Moacyr Franco relembra histórias com Garrincha e bastidores da homenagem musical ao ídolo

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A reverência a Garrincha proporcionou a Moacyr Franco um dos momentos mais emocionantes da ligação entre sua trajetória musical e o futebol. Convidado do “De Casa Com o LANCE!” na última quinta-feira, o artista contou que “Balada Número 7 (Mané Garrincha)” inicialmente seria inspirada em outro jogador. Porém, coube ao cantor direcionar a homenagem ao Craque das Pernas Tortas.

– Um amigo chamado Alberto Luiz chegou com essa música, dizendo que seria em homenagem ao Ipojucan, o meia que tinha sido do Vasco, da Portuguesa. Era um jogador clássico, quase o Ademir da Guia. Eu achei bonita e tal. Aí ele me disse: “quero que este seja o hino do jogador de futebol”. Cheguei para ele e falei: “Alberto, você me desculpe, mas o cara que está mal é o Garrincha e é mais universal do que o Ipojucan. Vamos mudar essa letra?”. Peço até perdão à memória do Ipojucan, mas foi assim a história – disse.

Em seguida, o cantor detalhou como a canção ganhou espaço em seu disco.

– Ela entrou de última hora, era uma das últimas do disco. Eu fui mostrar a primeira, que era uma música italiana, nas rádios. A gente antigamente saía de rádio em rádio divulgando. Em São Paulo eu lancei o LP e não aconteceu nada. Aí fui para o Rio, toquei essa música italiana, era do Domenico Modugno (Eu Amo, versão de Io Ti Amo, Amo Te) – e contou um passo crucial para a canção:

– Fui para a Rádio Guanabara, o rapaz pôs o LP para tocar e falou: “e essa música aqui, Mané Garrincha, o que é isso?”. Ele tocou, ficou louco e começou a chorar: “ah, porque eu sou Botafogo, que música!”. Aí saiu divulgando na mesma hora para a Rádio Globo e outras rádios. Antigamente as relações entre as rádios eram mais amigáveis. Ele dizia: “põe para tocar também!”. E aí a música pegou fogo, fez sucesso mesmo – completou.

– Eu já tinha amizade com o Garrincha, tínhamos feito um “Moacyr Franco Especial” lá na Globo. Tem mais um traço interessante num desses encontros. O Mário Lúcio Vaz foi diretor no Maracanã, fomos fazer um takeúnico no Maracanã, com playback da música no alto-falante. Uma coisa muito rudimentar. Vínhamos Garrincha e eu e aí o Mané chegava em frente à câmera. Mas tudo que fazíamos ficava ruim. Então fizemos uma com a câmera lá em cima, outra com a câmera lá embaixo, deu um trabalhão danado, Garrincha muito paciente… Ficou tão ruim que o Mário Lúcio resolveu emendar e acabou se tornando o primeiro clipe, não tinha uma história de clipe no Brasil – disse.

O cantor também destacou uma surpresa recebida de Maguito Vilela, que morreu em 13 de janeiro deste ano devido a complicações de Covid-19.

– Estava em Goiânia, ele me levou ao Serra Dourada em um jogo lotado para ficar ao lado dele e me falou: “tenho uma surpresa para você”. Aí começou a tocar a “Balada Número 7”. A música estava no auge. De repente, meteram um holofote e entraram Garrincha e Elza Soares. Mas eu chorei. Foi bonito demais. Os dois lá e a música tocando, eles falando de mim. Tenho histórias muito bonitas nessa minha ligação com o futebol – constatou.

Fonte: Lance

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