O BOTAFOGO EM GENERAL SEVERIANO (CAPÍTULO 2)

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BOTAFOGO MEMORIA

Prosseguindo na descrição da épica jornada que marcou a chegada e o estabelecimento do Botafogo em General Severiano, o Boletim do Botafogo Football Club de abril de 1948, trouxe-nos o relato de um dos adolescentes que fundou o clube em 1904, o Benemérito Fundador, Emanuel Sodré: “Daquela dura fase há uma página que ainda não foi completamente escrita: a obtenção do atual campo. Os Coutos, os dois Alexandre e o Rebelo empenharam-se fortemente na obtenção de novo gramado. Um dos terrenos visados era à saída do Tunel Velho, já em Copacabana, mas, depois, tôda a atenção  se concentrou na área onde, em tempos idos, deveria ter sido edificada a Universidade do Brasil. Pertencia, agora, à Saúde Pública, de modo que aquele abnegado grupo de sócios, sabendo da estreita amizade de meu pai com o Diretor da Saúde, Dr.Carlos Seidl, foi procurar-nos à rua Conde de Irajá. No dia seguinte, dirigi-me à rua Clapp, sede daquela Diretoria, e o Dr.Seidl encaminhou-me ao Dr.Graça Couto, Superintendente dos Serviços em Botafogo. Foi o passo decisivo para a obtenção do campo e de certa quantidade de tijolos ali depositados e que ajudaram a levantar a antiga arquibancada.”

Emanuel Sodré

Na imprensa, a Gazeta de Notícias, de 19 de junho de 1912, noticiou ter sido assinado ante-ontem (portanto, a 17), na Diretoria Geral da Saúde Pública, o contrato de arrendamento ao BOTAFOGO, de um terreno com 98 metros de frente pela rua General Severiano e 130 de fundos, pela rua Barão do Rio Branco.

Dias após, no domingo, de 23 de junho, o Botafogo tomava posse solene de General Severiano, com a inauguração de um mastro, conforme registrou o Jornal do Brasil, relatando que Normann Hime içou o Pavilhão Nacional e que estiveram presentes – Joaquim de Lamare, Hermann Palmeira, Emanuel Sodré, Paulo Martins, Luiz Martins da Rocha, Basilio Viana, Rolando de Lamare, Roberto Braconnot, Carlos de Pino, Antonio Bandeira, Carlos Vilaça, Mário Torteroli, Carlos Hasche, Luiz Rebelo, C.da Mota Junior, Candido Viana, Antonio Dutra, Carlos Martins da Rocha, Oswaldo de Lamare, A.Mendes, Flávio Vieira, Ayres Montenegro, Nilo Rasteiro, Luiz de Paula e Silva, Arthur Cabral, Lauro Sodré Filho, Emanuel Oliveira, Augusto Tavares, Alfredo Couto, Miguel de Pino, José Matos, Teodoro Sodré e Edgard Dutra.

Normann Hime

E a Gazeta de Notícias conta que o Hino Nacional foi executado pela banda da Fábrica de Tecidos Botafogo, da qual era diretor o nosso Presidente Joaquim de Lamare.

Em 4 de agosto, o Jornal do Brasil publicou notícia que dava conta de que o Botafogo admitia a hipótese de voltar à Liga Metropolitana, desde que da mesma fosse excluído o América F.C; que o nosso Clube oficiara ao representante do Clube em Portugal, Sr.Alfredo Duarte Rodrigues, para trazer ao Rio um team português e que pensava inaugurar General Severiano, em 7 de setembro de 1912.

Foi uma doce ilusão. Não havia dinheiro e as obras eram dificílimas, como relatou Alfredo Couto, sendo necessário até dinamite para a demolição das ruínas. Os próprios sócios trabalhavam no plantio da grama, transportada em tabletes.

Nessa época, na Liga Metropolitana, o representante do Flamengo, Alberto Borgeth, propôs a criação de uma Comissão para entender-se com os clubes da Associação de Futebol do Rio de Janeiro (A.F.R.J.), liderada pelo Botafogo, e filiá-los à Liga, iniciando sua grande luta pela volta do Glorioso, ao que o “ingênuo” representante do Fluminense, revelando sua completa ignorância da altiva mentalidade botafoguense, condicionava a que antes o Botafogo apresentasse desculpas à Liga.

Entretanto, apesar das boas perspectivas, o Botafogo continuava sobrevivendo pela ação de um pequeno grupo de abnegados, o que se verifica do desinteresse demonstrado em relação à eleição da nova Diretoria, logo após a conquista do Campeonato de Futebol de 1912, promovido pela A.F.R.J., em outubro daquele ano.

O Botafogo, Campeão da Cidade em 1912, pela A.F.R.J., disputou 10 jogos, 9 vitórias e 1 derrota, obtendo 18 pontos e 41 gols assinalados. Os resultados foram: Americano (1×3 – 2×0); Catete (6×2 – W.O); Germânia (1×0 – 10×0); Internacional (9×0 – W.O); Paulistano (4×0 – 8×1).

Time que enfrentou o Americano e foi Campeão em 1912

Jogaram: Alvaro Werneck, Hugh Edgar Pullen, Edgar Soares Dutra, Rolando de Lamare, Luiz Martins da Rocha (Lulú), José Gonçalves do Couto (Juca), César Gonçalves, Mário Pinto Guimarães, Carlos de Pino, Oswaldo de Lamare, Carlos Villaça, Benjamin (Mimi) Sodré e Lauro Sodré. Total: 13 jogadores.

Artilheiros: Mimi Sodré, 10 gols; Villaça, 8; Pino, 4;  Lulú Rocha, 3; Oswaldo, 3, Rolando de Lamare, 2; Juca Couto, 1 e M.Pinto, 1. Total: 32 gols. Nota – Faltam os autores de 9 gols, contra o Germânia (1×0) e Paulistano (8×1).

Esse Campeonato foi alcançado pelo nosso primeiro time fora do campo de Voluntários da Pátria, que havíamos perdido em 1911.

Troféu de Campeão de Futebol de 1912, em nosso Museu, o Centro de Memória.

Bibliografia consultada:

– Mendes de Oliveira Castro, Alceu – “O Futebol no Botafogo – 1904 a 1950” – Gráfica   Milione Ltda – 1951.

– Miranda, Luiz Felipe Carneiro de, e Pepe, Braz – “Botafogo, o Glorioso: Uma História em Preto e Branco – Edição dos Autores – 1996. 

                                   Por:  Luiz Felipe Carneiro de Miranda

              Grande Benemérito e Historiador do Botafogo de Futebol e Regatas

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