Há um ano, Botafogo participava do dia mais infame da história do Cruzeiro

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    Oito de dezembro de 2019. Há um ano, o Cruzeiro experimentava o dia mais infame de sua história quase centenária. Foi contra o Palmeiras, em um Mineirão de clima atípico, tomado pela ansiedade e às voltas com o desenrolar da peleja entre Botafogo e Ceará, no Rio de Janeiro, que tudo aconteceu. Um ano de uma partida que o torcedor celeste prefere riscar de sua memória. O rebaixamento consagrado com um triunfo de um time que em sua história também possui o Palestra. Lances do destino. 

    Quando o relógio apontou 38 minutos do segundo tempo no Gigante da Pampulha, lá em terras cariocas, o Botafogo foi às redes, trazendo no ambiente um clima de que era possível. Mas o primeiro tempo não teve bola na rede. Um time jogando com um peso gigante nos ombros, tropeçando em suas limitações notórias. Veio então o segundo tempo, e com ele o destino cruel confirmado. 

    Primeiro, aos 11 minutos, com Zé Rafael abrindo o placar para o Palmeiras. Sete minutos depois, no Rio de Janeiro, um pênalti era marcado para o Ceará. Era o que faltava ao time nordestino. Apenas um ponto. Um empate para permanecer na Série A. E foi o que aconteceu. Se na etapa inicial, o Mineirão explodiu com um gol botafoguense, o balde de água fria veio de uma vez com o pênalti convertido pelo Ceará. 

    Muitos torcedores começaram a deixar o estádio. E a confusão se iniciou nas arquibancadas. Focos isolados que logo tomaram proporções de batalha campal. Aos 37 minutos, mais um lance do destino. Com Dudu, um jogador revelado pela base do Cruzeiro e vendido por Zezé Perrella, o mesmo dirigente que lá estava na reta final de uma diretoria completamente lesiva ao time estrelado, o Palmeiras ampliou o placar para 2 a 0 e sacramentou a queda celeste. Pela primeira vez, o Cruzeiro estava na segunda divisão. O Gigante da Pampulha viveu então um dia de guerra. 

    “Evacuem o estádio”, foi o que se ouviu e se leu. Uma confusão que até hoje rende ao clube uma punição que será aplicada quando da volta da torcida às arenas brasileiras. Um show de horrores no mesmo nível dos diretores que jogaram o clube, literalmente, na vala. 

    A receita da queda

    A receita da queda foi seguida à risca. Em todos os sentidos. De uma crise administrativa gravíssima, talvez a mais impactante da história do futebol brasileiro, já que ganhou proporções nacionais com a exibição de denúncias em horário nobre na maior emissora do país, até a falta de confiança em campo e a completa perda dos vestiários, com jogadores antes emblemáticos, como Thiago Neves, sendo pivôs de confusões internas desestabilizadoras. 

    Treinadores vieram. Caiu Mano, veio Rogério Ceni, também sacado. Abel tentou salvar o time. E a bomba caiu em Adilson Batista, que em três rodadas apenas torceu por um milagre. Era difícil mudar o que parecia inevitável. 

    O futuro 

    Os reflexos da administração lesiva estão até hoje no Cruzeiro. Contratos firmados à revelia e com valores que hoje não comportam a realidade do clube. O 2019 ainda vai reverberar por muito tempo pelo Barro Preto. O presidente Sérgio Santos Rodrigues, em entrevista à Super 91.7 FM, destacou a luta celeste para promover um ato trabalhista, que ainda depende de questões judiciais, para poder solucionar pendências no campo legal com atletas e colaboradores que passaram pelo clube no período. Um rombo total, além dos processos trabalhistas, que praticamente colocou a dívida celeste na casa do bilhão. 

    E tudo depende, obviamente, também de um retorno à Série A do Campeonato Brasileiro. Algo que hoje parece distante. 

    “O ato está caminhando, ele é bem fechado porque tem uma normativa do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) sobre isso, e estamos trabalhando para ver o que pode ser flexibilizado. E essa pactuação de salários vai depender da receita do Cruzeiro.  Se a gente não tiver uma receita esperada, que não necessariamente depende do acesso para a Série A. De repente, a gente pode conseguir produzir receitas de outras formas, que vai nos fazer conseguir arcar com isso”, declarou Sérgio Santos Rodrigues. 

    “Se não conseguirmos, nós vamos sentar e repactuar, como estamos fazendo com todo mundo. Como fizemos com o Fred, com o Marquinhos Gabriel. Acredito que os jogadores vão entender isso porque também não tem condições  de cobrar uma coisa que nós não temos condições de pagar. Temos que esperar chegar o momento para saber se teremos receitas compatíveis, mas óbvio, tudo está colocado dentro do nosso orçamento para o ano que vem das despesas e tem uma receita projetada, ela vai variar ou não de acordo com o acesso, mas mesmo não tendo acesso, nós podemos buscar outras formas de receita, que se acontecerem, a gente consegue honrar esses acordos no ano que vem mesmo”, acrescentou o dirigente. 

    No campo, o time vem, enfim, dando sinais de alívio ao torcedor, encontrando um caminho sob o comando do experiente Luiz Felipe Scolari, que topou o desafio quando o time respirava por aparelhos na vice-lanterna da Série B. Hoje, a Raposa é a 11ª, entra em campo às 21h30, para encarar o CRB, em Alagoas, com a possibilidade de manter viva a esperança de um G-4, hoje separado por nove pontos. A luta de um Gigante que tenta novamente se erguer. 

    Fonte: O Tempo

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