O BOTAFOGO EM GENERAL SEVERIANO (CAPÍTULO 5)

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BOTAFOGO MEMORIA

Como vimos no Capítulo 4, por volta de 1920 terminara o primitivo arrendamento de General Severiano ao Botafogo Football Club, a título precário.

O Botafogo precisava expandir-se, com a construção da Sede e do Estádio.

Paulo Azeredo liderou a batalha. Ele, o antigo garoto de oito anos que, em 1904, apeava-se do seu cavalinho e encostava-se às palmeiras imperiais do Largo dos Leões para assistir os primeiros chutes de Flávio Ramos, Emanuel Sodré, Álvaro e Octavio e Werneck, nossos fundadores; o antigo meia-esquerda do quadro infantil de 1910.

Paulo Azeredo

Paulo Azeredo empolgou-se pela ideia da construção da Sede e do Estádio, não deu mais trégua a seu pai, o Senador Antônio Azeredo, Vice-Presidente do Senado Federal e também botafoguense.

Diversos Projetos de Lei eram apresentados ao Congresso Nacional e não prosseguiam; morriam nas Comissões, eram torpedeados.

Em 11 de janeiro de 1921, na Assembleia que reelejeu o Presidente Renato Pacheco (1919-1921), a Diretoria comunicou que o Congresso autorizara o Governo a ceder ao Clube o terreno de General Severiano por arrendamento ou aforamento.

Infelizmente, a ilusão durou pouco, uma vez que o Presidente da República, Epitácio Pessoa, vetou o Projeto.

A luta teria que continuar, e em 1923, Paulo Azeredo foi eleito, pela primeira vez, Presidente do Botafogo F.C., enfrentando a maior crise política interna pela qual o Clube já havia passado. Sucedeu a Samuel de Oliveira, que foi Presidente no ano anterior.

Paulo Azeredo permaneceu apenas seis meses na Presidência e criou o Conselho Deliberativo para ser o foro adequado às divergências políticas, procurou pacificar os espíritos e, feito isso, renunciou ao cargo.

Mas Paulo Azeredo não desistiu da grande luta pelo ideal máximo do Botafogo F.C. naquela quadra de sua vida.

Em 2 de janeiro de 1925, o Presidente da República, Arthur Bernardes, sancionou o Projeto do Congresso Nacional, autorizando o Governo a ceder pó aforamento, ao Botafogo F.C., o terreno localizado na rua General Severiano nº 97, o que abria ao Clube novos horizontes.

Alguns dias após, Paulo Azeredo foi eleito Vice-Presidente do Cube, na Diretoria agora presidida por Oldemar Murtinho (1925), entregando-se de corpo e alma ao nosso Botafogo, prosseguindo na luta para a melhoria das condições do Decreto de aforamento.

Em 17 de dezembro de 1925, Oldemar Murtinho renunciou à Presidência, sugerindo para seu substituto, Paulo Azeredo, que foi eleito pelo Conselho Deliberativo em 14 de janeiro de 1926 e presidiu o Clube até 5 de janeiro de 1937, quando passou a Presidência a Sergio Darcy (1937-1939).

Paulo Azeredo iniciou sua luta decisiva para o complemento do Decreto de 1915 e, graças aos esforços dos Senadores Antônio Azeredo (seu pai) e Bueno Brandão, conseguiu que fosse editado novo Decreto, que determinava que ao Clube não poderia ser cobrado foro, que é o pagamento pelo domínio útil de um imóvel, mais elevado que o que pagava em 1917, título de arrendamento, Decreto que o Presidente Arthur Bernardes sancionou em 30 de julho de 1926.

Em 16 de agosto de 1926 o Conselho Deliberativo reuniu-se e, por aclamação, concedeu o título de Presidente de Honra do Botafogo Football Club ao Presidente Arthur Bernardes e de Sócio Honorário, ao Senador Bueno Brandão.

Nessa mesma reunião houve a aprovação de um novo Estatuto e a Diretoria deu início à campanha de construção de nossa Sede Social, o Palacete Colonial, projeto de autoria dos arquitetos Archimedes Memória e F.Couchet.

A pedra fundamental da Sede foi lançada em 20 de março de 1927, em brilhante cerimônia, com discursos dos Beneméritos Renato Pacheco, Oldemar Murtinho e Roberto Lyra. A construção do Palacete Colonial foi entregue ao arquiteto Eduardo Pederneiras.

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Deu-se o início das obras em ritmo acelerado e em dezembro de 1928, o Botafogo concretizou um dos seus maiores sonhos, inaugurando o Palacete Colonial que ainda aí está em General Severiano. O Palacete foi erigido graças à perseverança do Presidente Paulo Azeredo e seus companheiros de Diretoria, que foram: 1º Vice Presidente, Flávio da Silva Ramos; 2º Vice Presidente e Diretor Geral de Educação Física, Comandante Eurico Viveiros de Castro; 1º Secretário, Mário Duque Estrada de Barros; 2º Secretário, Henrique Carlos Meyer, tendo também ocupado os cargos de Secretário e Tesoureiro, durante o período das obras, Oldemar Murtinho, Carlito Rocha e Jayme Maia.

Em 8 de dezembro de 1928, à tarde, o Palacete Colonial recebeu a benção católica e no dia seguinte, o Botafogo F.C. recepcionou a imprensa, que foi saudada pelo Benemérito Gabriel Bernardes, tendo agradecido Luiz Viana, do Correio da Manhã.

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Finalmente, na noite de 15 de dezembro, foi oficialmente inaugurada a Sede com um suntuoso baile, ao qual compareceu a alta sociedade do Rio de Janeiro.

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Atingida a grande meta da inauguração da Sede Social, o quadro social aumentou de setecentos para mais de quatro mil sócios.

Agora lançava-se o Botafogo à conquista de outro ideal, o Estádio, que fora projetado em 1926, na mesma época da Sede, uma vez que o nosso campo não poderia permanecer com as arquibancadas de madeira e suas grades de arame em torno do gramado, como desde a inauguração em 1913.

Em 8 de setembro de 1930, a Diretoria, verificando que não poderia resolver, de imediato, a questão da construção do Estádio, que dependia da obtenção do terreno contíguo do Desinfectório da Saúde, decidiu melhorar as dependências existentes, com a edificação de novas arquibancadas de madeira, atrás dos gols e na geral, obras que foram orçadas em trinta e três contos de réis, bem como iluminar o campo para jogos noturnos, com a instalação de refletores.

E, 1º de outubro de 1930 foram inaugurados os refletores, em sensacional partida interestadual, na qual o Glorioso derrotou por 6×3 o Atlético Mineiro, com gols de Carvalho Leite, 3; Ariza, Nilo e Celso, 1 gol cada, atuando com: Germano, Benedito e Octacilio; Burlamaqui, Martin (Ariel) e Mabilia (Canali); Ariza, Paulinho, Carvalho Leite, Nilo e Celso.

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Bibliografia consultada:

– Mendes de Oliveira Castro, Alceu – “O Futebol no Botafogo – 1904 a 1950” – Gráfica  Milione Ltda – 1951.

– Boletim do Botafogo (1962)

– Miranda, Luiz Felipe Carneiro de, e Pepe, Braz – “Botafogo, o Glorioso: Uma História em Preto e Branco – Edição dos Autores – 1996. 

Luiz Felipe Carneiro de Miranda
Grande Benemérito e Historiador do Botafogo de Futebol e Regatas

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