Kelvin lembra gol histórico que deixou Jorge Jesus de joelhos em Porto x Benfica: ‘Caiu a máscara’

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Nesta sexta-feira, Porto e Benfica fazem um megaclássico, às 18h (de Brasília), no Estádio do Dragão, para seguirem na luta pelo título do Campeonato Português. O FOX Sports exibe a partida com exclusividade.

Os portistas são atuais vice-líderes, com 31 pontos, enquanto os alvirrubros têm a mesma pontuação, mas estão em 3º lugar pelos critérios de desempate. Ambos perseguem o líder Sporting, que soma 35 pontos.

Um dos mais famosos enfrentamentos entre os rivais das duas mais importantes cidades portuguesas aconteceu em 11 de maio de 2013.

Na ocasião, o Porto era vice-líder, dois pontos atrás do Benfica, e recebeu os Encarnados no Dragão. O time de Lisboa saiu na frente, mas os donos da casa conseguiram a virada nos acréscimos, venceram e passaram o rival na tabela. Na rodada seguinte, a última da liga, um triunfo sobre o Paços de Ferreira garantiu o título aos portistas.

O responsável por fazer o gol do triunfo dos Dragões naquela tarde histórica foi o atacante Kelvin, atualmente no Botafogo.

Com passagens por Palmeiras, São Paulo e Vasco, o atleta revelado pelo Paraná Clube jogou por vários anos no Porto, ficando marcando justamente por esse tento.

Em entrevista à ESPN, ele recordou com precisão cada detalhe ocorrido antes e depois do gol, e aproveitou para dar uma alfinetada em Jorge Jesus e nos jogadores do Benfica.

‘NEM LEMBRO O QUE O TREINADOR FALOU’

Nascido em Curitiba, Kelvin Mateus de Oliveira despontou como grande promessa na base do Paraná e foi rapidamente vendido para o futebol europeu.

“Fiz a base toda no Paraná, desde os nove anos até os 17. Com 17, eu subi para o profissional no fim de 2010, na Série B, e joguei uns 11 jogos. Em seguida, já fui vendido para o Porto. Eu precisava completar 18 anos para ir, e só completaria em junho de 2011. Com isso, fiquei mais seis meses no Paraná e depois fui para Portugal”, lembrou.

Quando chegou, na temporada 2011/12, o ainda adolescente Kelvin foi emprestado ao Rio Ave e fez boa temporada, anotando dois gols em 27 partidas.

Com isso, ele foi integrado ao elenco pelos Dragões em 2012/13, entrando no time principal em algumas ocasiões.

“Eu ia para o banco do elenco principal em todas as partidas, e, quando eu não era utilizado, jogava depois no dia seguinte pelo Porto B, na 2ª divisão portuguesa, para manter a forma”, salientou.

O treinador Vítor Pereira, porém, se encantou pelo brasileiro depois que, em 7 de abril de 2013, ele decidiu quase sozinho uma vitória por 3 a 1 sobre o Braga, pela 25ª rodada do Português.

“Eu entrei bem em algumas partidas e me destaquei no jogo contra o Braga, fiz dois gols e ganhamos. Era uma partida que não poderíamos perder de maneira nenhuma para não deixar o Benfica disparar. Quando eu entrei, estava 1 a 1, eu fiz dois gols em três minutos e vencemos por 3 a 1. Daí em diante, eu passei a ter mais chances”, exaltou.

Foi exatamente essa partida que fez com que o treinador confiasse em colocar o paranaense em campo contra o Benfica, cerca de um mês depois, no clássico pela penúltima rodada.

“Por causa do jogo contra o Braga, eu tinha a esperança de ser usado contra o Benfica. Quando você está no banco, sempre se prepara para entrar e dar o melhor de si. Chegou o dia e era um clássico de importância enorme, praticamente uma final, pois quem vencesse seria campeão. E eu estava muito ansioso para entrar”, recordou.

O Benfica abriu o placar logo aos 19 minutos, com o atacante Lima, ex-Santos, e deixou a torcida muito preocupada no Estádio do Dragão.

O Porto empatou com um gol contra de Maxi Pereira, apenas sete minutos depois, mas o 1 a 1 foi persistindo no placar até os minutos finais.

Foi quando Vítor Pereira olhou para o banco de reservas e chamou dois brasileiros: o experiente Liédson, ex-Corinthians e Flamengo, e o menino Kelvin, de apenas 18 anos.

“O treinador me chamou e eu não lembro de nada que ele falou (risos). Acho que ele deve ter falado para mim: ‘Entra lá e resolve, igual naquele dia contra o Braga (risos)’. A verdade é que eu estava tão ansioso para entrar e não queria perder um minuto sequer, então nem lembro o que ele falou”, brincou.

“O Liedson entrou alguns minutos depois e fomos para cima. O técnico optou por mandar todo mundo para o ataque. O time ficou comigo, James Rodríguez, Liedson, Jackson Martínez e Varela, eram praticamente cinco atacantes. Ou seja: tudo ou nada”, relatou.

Mesmo oito anos depois, Kelvin consegue se lembrar de cada detalhe do seu gol heroico, marcado aos 46 minutos do 2º tempo.

“Entrei no lugar do Lucho González e parti para a correria. Estava 1 a 1 e o resultado era péssimo para nós. O Varela inverteu a bola para mim, eu dominei, passei para o Liedson e corri na frente para receber. Ele me devolveu com muita qualidade, eu dominei e chutei cruzado, de longe. Era um chute difícil, mas tive muita felicidade de fazer o gol”, celebrou.

O tento do brasileiro fez o Estádio do Dragão se transformar praticamente num manicômio. Torcedores portistas pularam das arquibancadas, completamente loucos pelo gol de Kelvin. O técnico Vítor Pereira perdeu qualquer compostura e saiu correndo pelo gramado, levando um escorregão e quase caindo de nádegas no chão. E os jogadores do time da casa nem sabiam como expressar tanta felicidade.

“Na hora que eu fiz o gol, saí correndo e ia me jogar na torcida, mas o Liedson não deixou. Ele me agarrou pela camisa e, em seguida, veio o time todo me abraçar. Meu sonho de criança era entrar numa final e fazer o gol do título, e eu tinha acabado de realizar isso”, contou.

“A ficha demorou para cair depois daquele dia. Só foi cair uns três meses depois. Eu pensava: ‘Caramba, eu fiz o gol do título!’. E olha que eu já finha feito dois gols que salvaram o time antes, mas esse foi o mais especial”, argumentou.

Após ganhar do Benfica e passar o rival na tabela, porém, o Porto ainda precisava bater o Paços de Ferreira, fora de casa, na última rodada, para ratificar a taça. A responsabilidade, porém, não pesou sobre os ombros dos jogadores, que fizeram 2 a 0 e celebraram a conquista nacional.

“Nós estávamos com a mão na taça, mas sabíamos que tinha mais um jogo contra o Paços, na última rodada, e precisávamos ganhar, nem que fosse de ‘meio a zero’. Era nossa responsabilidade. Mas no Português é muito raro o Porto perder ou empatar com times menores. E aí, quando vencemos, soltamos o grito e comemoramos de vez”, lembrou.

‘CAIU A MÁSCARA DELES’

Quase tão famosa quanto a imagem do chute de Kelvin balançando as redes do goleiro Artur Moraes é a cara de desolação do técnico Jorge Jesus ao ver seu Benfica levar a virada.

De volta ao comando dos Encarnados após sua vitoriosa passagem pelo Flamengo, o Mister “perdeu o chão” e se ajoelhou no gramado do Estádio do Dragão após o brasileiro anotar nos acréscimos.

A cena percorreu o mundo, deixando Kelvin ainda mais famoso e fazendo os torcedores portistas delirarem cada vez mais.

Na conversa com a ESPN, o atacante do Botafogo revelou que os jogadores do Porto ficaram “mordidos” já no 1º tempo, por causa da comemoração de Lima no gol do Benfica, o que aumentou a vontade de ganhar o clássico.

“Para falar a verdade, eu só fui ver a ajoelhada do Jorge Jesus depois, em casa, quando vi o gol pela televisão. Até hoje em Portugal eles tiram sarro dele por causa desse momento. Quando o Lima fez o gol do Benfica, ele comemorou como se estivesse com a taça na mão, celebrando o título dentro da nossa casa. A gente não podia deixar isso barato”, ressaltou.

Segundo Kelvin, seu gol serviu para derrubar a “máscara” e acabar com a “marra” dos Encarnados.

“Quando eu fiz o gol e o Jesus caiu, caiu também a máscara deles. Caiu aquela marra que eles tiveram no 1º gol. E quando o Jesus se ajoelhou, ficou mais bonito ainda! (risos)”, gargalhou.

“Em 90 minutos, eles primeiro acharam que iam levar a taça na nossa casa, e depois caíram de joelhos (risos). Caiu a casa deles! Por isso esse jogo foi tão legal”, exaltou.

O brasileiro, aliás, defende Lima pela comemoração, salientando que provocações fazem parte do futebol e são uma característica marcante do esporte.

“Eu acho que falta hoje isso ao futebol, não tem mais essa provocação sadia. Eu acho certo e legal. Se fosse do nosso time, provavelmente a gente teria feito a mesma coisa, porque era um clássico na casa do adversário. Foi uma provocação legal, não foi desrespeitosa”, analisou.

Hoje com 33 anos, o atleta diz que seu gol deve servir de inspiração.

“Esse gol serve de exemplo até hoje para a vida, não só para o futebol. Às vezes podemos estar mal e tristes, mas acontece alguma coisa boa e passa tudo a dar certo de novo”, filosofou.

KELVIN VIROU ALA DE MUSEU

De forma merecida, o “golo do Kelvin”, como o lance é chamado em Portugal, ganhou uma ala especial no museu do Porto.

O brasileiro se diz muito agradecido pela homenagem e ressalta o carinho do “eterno” presidente portista, Jorge Nuno Pinto da Costa, pelo tento.

“Eu já voltei ao museu do Porto muitas vezes e adoro ver o meu espaço lá. Tive sete anos de contrato com o clube, e aquele gol é algo para sempre na história do time. Veja só: você está me ligando agora para falar de um lance que aconteceu em 2013! Ou seja: vai ficar para sempre”, afirmou.

“Quando falam de Porto x Benfica, todos lembram de cara desse gol. E o presidente do Porto mandou fazer um espaço no museu só para esse lance. Imagina o quanto isso significou para ele, pois ele comanda o clube há 40 anos! Eu fico muito feliz com isso. Vou levar em breve meus filhos para conhecer, pois é algo que está marcado na história”, festejou.

A imprensa portuguesa também nunca esqueceu de Kelvin.

“Os torcedores sempre lembram de mim e mandam mensagens quando vai chegando perto do clássico. Também sempre sou procurado pela imprensa de Portugal, todo ano. E sigo mandando mensagens para os amigos que ainda estão no clube”, relatou.

De volta ao time do Botafogo após se recuperar de lesão, o atacante tira inspiração de seu lance mais famoso para tentar ajudar o clube na briga contra o rebaixamento no Brasileirão.

“Eu voltei de uma lesão na coxa que me deixou dois meses parado e fiz meu 1º jogo de titular contra o Vasco. Antes, eu já começo a ver meus vídeos, porque você sabe que, quando volta de lesão, não volta com o mesmo ritmo, e precisa pegar um ritmo legal e manter. Antes do jogo, eu vi o gol e pensei: ‘Naquela época, eu não era titular, nem esperava entrar e fiz o gol. Por que agora que estou jogando não posso fazer de novo?’. Isso serve de incentivo para que eu tenha outros momentos bons. É um exemplo que levo para a vida”, discursou.

Fonte: ESPN

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