‘Nós éramos uns desconhecidos para eles’: Botafogo colocou a camisa do La Coruña e ganhou da Juventus campeã da Champions

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Nesta terça-feira, a Juventus recebe o Cagliari, às 16h45 (de Brasília), pelo Campeonato Italiano, em partida que terá transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.

Há 25 anos, a “Velha Senhora” mediu forças contra o Botafogo em uma partida que entrou para a história por vários motivos.

Na ocasião, a Juve, então campeã da Champions League e dona de um plantel “galáctico”, participou do Troféu Teresa Herrera, tradicional torneio de pré-temporada realizado na Espanha. A competição contou ainda com Ajax e Deportivo La Coruña, além do Fogão.

Nas semifinais, o time de Turim destruiu o Ajax por 6 a 0, com um show dos atacantes Del Piero e Amoruso, enquanto o Botafogo ganhou por 2 a 1 do La Coruña, que à época tinha um plantel recheado de craque e era conhecido como “Super-Depor”.

Para a grande final entre Juve e Bota, porém, um problema inusitado aconteceu: os dois times tinham uniformes muito parecidos. Com isso, a arbitragem não permitiu que a partida fosse iniciada até que uma solução foi encontrada.

Como os italianos se recusaram a jogar com outro uniforme, coube à equipe de General Severiano dar um jeitinho…

Foi então que, num histórico 10 de agosto de 1996, o Botafogo entrou em campo com a camisa do Deportivo La Coruña e fez um dos maiores jogos de toda a sua gloriosa história.

Presente naquele dia, o ex-lateral e zagueiro Grotto, campeão brasileiro em 1995 pelo Fogão, relembrou a divertida história em entrevista ao ESPN.com.br.

“Foi um momento bem engraçado e que virou folclore. No nosso 1º jogo, vencemos o La Coruña do Mauro Silva, enquanto a Juventus derrotou o Ajax, que tinha o Márcio Santos. Então, ficamos para a final contra a Juventus, mas as camisas das duas equipes eram idênticas! O juiz não autorizou a partida nem se a gente usasse a camisa 2, pois também era parecida”, recordou.

Naquela tarde épica no estádio Riazor, Christian Vieri abriu o placar para a Juventus, mas Túlio “Maravilha” empatou. Amoruso recolocou os italianos na frente, e França determinou nova igualdade.

Na prorrogação, Amoruso fez 3 a 2 para a Juventus, mas Túlio fez o 3 a 3. Amoruso ainda fez o 4º dos italianos, mas o “Maravilha”, que estava em sua fase áurea, completou o hat-trick e decretou o 4 a 4.

“Eles tinham um timaço, e nós éramos campeões brasileiros, fomos para lá dar uma boa exibição e fazer nosso jogo. A partida foi muito aberta. Como a gente estava no meio da temporada, estávamos com um bom ritmo de jogo, enquanto eles ainda estavam em pré-temporada. Mas a parte técnica deles era excelente e compensava qualquer diferença”, argumentou Grotto.

“Foi uma partida memorável, com muitos lances bonitos e oito gols. Tivemos a felicidade de fazer quatro gols na Juventus, e isso fica na memória de qualquem um. Podem passar 50 anos que eu nunca vou esquecer”, emocionou-se.

Naquela tarde épica no estádio Riazor, Christian Vieri abriu o placar para a Juventus, mas Túlio “Maravilha” empatou. Amoruso recolocou os italianos na frente, e França determinou nova igualdade.

Na prorrogação, Amoruso fez 3 a 2 para a Juventus, mas Túlio fez o 3 a 3. Amoruso ainda fez o 4º dos italianos, mas o “Maravilha”, que estava em sua fase áurea, completou o hat-trick e decretou o 4 a 4.

“Eles tinham um timaço, e nós éramos campeões brasileiros, fomos para lá dar uma boa exibição e fazer nosso jogo. A partida foi muito aberta. Como a gente estava no meio da temporada, estávamos com um bom ritmo de jogo, enquanto eles ainda estavam em pré-temporada. Mas a parte técnica deles era excelente e compensava qualquer diferença”, argumentou Grotto.

“Foi uma partida memorável, com muitos lances bonitos e oito gols. Tivemos a felicidade de fazer quatro gols na Juventus, e isso fica na memória de qualquem um. Podem passar 50 anos que eu nunca vou esquecer”, emocionou-se.

‘Nós éramos desconhecidos para eles’

A viagem para o Teresa Herrera foi proveitosa também individualmente para Grotto, que teve a oportunidade de marcar ninguém menos que Del Piero, então jovem craque da Juventus e da seleção italiana.

“Eu estava em um bom momento, mas não tinha o mesmo nome que os titulares. Só que o Gonçalves, que estava negociando a renovação de contrato, acabou não jogando. Por isso, acabei sendo escalado na excursão na Europa e joguei bem”, recordou.

“Além disso, o (ex-presidente do Botafogo Carlos Augusto) Montenegro de um ‘bicho’ muito bom para a gente por ter vencido o troféu (risos)”, brincou o ex-defensor, que não lembra o exato valor recebido – a imprensa da época falou em US$ 80 mil por atleta.

Feliz até hoje com a chance que teve de jogar contra a gigante de Turim, Grotto elogiou muito os atletas do clube italiano e disse que, apesar do plantel bianconero claramente não conhecer os jogadores do Bota, em nenhum momento houve desrespeito ou soberba.

“Nós éramos, na grande maioria, totalmente desconhecidos para eles. Só que em nenhum momento os jogadores da Juventus demonstraram qualquer arrogância. Pelo contrário: foram muito respeitosos, nos cumprimentaram normalmente antes do jogo e parabenizaram depois”, salientou.

Um dos nomes que mais chamou a atenção de Grotto durante o Teresa Herrera foi o do meia Zinedine Zidane, que estava prestes a explodir para o futebol mundial.

O craque francês jogou apenas na semifinal contra o Ajax, mas foi poupado contra o Botafogo. Ainda assim, impressionou os atletas do Fogão que o viram atuar na semi.

“O Zidane era um cara muito educado, falou bastante com a gente antes do jogo. Dava para ver que ele já era um meia acima da média, assim como o Del Piero também era. O jeito dele jogar era para ficar parado, olhando e admirando”, contou.

“Já dava para imaginar que ele faria muito sucesso, mas ter certeza não dava (risos). Afinal, futebol é muito imprevisível. Mas ele fez uma carreira brilhante, ganhou tudo na Juventus e no Real Madrid com todos os méritos”, encerrou.

Fonte: ESPN

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