O BOTAFOGO EM GENERAL SEVERIANO (CAPÍTULO 6)

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BOTAFOGO MEMORIA

Como vimos no Capítulo 5, em 1º de outubro de 1930, o Botafogo Footbal Club inaugurou a iluminação de General Severiano, ao vencer, em partida amistosa, o Atlético Mineiro por 6×3.

O Presidente Paulo Azeredo não descansava e prosseguia os seus esforços para aumentar o patrimônio do Botafogo F.C., não dando tréguas ao Governo Getúlio Vargas.

PAULO AZEREDO

Em 3 de novembro de 1936, em reunião, a Diretoria comemorou a assinatura da Lei nº 289, de 29 de outubro, obtida pela obstinação de Paulo Azeredo, concedia por aforamento (transferência do domínio útil e perpétuo de um imóvel, mediante pagamento de um foro anual) o terreno contíguo utilizado pela Saúde Pública.

LEI 289 DE 1936

Dessa forma, o Botafogo poderia, desde logo, aproveitar uma faixa de terreno sem edificações, para a construção do Estádio e o Secretário Geral, Sergio Darcy, expôs a necessidade de, o quanto antes ser enfrentada a questão da construção do Estádio, frisando que propusera inúmeros sócios para o Clube, sob a promessa de que o campo seria remodelado.

Em 5 de janeiro de 1937, o Conselho Deliberativo elegeu Sergio Darcy para suceder Paulo Azeredo, que terminava sua grande administração de 11 anos.

SERGIO DARCY

Sergio Darcy era um jovem de 34 anos e encarou, de imediato, o indispensável problema da construção do Estádio e a Diretoria, na sessão de 12 de janeiro, nomeou uma comissão para exame das propostas e projetos de construção, composta dos seguintes nomes: Eduardo V. Pederneiras  (que foi o arquiteto que comandou as obras da construção do Palacete Colonial em 1927/1928), Arthur Cesar de Andrade e Mário Maia.

Em 15 de fevereiro, a Diretoria criou um Conselho Consultivo destinado a colaborar com ela nos grandes empreendimentos que se iniciavam, nomeando para integrá-lo os seguintes botafoguenses: Paulo Azeredo, Luiz Aranha, Rivadávia Corrêa Meyer, Joaquim Antonio de Souza Ribeiro, Roberto Lyra, Mário Duque Estrada de Barros, Hugh Edgar Pullen, Rolando de Lamare, Norman Hime, Edmundo Perry, Emanuel Sodré, Eurico Viveiros de Castro, Mário de Paula e Silva, Edgar Soares Dutra e José Dolabela.

LUIZ ARANHA
RIVADÁVIA CORREA MEYER
JOAQUIM ANTONIO DE SOUZA RIBEIRO
ROBERTO LYRA

Em 30 de março realizou-se uma Sessão do Conselho Deliberativo, autorizando o Presidente Sergio Darcy a aumentar de 660 contos de réis, o empréstimo que o Clube tinha na Caixa Econômica, e concedendo, por proposta de Paulo Azeredo, amplos poderes à Diretoria para o que fosse necessário.

O Presidente Sergio Darcy mandou demolir, sumariamente, as velhas arquibancadas, apesar de o Clube ainda enfrentar o dissídio do futebol carioca, com rendas reduzidas, e com o quadro social diminuído para aproximadamente 300 sócios quites.

Não era mais possível o recuo e, em 15 de abril, Sergio Darcy inaugurava a “Campanha do Cimento”, com a instituição de um livro de ouro, no qual todos os grandes botafoguenses deixaram sua contribuição.

Em 1º de junho, com o parecer da Comissão de Exame de Projetos, a Diretoria, em sessão conjunta com o Conselho Consultivo, decidiu pela escolha do magnífico projeto do arquiteto Raphael Galvão, veterano botafoguense, incrementando-se a Campanha do Cimento, que recebeu a adesão cada vez maior também de torcedores.

Em 10 de agosto de 1937, a Diretoria nomeava uma Comissão de Obras, presidida por Sergio Darcy e constituída por Paulo Azeredo, Alvaro Catão, Luiz Aranha, Mário de Paula e Silva, Carlos Martins da Rocha (o Carlito Rocha) e Henrique Carlos Meyer e, a 30 de setembro de 1937, aceitava a proposta da Cavalcanti Junqueira e Cia para execução integral do projeto Raphael Galvão, fornecendo o Clube os materiais e pagando à firma, à título de administração, o máximo de 10% sobre o custo da construção.

PAULO AZEREDO
ALVARO CATÃO
LUIZ ARANHA
CARLITO ROCHA
HENRIQUE CARLOS MEYER

As obras entraram em ritmo acelerado, tendo a Diretoria, a 11 de janeiro de 1938, tomado conhecimento da primeira prestação de contas da Campanha do Cimento, de excelentes resultados.

Na tarde memorável de 28 de agosto de 1938, o Botafogo inaugurava o “Estádio mais bonito do Brasil”, eis que, ladeado pelo Pão de Acúcar e o Corcovado.

TRIBUNA DE HONRA NO DIA DA INAUGURAÇÃO

Embora inacabado, oferecia belíssima impressão. Construção moderníssima para a época, o campo foi edificado em plano superior aos primeiros degraus das arquibancadas e cercado por um alambrado.

VISTA AÉREA DO ESTÁDIO

No centro do gramado foi colocado um grande mapa do Brasil, com pequenos furos para receber terras de todos os Estados brasileiros, que foram representados por alguns de seus mais eminentes filhos.

MAPA DO BRASIL NO CENTRO DO GRAMADO

Seguiu-se um amistoso com o Fluminense, que o Botafogo venceu por 3×2, com dois gols de Patesko e um gol de Perácio. Atuamos com: Aimoré Moreira, Bibi e Nariz; Zezé Moreira, Martin (Del Popolo) e Canali; Théo, Paschoal (Nelson), Carvalho Leite, Perácio e Patesko.

OS DOIS TIMES FORMADOS EM CAMPO
PATESKO
PERÁCIO

Patesko fez o primeiro gol do nosso Estádio, assim como Mimi Sodré assinalara o primeiro gol em 1913, no 1×0 contra o Flamengo, quando do primeiro jogo em General Severiano

Bibliografia consultada:

– Mendes de Oliveira Castro, Alceu – “O Futebol no Botafogo – 1904 a 1950” – Gráfica  Milione Ltda – 1951.

– Boletim do Botafogo (1962)

– Miranda, Luiz Felipe Carneiro de, e Pepe, Braz – “Botafogo, o Glorioso: Uma História em Preto e Branco – Edição dos Autores – 1996. 

Luiz Felipe Carneiro de Miranda
Grande Benemérito e Historiador do Botafogo de Futebol e Regatas

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