JOGOS INESQUECÍVEIS – O JOGO DA INVENCIBILIDADE – BOTAFOGO 1X 0 FLAMENGO

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O time do Botafogo comemora o gol, com o autor, Renato Sá, à frente.

Na tarde de domingo, 3 de junho de 1979, o Flamengo estava com a festa preparada para comemorar o recorde brasileiro de invencibilidade – 53 jogos – dessa forma suplantando o seu adversário daquele dia, o Botafogo, que também detinha o recorde de 52 partidas sem perder.

As medalhas alusivas aos feito tiveram que ser escondidas, pois a festa rubro-negra acabou cedo, com apenas 9 minutos de jogo, quando Renato Sá acertou um chute de esquerda e o goleiro Cantarele não conseguiu defender.

Rebato Sá dá um lençol em Toninho…
…e completa para o gol da vitória.

A expectativa diante da partida válida pelo Campeonato Estadual de 1979, preencheu o noticiário da imprensa esportiva durante toda a semana do clássico.

Um público presente de 139.098 pessoas foi ao Maracanã para conferir. Somente a vitória do Glorioso impediria que o seu adversário obtivesse a quebra do recorde.

O Botafogo atuou com Borrachinha, Perivaldo, Nílson, Renê e China; Russo (Romero), Mendonça e Renato Sá; Gil, Marcelo e Ziza (Chiquinho). E o Flamengo com Cantarele, Toninho, Rondineli, Manguito e Júnior; Carpeggiani, Adílio (Luizinho) e Zico; Reinaldo, Claudio Adão e Julio Cesar (Carlos Henrique).

A partida foi dominada do primeiro ao último minuto pelo nervosismo e pela emoção, havendo dois lances fundamentais para o resultado, cada um no início de um tempo: o gol de Renato Sá, completando um lençol muito bem executado sobre o lateral Toninho, dentro da área e uma defesa extraordinária de Borrachinha, mandando a corner um chute certeiro de Zico, logo no primeiro ataque do Flamengo no segundo tempo.

Nos primeiros minutos de jogo foi decisiva a presença de Renato Sá, ponta esquerda gaúcho, que soube posicionar-se muito bem, podendo pegar a bola sempre desmarcado e em condições de organizar o contra-ataque, tornando-se efetivamente o melhor jogador em campo. Após o gol alvinegro, aos 9 minutos, o panorama da peleja continuou o mesmo. O Flamengo retinha mais a bola, mas quem aparecia na área com perigo eram os atacantes do Botafogo. Marcelo e, depois, Mendonça, perderam dois gols dentro da pequena área. No primeiro, Cantarele salvou a corner, e no outro, já batido,viu a bola passar caprichosamente rente a trave.

A partir dos 30 minutos de jogo, o Flamengo começou a crescer em campo e o goleiro Borrachinha passou a viver o seu período de estrela da partida. Adílio cruzou para Claudio Adão, mas Borrachinha cortou com uma ponte. No fim do primeiro tempo, em um chute à queima-roupa de Claudio Adão, nosso arqueiro mandou a bola sensacionalmente a corner.

Na segunda etapa da partida, depois de chute de Zico que Borrachinha salvou, alguns jogadores flamenguistas se desesperaram. As poucas oportunidades que o Flamengo conseguiu criar devem-se ao espírito de luta da equipe, que viu a possibilidade de alcançar o tão almejado recorde tornar-se impossível.

Aos 29 minutos houve uma falta de Perivaldo, que deu um tapa na bola. Como já havia recebido cartão amarelo, foi expulso, deixando sua equipe reduzida a apenas dez jogadores.

Nos últimos minutos, quando o Flamengo apertou o cerco, em desespero, surgiu novamente a figura de Borrachinha, com duas difíceis defesas.

Quando o árbitro José Roberto Wright deu o apito final e o placar eletrônico do Maracanã apontava a dramática vitória de 1×0 do Botafogo sobre o Flamengo, enquanto os flamenguistas deixavam o estádio cabisbaixos, a torcida botafoguense encontrava-se em delírio, comemorando a grande vitória de sua equipe, que lutou contra tudo, principalmente contra as contusões de véspera.

Por: Luiz Felipe Carneiro
Grande Benemérito e Historiador do Botafogo de Futebol e Regatas

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