Metas, planos e profissionalismo: o que esperar de um futuro CEO no Botafogo

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Na última terça-feira, Durcesio Mello foi o preferido dos sócios do Botafogo para assumir o clube pelos próximos quatro anos. Tendo como principal ponto da campanha a profissionalização do modelo de gestão do clube, a ideia é contar com um diretor-executivo (CEO, na sigla em inglês) remunerado e que administre da maneira mais responsável possível. Como essa será a primeira vez que o Botafogo terá um gestor com esse perfil, o ge tenta tirar algumas dúvidas:

  • O que faz um CEO num clube de futebol?
  • Quais exemplos existem?
  • Como traçar metas para um?
  • Do que ele poderá ser cobrado?
  • Quando vai começar a trabalhar?
  • Por que profissionalizar?

Hoje em dia o Botafogo tem em sua diretoria, segundo consta no site oficial, dez vice-presidentes, além do próprio presidente Nelson Mufarrej, e nenhum deles recebe pelo trabalho à frente do clube. A ideia de Durcesio é fazer com que esse número diminua consideravelmente e que o cargo de VP Executivo, hoje ocupado por Alessandro Leite, candidato derrotado na eleição, passe a ser administrado por um diretor-executivo remunerado e que se dedique exclusivamente ao Botafogo.

Durcesio Mello promete gestão profissional no Botafogo — Foto: Vitor Silva/Botafogo

Em entrevista após a vitória nas urnas em General Severiano, Durcesio deixou claro sua prioridade: “Botafogo moderno é um Botafogo profissional”. O primeiro passo para isso já foi dado. O presidente eleito está em busca de uma empresa que analisa nomes capacitados no mercado para definir o perfil do futuro gestor. Mesmo que se trate de um clube de futebol, o CEO não precisa entender do assunto para se sair bem. Um exemplo bem sucedido está no maior rival do Botafogo, quando Fred Luz assumiu o cargo no Flamengo. Ao entrar, em 2013, dizia que não entendia nada de futebol.

Esse pensamento também está na cabeça de Durcesio. O que importa, para ele, é que o futuro diretor-executivo escolha alguém que entenda do assunto. Num clube de futebol, o cargo de CEO está, teoricamente, abaixo apenas do próprio presidente, e é ele quem define os nomes a serem contratados. 

Em empresas normais são estabelecidas metas, e a tendência é de que isto aconteça no Botafogo também, principalmente na busca pela diminuição de despesas e aumento de receitas, como exemplificou Rodrigo Capelo, que tem um blog no ge para falar sobre questões empresariais e financeiras no mundo do futebol.

– O CEO de um clube de futebol precisa ter noções de todos os departamentos. Porque é ele que vai cobrar essas pessoas. Ele vai ser remunerado porque é um profissional e tem que dar expediente. Ele tem planos, metas e coisas para cumprir, que são estabelecidas e monitoradas pela parte política. Esse é o modelo ideal, que não é muito diferente de uma empresa. A única diferença nas empresas é que em vez de Conselho Deliberativo, tem o Conselho de Administração, para que eles contratem um CEO, esse CEO faça a administração no dia a dia, responda à administração e preste contas.

O lado bom de ter um CEO no clube é que as decisões passionais tomadas no calor do momento por pressão externa ou forte emoção – características das gestões amadoras que trocam de técnicos com facilidade e contratam jogadores aos montes – são menos frequentes. As decisões de planejamento passam diretamente por ele. 

Porém, o gasto de salários com funcionários aumenta. Mas esse é um ponto que o novo presidente do Botafogo encara como necessário por deixar a paixão e a questão política interna de lado.

Mas se os clubes brasileiros vivessem apenas de bons exemplos, boa parte deles já teria aderido a um modelo mais profissional. Bahia, Flamengo e Grêmio são tipos de administração que têm dado resultado. Só que há histórias de outros clubes que buscam essa forma de gestão, mas não conseguem, muitas vezes por falta de interesse por parte do próprio presidente, como relembra Capelo.

– O Inter tentou ter um no início da década e a coisa deu errado em poucos meses. São Paulo tentou e deu errado em poucas semanas. Já tivemos várias tentativas de ter CEO que deram errado porque o presidente político normalmente não quer virar uma “rainha da Inglaterra”. Ele quer tomar decisão de qual treinador contratar e participar da gestão. Como os nossos dirigentes são amadores e não abrem mão do poder no dia a dia, quando ele contrata o CEO, acaba sendo só mais um supervisor a acompanhar.

Durcesio Mello assume a presidência do Botafogo a partir de janeiro de 2021, quando ficará à frente do clube pelos próximos quatro anos. A promessa é de que sua equipe terá um CEO desde o primeiro dia de gestão.

Fonte: ge

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