HISTÓRIA DOS CAMPOS E ESTÁDIOS DO FUTEBOL DO BOTAFOGO (PRIMEIRA PARTE)

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O Largo dos Leões (foto de 1927), onde foi fundado o Botafogo F.C., no local indicado pela seta no canto superior Direito.

O Botafogo Football Club, fundado em 12 de agosto de 1904 teve o seu primeiro campo na via pública, o Largo dos Leões, com suas majestosas palmeiras imperiais servindo de balisas.

O primeiro problema estava no incômodo causado aos moradores da vizinhança, eis que as janelas das residências eram constantemente quebradas com os fortes chutes de nossos jovens atletas, o que levava a pequena renda do clube a ser gasta em indenizações.

O segundo problema eram os bondes de burro que esmagavam as bolas de jogo e novas tinham que ser adquiridas na Casa Clark para substituí-las, gerando mais despesas.

Em 1905, o Clube passa a ter o seu campo em um terreno da rua Conde de Irajá, cedido de forma gratuita pelo Barão de Werneck, a pedido de seus filhos Alvaro e Octavio, situado ao lado ao lado da residência do General Lauro Sodré, pai de Emanuel e Benjamin.

Nesse campinho da rua Conde de Irajá, onde foi hasteada a primeira bandeira do Botafogo Football Club, presente do velho Edwin E.Hime, que foi bordada pelas mãos de suas filhas, nossa equipe disputou e venceu inúmeros amistosos contra o Internacional, Petropolitano (um clube de veranistas dos Pederneiras), Afftitar, Colégio Militar e Athletic.

Em 1906, o Botafogo Football Club arrendou um terreno à rua Voluntários da Pátria, situado no número 459, em frente à estação de bondes, hoje mercado COBAL, para cosntrução de seu campo. O presidente Joaquim Antonio de Souza Ribeiro, na foto abaixo, à frente, com um machado na mão, iniciou as obras, com sócios e jogadores, ao derrubar uma alameda de palmeiras imperiais, em princípios de 1907. Seguiu-se a construção das arquibancadas.

Limpeza do terreno para o campo da rua Voluntários da Pátria

Nos anos de 1906 e 1907, nas duas primeiras temporadas do futebol carioca, o Botafogo teve que jogar no campo do Fluminense, na rua Guanabara, atual Pinheiro Machado, eis que, o campinho da rua Conde de Irajá não preenchia os requisitos para abrigar as partidas oficiais.

No ano de 1908, em 31 de maio, na presidência de Edwin Elkin Hime Junior, o Botafogo inaugurou o seu campo da rua Voluntários da Pátria, derrotando a equipe do Riachuelo por 5×0, com gols de Flávio, 3 e Ataliba, 2, formando com Coggin, Raul e Octavio; Zingo, Lulú e Norman; Millar , Flávio, Ataliba, Arthur Cesar e Emanuel.

Arquibancada do campo da Voluntários da Pátria

Animada com o campo de jogo, a Diretoria, por intermédio do secretário, Italo Peterle, propôs construção de uma pequena arquibancada de três degraus, assim como entendimentos com o Dr.Vitorio Pareto, procurador do proprietário do terreno, para a renovação do contrato.

Em 1911, o Botafogo rompeu com a Liga Metropolitana, abandonando-a, e em 1º de outubro a situação tornou-se mais grave, pois a diretoria tomou conhecimento da carta do Sr.Pedro Nolasco, procurador do proprietário do campo, comunicando que o contrato não seria renovado porque o terreno seria vendido, o que de fato ocorreu e no local foi aberta a rua General Dionizio.

O Botafogo, na situação de isolamento em que se encontrava, não poderia sequer cogitar da compra do imóvel e nomeou uma Comissão composta por Herman Palmeira, Pedro Rocha e Augusto Fontenelle para tratar da mudança.

Em 1912, sem campo e desfiliado da Liga Metropolitana, o Glorioso, numa situação gravíssima, com a sua vida administrativa praticamente paralisada, alguns heróis, Alfredo Couto à frente, foram à rua General Severiano ver o terreno da Saúde Pública, pertencente ao Ministério da Justiça.

No terreno havia um prédio em ruínas e durante as obras nossa equipe disputou suas partidas no modesto campinho da rua São Clemente nº 194, que pertencia ao Internacional, com exceção do jogo do returno contra a equipe do Americano.

Naquele ano foi fundada a Associação de Football do Rio de Janeiro integrada pelo Botafogo, Americano, Catete, Germânia, Internacional, Paulistano e Petropolitano (o tradicional clube de Petrópolis), tendo o Glorioso se sagrado Campeão Carioca.

Apesar da gravidade da crise de 1911/12, o clube mantivera-se unido. Sem sede, sem campo, quase sem sócios, mas coeso. Em 23 de junho de 1912, tomou posse do terreno de General Severiano e optou, em meio a graves problemas financeiros, por enfrentar a construção do campo.

O primeiro jogo em General Severiano foi o da abertura do Campeonato Carioca de 1913. O Botafogo venceu o Flamengo por 1×0, com um gol de Mimi Sodré. Para a inauguração oficial, no entanto, foi convidado um selecionado português que disputou quatro amistosos, entre 13 e 20 de julho: contra um time de ingleses, uma seleção carioca, uma brasileira e, finalmente, a equipe do Botafogo, com a presença do Presidente da República, Marechal Hermes da Fonseca, do Embaixador de Portugal e de diversos Ministros de Estado.

Risco original da fachada da “Archibancada” do campo de General Severiano

Em 1937, sob a presidência de Sergio Darcy, o Botafogo decidiu ampliar o estádio de General Severiano. Em 30 de setembro a diretoria aceitou a proposta da firma Cavalcanti & Junqueira para execução integral do projeto Raphael Galvão para a construção do estádio, fornecendo o clube, os materiais e pagando à firma, de administração, um máximo de 10% de comissão sobre o custo da construção. A “campanha do cimento” angariou donativos de botafoguenses, dos mais ilustres aos mais humildes.

E na memorável tarde de 28 de agosto de 1938, o Botafogo inaugurava em grande estilo o “estádio mais bonito do Brasil”, porque se situava entre s visões do Corcovado e do Pão de Acúcar.

O campo foi edificado em plano superior aos degraus iniciais das arquibancadas e cercado por um pequeno alambrado, mudando sua antiga direção para ficar com os gols colocados do lado do atual Hospital Rocha Maia e do lado da atual Av.Lauro Sodré, ao contrário de antes, quando os gols estavam localizados dos lados da rua General Severiano e da Avenida Venceslau Braz.

No centro do gramado foi colocado um grande mapa do Brasil, com pequenos furos para receber terras de todos os Estados, cerimônia que provocou o entusiasmo da enorme assistência, sendo vários Estados da Federação representados por ilustres botafoguenses neles nascidos.

Cerimônia da inauguração do estádio

Seguiu-se um jogo amistoso com o Fluminense, vencido pelo Botafogo por 3×2, gols de Patesko, 2 e Perácio, atuando o Glorioso com: Aymoré, Bibi e Nariz; Zezé Moreira, Martin (Del Popolo)  e Canali; Théo, Paschoal (Nelson), Carvalho Leite, Perácio e Patesko.

General Severiano em 1938
Times perfilados para a partida da inauguração

(Fonte bibliográfica: Oliveira Castro, Alceu Mendes de – “O Futebol no Botafogo de 1904 – 1950” – Gráfica Milone Ltda)

Por: Luiz Felipe Carneiro de Miranda
Grande Benemérito, Historiador e Curador do Centro de Memória do Botafogo.

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