‘O mercado não está de joelhos para investir no Botafogo’, diz VP

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O Conselho Deliberativo do Botafogo define nesta quinta-feira se autoriza mais um passo rumo ao sonho de transformação do departamento de futebol alvinegro em empresa. Na pauta, a autorização para transferência de ativos relacionados a toda operação do futebol para uma companhia a ser constituída. O objetivo é receber investimentos.

O projeto S.A. do alvinegro já alternou entre euforia e desânimo. Enquanto a diretoria se mexe na busca pela viabilidade jurídica, existe a noção de que quanto mais tempo demorar, mais difícil pode ficar. A análise leva em conta o projeto de lei que tramita no Senado, cujo objetivo é criar a Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Nesse modelo, que se contrapõe à associação sem fins lucrativos, a ideia é incentivar os clubes a se tornarem empresas.

“É o início do processo. E não o fim. A gente tem tratado isso com muita cautela. Estamos tentando fazer o melhor para o Botafogo. A gente está diante de um mercado que não está de joelhos para investir no Botafogo. Há opções de montão. E temos que entender essa realidade. Ainda mais se o projeto do clube-empresa for aprovado no Senado. A concorrência aumenta. De qualquer forma, é um processo que está se iniciando, pode levar alguns meses. Mas temos que iniciar”, avalia o vice-presidente geral e de finanças do Botafogo, Vinicius Assumpção.

Na conversa com o UOL Esporte, o dirigente alvinegro considera como fundamental a aprovação da pauta desta quinta no Conselho Deliberativo. No dia 14, o presidente Durcesio Mello enviou uma carta ao órgão no qual citou quais propriedades ficariam disponíveis à empresa por um prazo de 50 anos, renováveis por mais 50. A lista tem bens, imóveis, direitos econômicos de jogadores, além do uso do estádio Nilton Santos.

O documento assinado por Durcesio ainda estabelece requisitos mínimos autorizados para que o conselho diretor promova a acessão dos ativos do futebol a uma entidade investidora. Quando/se o aporte financeiro chegar — uma captação de recursos entre R$ 400 milhões e R$ 550 milhões —, o Botafogo, como clube social, não terá participação na administração.

No arcabouço de requisitos criado pelo Bota, há itens básicos, como a manutenção do escudo, e mecanismos que assegurem o pagamento de parcelamentos nos quais o clube está inserido, como Profut e Ato Trabalhista. Mas o clube acrescentou metas esportivas, como ganhar títulos relevantes e obter resultados expressivos em pelo menos dez anos da gestão do investidor. O Botafogo cita Brasileirão, Copa do Brasil, Sul-Americana e Libertadores. Pela proposta atual, se essa e outras metas não forem batidas, o clube social pode recomprar as ações do investidor pelo valor de R$ 1.

“A nossa avaliação é que a S/A é necessária para que o clube possa ter volume e velocidade para voltar ao topo do futebol brasileiro. Mas não é só voltar à Série A. É para trazer conquistas. São cláusulas para proteger o Botafogo de algum aventureiro. A gente precisa proteger o clube. São propostas que vão entrar na mesa de negociação. Se o fundo de investimento disser que em vez de colocar prazos para conquistas, ele vai vai investir x milhões a cada x anos, isso pode ser modificado e o Conselho volta a debater o assunto”, explica Vinicius Assumpção, ressaltando a abertura para que não só um grupo restrito faça ponte com potenciais investidores:

“O documento tem premissas, condicionantes a uma negociação. Ele não tem exclusividade. Então, a partir de agora, qualquer botafoguense, se tiver algum tipo de proposta, pode trazer a nós. Se a proposta concreta não estiver dentro do escopo, ela tem que voltar para o Conselho”.

O Botafogo trata o projeto S/A como muito relevante para o futuro do clube, mas tem problemas presentes graves para lidar. No complicado 2020, que culminou com o rebaixamento, o clube teve R$ 161 milhões de receitas, enquanto o endividamento líquido atingiu R$ 946 milhões, segundo a EY. Em ano de Série B, a projeção é uma defasagem de R$ 100 milhões em relação ao que ganharia na Série A. No fluxo de caixa, 2021 começou com uma defasagem de R$ 10 milhões entre o que o clube tinha de dinheiro na mão e o volume de contas a pagar.

“Estamos correndo desesperadamente atrás de dinheiro novo. A gente achava que iria entrar em colapso em abril. Fizemos tudo que é processo para melhorar um pouquinho o fluxo de caixa. Um freio para arrumação. Reduzimos despesas. Conseguimos ter um fôlego até julho, agosto, setembro. Mas é inevitável. Se não vier dinheiro novo, vamos entrar em colapso. Como vamos ter um problema financeiro desse no meio de uma Série B? É um desafio enorme. Mas a gente sabia que não seria fácil”, completou o vice-presidente do Botafogo.

Fonte: UOL

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