Olimpíada 2021: Conheça Lucas Verthein, do remo do Botafogo, que estreou com classificação para as quartas de final

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Foram 247 remadas para cumprir dois mil metros e marcar a estreia de uma prova individual do Brasil nos Jogos Olímpicos, em Tóquio. Lucas Verthein, de 23 anos, atleta do Botafogo, terminou em terceiro lugar em sua bateria e se classificou para as quartas de final do single skiff, no Sea Forest Waterway, em Odaiba, na Baía de Tóquio. Ele volta à água domingo, com outros 23 atletas. O vencedor da bateria foi o norueguês Kjetil Borch, com 6min54s, à frente do húngaro Bendeguz Molinar Petervari, com 7min04s. O brasileiro fez 7min05s.

— É normal ficar mais ansioso na prova de estreia. Essa é uma raia difícil e é preciso ter conhecimento técnico grande, por causa da variação do vento. Mas estou acostumado e gosto de correr em raia adversa. Acho que fiz uma boa prova, mas posso melhorar — disse o estreante, que tem como meta chegar pelo menos à semifinal. — O primeiro passo foi dado.

Lucas não estava classificado para os Jogos em 2020. A pandemia do novo coronavírus o ajudou. Seu companheiro de clube, Uncas Batista, tinha a vaga para disputar o Pré-olímpico da modalidade, mas, com o adiamento, a Confederação Brasileira de Remo fez nova seletiva interna para definir quem iria buscar a classificação. O torneio, disputado na Lagoa Rodrigo de Freitas, em série melhor de três, foi acirrado. E os dois chegaram à última corrida empatados em 1 a 1. No fim, ele ficou com a vaga.

— É uma responsabilidade ser o único representante do remo nos Jogos, mas ao mesmo tempo traz uma felicidade enorme estar aqui. Vou levar o Brasil ao lugar mais alto possível. Quero deixar a minha marca na modalidade — afirma o remador, que para desligar do clima de contaminação que domina os Jogos em Tóquio lê livros e faz meditação. — Desde o início sabia que esta Olimpíada não seria igual às outras, mas tenho muito forte na minha cabeça quais são os meus objetivos. E eles não são abalados pela pandemia. Ao contrário. Me trouxeram para cá.

Lucas sabe que terá dificuldade para avançar à final de sua prova. Seu melhor tempo é 6min49. O recorde olímpico é 6min41, e o mundial, 6min30. Ele não tem pressa. Até isso o esporte lhe ensinou.

Ele explica que o remo lhe trouxe objetivos e coragem. Para chegar aos Jogos, precisou conciliar a rotina de treinos com outras três atividades: a faculdade de Administração, o trabalho em uma loja de assistência técnica e as entregas das comidas preparadas pela mãe Luciana:

— Foi uma luta chegar até aqui, mas essa luta só me fortalece.

Ele lembra que, em 2014, sua mãe perdeu o emprego em uma concessionária de carros e, para ajudá-la nas despesas de casa, passou e vender o brownie que ela fazia no clube e na rua. Também começou a dar aulas de stand up paddle em Copacabana durante as férias:

— Não tinha vergonha de vender o doce no clube porque lá é a minha casa, mas também vendia na rua, depois do treino. Era a única maneira de ajudá-la. Poderíamos ter problemas maiores e quis fazer a minha parte. Por isso, não tinha vergonha.

Luciana estudou culinária, passou a fazer comida gourmet e Lucas migrou para as entregas de bicicleta.

— Ela tem talento. Cozinha muito bem. Eu gosto do risoto de camarão e a quiche de queijo brie e damasco. Aqui não tem isso, não. Mas a comida aqui está boa.

O atleta, medalhista de bronze no Mundial Júnior de 2016 e nos Pan de Lima, em 2019, foi praticamente descoberto por um especialista em buscas. Um amigo que treinava remo no Botafogo e que depois fez estágio no Google (hoje trabalha na Microsoft, no Canadá) lhe apresentou ao esporte. Lucas lembra que era sedentário, não saía de casa e ficava pendurado no videogame:

— Francisco Geiman Thiesen, meu amigo, é um gênio. Está vivendo um sonho, assim como eu. É bom de procura, me achou. Não é à toa que fez até estágio no Google.

Fonte: O Globo

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