O BOTAFOGO EM GENERAL SEVERIANO (CAPÍTULO 3)

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Luis Felipe

O único documento relativo a esse terrível período da história do Botafogo F.C. existente nos arquivos do Clube, o Livro de Presença à Assembleia Geral de 3 de novembro de 1912, registra a presença de apenas 6 sócios – Antonio Mota Junior, Paulo Martins, Antonio Dutra, E. Alexander, Alfredo Couto e F.Alexander, de onde pode-se extrair que: “Com o número de seis sócios presentes, combinou-se a chapa da nova diretoria deixando-se de lavrar a ata, por não ter havido eleição. Paulo Martins, secretário”.

Realmente, não houve eleição, mas entraram para a Diretoria que continuou presidida por Joaquim de Lamare e como Vice-Presidentes, Hermann Palmeira e Emanuel Sodré, os sócios que haviam obtido o campo de General Severiano, isto é, Paulo Martins (na Secretaria), Luiz Rebelo, Eduardo Alexander, Alfredo e José Couto, continuando Hugh Edgar Pullen como Capitão Geral.

Hugh Edgar Pullen

Coube a essa Diretoria a glória de inaugurar General Severiano em 1913, após a fusão da Associação de Football do Rio de Janeiro (A.F.R.J.), a que pertencia o Botafogo, com a Liga Metropolitana, à qual, assim, o Glorioso voltou de cabeça erguida, com Abelardo de Lamare em nossa equipe. Sem pedir desculpas a ninguém e ostentando, o mesmo grande time de 1910, apesar de ter vivido no ostracismo por dois anos.

Resolvida a questão da volta à Liga Metropolitana, nossa Diretoria em 23 de janeiro de 1913, reuniu-se para discutir de forma efetiva a tarefa do preparo do campo de General Severiano para a temporada e, em 6 de março, nova reunião, onde debateram o assunto dificílimo relativo à construção das arquibancadas, em razão das péssimas condições financeiras do Clube, que vinha de um completo isolamento.

Planta da arquibancada de General Severiano

Foi resolvido pela Diretoria, tendo em vista o estado de necessidade e de emergência, reunir-se diariamente, a qualquer hora e em qualquer local, sem precisar lavrar atas, que só voltaram a ser lavradas em agosto, visando obter os meios e os empréstimos indispensáveis, apresentando, após a conclusão de tudo, um minucioso relatório à Assembleia Geral.

E assim, agindo heroica e abnegadamente, a Diretoria conseguiu construir a arquibancada, sob a qual ficaram as instalações da sede e vestiários. Custou 8.500.000 réis.

General Severiano em 1913

Em nosso primeiro jogo do Campeonato, contra o Flamengo, que tanto lutou para que voltássemos à Liga Metropolitana, o Glorioso venceu por 1×0, com um lindo gol de Mimi Sodré, após uma partida sensacional, tendo a nossa equipe formado com Álvaro Werneck, Edgar Dutra e Pullen; Juca Couto, Rolando de Lamare e Pino; Vilaça, Abelardo de Lamare, Facchine, Mimi Sodré e Lauro Sodré.

Jogo de inauguração de General Severiano contra o Flamengo
Mimi Sodré, autor do primeiro gol em General Severiano

A Diretoria homenageou seus convidados com uma taça de champagne e uma saudação do cronista do Jornal do Brasil ao Botafogo, pela inauguração do campo e pela sua volta ao Campeonato.

Time de 1913

Bibliografia consultada:

– Mendes de Oliveira Castro, Alceu – “O Futebol no Botafogo – 1904 a 1950” – Gráfica   Milione Ltda – 1951.

– Miranda, Luiz Felipe Carneiro de, e Pepe, Braz – “Botafogo, o Glorioso: Uma História em Preto e Branco – Edição dos Autores – 1996. 

                                     Luiz Felipe Carneiro de Miranda

              Grande Benemérito e Historiador do Botafogo de Futebol e Regatas

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