Mal em campo, Botafogo afunda em crise administrativa e sobrevive ao ano por “favores”

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A necessidade de uma gestão profissional é compartilhada não só pelo alto escalão do Botafogo, mas os sufocos diários em todos os âmbitos fazem funcionários e atletas acreditarem que só mudanças radicais podem garantir o futuro do clube. Em grave crise financeira e à espera da S/A, o Botafogo sobrevive de socorros frequentes para manter o mínimo funcionamento de suas atividades. 

Além de empréstimos para quitar contas básicas, como água e luz, o Botafogo por vezes não consegue bancar a realização de jogos tanto da base quanto do profissional. O ge apurou que a partida recente contra o Fortaleza, por exemplo, só aconteceu com a ajuda de um cardeal. 

A crise financeira coloca em risco a participação do Botafogo em jogos e competições caso “torcedores ilustres” não interfiram mais. Até hoje, sempre deram um “jeitinho”.

Jogo contra o Fortaleza só aconteceu porque clube teve ajuda para bancar despesas — Foto: André Durão/ge

Jogo contra o Fortaleza só aconteceu porque clube teve ajuda para bancar despesas — Foto: André Durão/ge

A avaliação interna é de que o Botafogo só sobrevive até o momento por dois motivos: antecipação das receitas de TV e a venda do atacante Luis Henrique ao Olympique de Marselha, que pagou ao clube R$ 25 milhões em parcelas. 

Quando a primeira entrou no caixa, foi gasta em questão de poucas horas. As outras partes, o clube teve que pedir adiantamento para não ficar ainda mais no vermelho. Perdeu um pedaço para o banco em juros, mas quitou contas urgentes. O total foi destinado ao pagamento de dívidas e outras despesas operacionais. 

Exemplos da gestão “amadora”

O amadorismo – no sentido literal e não necessariamente pejorativo – é uma das críticas feitas à administração do Botafogo e de outras equipes brasileiras. No clube alvinegro, há exemplos recentes de planejamento equivocado que compromete a temporada e as finanças. 

Em novembro de 2019, o Botafogo exonerou o então vice-presidente de futebol Gustavo Noronha, função que foi acumulada pelo VP comercial e de marketing Ricardo Rotenberg. Um mês depois, perdeu o diretor de futebol Anderson Barros, que se transferiu para o Palmeiras. 

Novamente, o clube não nomeou outro profissional para o cargo, e a decisão foi pela criação de um comitê de futebol com pessoas que já faziam parte do dia a dia do Botafogo. A ideia era que o grupo durasse até o primeiro semestre, quando sairia a S/A, mas só foi encerrado com as eleições do último dia 24. Muito em função da contratação de Túlio Lustosa, novo gerente de futebol. 

A criação do comitê trouxe de novo ao dia a dia uma figura emblemática da história do Botafogo: o eterno presidente Carlos Augusto Montenegro, à frente do clube no título brasileiro de 1995. Não estava exercendo nenhuma função no Bota, mas continuou presente na política alvinegra. 

Montenegro é o grande responsável por “apagar incêndios”. Como custear operações de jogos, pagamentos de contas básicas e até compra de bolas, como o próprio cartola revelou. Além dele, pelo menos outros dois “torcedores ilustres” ajudam com frequência. 

A relação com os botafoguenses é de amor e ódio. Gratos eternamente por tudo o que o ex-presidente fez e faz pelo clube, a figura de um mandatário à moda antiga, que fala o que quer, é questionada. Se dinheiro é poder, Montenegro teve, em muitos momentos na temporada, a última palavra nas decisões do Botafogo. 

“Se está ruim com Montenegro, estaria muito pior com ele”, é o lema dos alvinegros. 

Montenegro é o grande responsável por "apagar incêndios" no Botafogo — Foto: Ivo Gonzalez/Agência O Globo

Montenegro é o grande responsável por “apagar incêndios” no Botafogo — Foto: Ivo Gonzalez/Agência O Globo

No meio disso tudo, uma cara nova apareceu: Marco Agostini. Incluído no comitê no início de 2020, ele foi figura presente na pré-temporada, no Espírito Santo, e nomeado VP de futebol meses depois. O papel era ser a voz da gestão no contato diário com atletas e comissão. Mas não aconteceu bem dessa forma. 

Apesar de estar no dia a dia do elenco, o ge ouviu de algumas pessoas que Agostini não tem autonomia para tomar decisões. O dirigente, vale lembrar, foi escolhido para ser o elo diário também com a imprensa, mas se manteve distante de relações com os jornalistas. 

Futebol antes da S/A

Enquanto se esforça para tirar a S/A do papel, o Botafogo tem um objetivo mais urgente e que pode influenciar na transformação do clube em empresa: a permanência na Série A do Brasileirão. 

Na tentativa de recuperar o ânimo do elenco para a sequência da temporada, o Botafogo cogitou levar um palestrante motivacional para conversar com os jogadores antes da partida contra o Atlético-MG, o que aconteceria em parceria com o novo patrocinador master. A possibilidade não está descartada, já que a confiança do grupo está abalada. 

Um problema a menos nesse momento é que o clube tem garantidos salários em dia até dezembro por decisão judicial. Outro é que o Botafogo, a princípio, não terá dificuldades para manter o atual elenco até o fim do campeonato nacional, em fevereiro de 2021. 

O problema é que as saídas que já aconteceram foram sentidas. Principalmente as de Luis Henrique e Luiz Fernando, já no meio do Brasileirão. No caso do garoto de 18 anos, a proposta vinda da França foi irrecusável. Situação diferente aconteceu com Luiz Fernando, já que os cerca de R$ 1 milhão recebidos do Grêmio foram penhorados. Mesmo que não fosse, representaria praticamente um terço da folha do departamento de futebol. 

Quem teve proposta e ficou foi Pedro Raul, mas a contragosto. O jogador quis sair em determinado momento da temporada, rumo ao Internacional, mas o Bota não gostou da proposta. Após um bom primeiro semestre, o centroavante caiu de produção e não tem titularidade garantida como antes. 

Honda é figura chave no elenco, mas não tem perfil de liderança para segurar a onda nesse momento — Foto: Vitor Silva/Botafogo

Honda é figura chave no elenco, mas não tem perfil de liderança para segurar a onda nesse momento — Foto: Vitor Silva/Botafogo

Com 25 contratações em 2020, sem muitos acertos, o Botafogo tem como obstáculo o elenco jovem e inexperiente. Internamente, a falta de uma liderança também pesa. Depois da saída de nomes como João Paulo, Gabriel e, principalmente, Joel Carli, o grupo perdeu figuras com mais “casca” para encarar imprensa, opinião pública e até dirigentes. 

No futebol e nas finanças, os desafios são enormes, e o Botafogo acaba de escolher o presidente que terá a missão de recuperar o clube no quadriênio 2021-2024. Caberá a Durcesio Mello colocar a casa em ordem.

Fonte: ge

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