa do homem?”. Tinha sempre que mostrar na bolsa. A camisa acompanhou a gente naquela campanha do título. Na final, o Espinosa até brincou: “esqueceu a camisa? Senão não vai jogar”. E ele falou sério (risos) – disse ao ge

– Ter a honra de enfrentar, ver a coisa acontecendo no campo… É muito fascinante para quem tinha ele como um dos grandes ídolos no futebol. Muito triste o que aconteceu hoje, porque ele era muito jovem, 60 anos. Todos os amantes do futebol sentem isso – continuou. 

Luisinho e os filhos Diego (esquerda) e Thiago — Foto: Arquivo Pessoal

Luisinho e os filhos Diego (esquerda) e Thiago — Foto: Arquivo Pessoal 

Luisinho já tinha admiração por Maradona, o que só aumentou após o encontro cara a cara. A ponto de um dos filhos, Diego, levar no nome uma homenagem ao argentino. A camisa ficou guardada por muitos anos, até que o ex-volante percebeu ter sido roubado dias antes de reencontrar o ídolo. 

– Dei conta com o passar do tempo. Ela ficou guardada depois daquele período e só fui dar conta no segundo jogo das estrelas, do Zico. Ainda era no CFZ. Pensei em levar para bater um papo e me dei conta de que não estava mais lá. Alguém pegou. Espero que ela esteja bem – lembrou. 

Almoço de negócios

A camisa azul do Napoli com a 10 de Diego acompanhou o Botafogo até a final daquele estadual, em 21 de julho de 1989. No início daquele mês, no entanto, a esperança era de que o próprio craque vestisse o manto alvinegro. Emil Pinheiro, que na época era o homem forte do futebol em General Severiano, tentou convencer Maradona a se mudar para o Rio de Janeiro. 

Ex-atleta e preparador físico, Carlos Lancetta foi testemunha ocular e lembrou ao ge essa história, que foi divulgada pela imprensa na época. O encontro aconteceu em uma churrascaria, onde o argentino almoçou com dois brasileiros companheiros de Napoli: o volante Alemão, ex-Botafogo, e o centroavante Careca. 

Imprensa noticia interesse do Botafogo em Maradona — Foto: Reprodução

Imprensa noticia interesse do Botafogo em Maradona — Foto: Reprodução 

– O senhor Emil tentou de todas as formas trazê-lo. O contrato estava acabando com o Napoli e tinha essa possibilidade, mas não se concretizou. Ele veio ao Brasil e marcou essa reunião junto do Careca e do Alemão. Não participei da conversa, mas vi que eles sentaram, conversaram bastante reservadamente. Quem intermediou a conversa foi o Alemão – contou Lancetta, que trabalhava no rival Flamengo na ocasião. 

– Ele era muito alegre, muito receptivo, brincalhão. O meu filho era pequenininho e gostava muito de jogar bola, e o Maradona brincou bastante com ele. Foi uma maravilha para o meu filho, porque ainda tinha o Careca e o Alemão, todos em evidência no Napoli, na época – lembrou. 

No final, como se sabe, a investida não deu certo. Maradona renovou o contrato com o Napoli, de onde saiu em 1991 para uma rápida passagem na Espanha antes de voltar à terra natal, a Argentina. A aposentadoria veio no Boca Juniors, em 1997. 

Maradona, aos 60 anos, foi vítima de uma parada cardiorrespiratória, em Tigre, na zona metropolitana de Buenos Aires, onde se recuperava de uma cirurgia na cabeça. A confirmação da morte aconteceu no início da tarde de quarta-feira e causou comoção ao redor do mundo. 

Fonte: ge

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