Penhoras, S/A e parcelas: razões para o Botafogo recusar proposta por Matheus Nascimento

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MATHEUS NASCIMENTO

recusa do Botafogo por uma proposta de quase R$ 150 milhões por Matheus Nascimento levantou questionamentos após reportagem publicada pelo ge na última quinta-feira. Como um clube com uma das maiores dívidas do futebol brasileiro, cujo déficit quase atingiu R$ 140 milhões em 2020, e que acaba de demitir mais de 90 funcionários rejeita um valor similar ao que foi arrecadado em toda a temporada passada? 

A proposta foi entregue diretamente ao presidente Durcesio Mello e recusada antes mesmo de chegar ao diretor de futebol Eduardo Freeland. Isso porque envolve muitas questões além da esportiva. A família do jogador, que tem parte dos direitos econômicos, foi comunicada da decisão. 

Matheus Nascimento é o principal ativo do Botafogo — Foto: Vitor Silva/Botafogo

Matheus Nascimento é o principal ativo do Botafogo — Foto: Vitor Silva/Botafogo

Algumas razões explicam a atitude da diretoria. A principal é que o modelo do negócio não agradou, porque o Botafogo receberia uma quantia menor nesse momento e a maior parte só em 2022. 

  • Para o clube seria mais viável uma negociação com divisões diferentes ou até mesmo sem parcelar, o que só poderia acontecer a partir de 3 de março do ano que vem, quando Matheus completará 18 anos. Antes disso, o atacante não pode deixar o Brasil para jogar no exterior.

Não que o valor não fosse considerável para o Botafogo, ainda mais em momento de cofres vazios, mas a diretoria acredita que pode fazer ainda mais dinheiro com o atacante de 17 anos. 

  • Com mais de 150 gols na base, Matheus é a principal promessa alvinegra. Foi integrado ainda aos 16 anos ao elenco profissional para se desenvolver fisica e tecnicamente e é observado de perto. Ainda está em processo de adaptação e marcou apenas uma vez em 21 jogos. O Bota aposta que, com mais tempo em campo, o jovem vai se valorizar mais.

As penhoras também compõem a justificativapela recusa. O Botafogo sofre há anos com cobranças milionárias na Justiça e decisões que retêm os recursos arrecadados pelo clube. 

  • Acordo entre o Bota e a Justiça assegura que os funcionários terão preferência em qualquer ação de penhora até o final do ano, com o dinheiro sendo destinado ao pagamento de salários. Mas o limite dessa penhora “positiva” é de R$ 39,5 milhões. Então, qualquer quantia que ultrapasse os salários anuais vai ser penhorada. Seria o caso da venda do Matheus.

O processo de transformação do clube em empresa também deve ser levado em conta. O projeto da Botafogo S/A está sob análise da diretoria e será entregue ao Conselho Deliberativo em breve. 

  • Matheus Nascimento é atualmente o principal ativo do Botafogo, e a saída do jovem nesse momento pode atrapalhar o andamento do projeto, que perderia um grande atrativo para possíveis investidores. Isso não significa, porém, que o clube vai segurar o atacante em caso de uma proposta mais atrativa.

Outro elemento a se considerar é que o Botafogo não receberia 100% do valor. O clube possui 60% dos direitos econômicos de Matheus, enquanto a família do atleta ficou com 30%, e os outros 10% serão repassados à escolinha de Niterói onde a joia foi revelada. 

  • Assim, o Bota receberia cerca de R$ 90 milhões nas condições citadas acima, em parcelas que não agradaram. Por isso, o clube confia no potencial do jogador para atingir cifras maiores num futuro breve.

Neste ano, o Botafogo concretizou a venda de três jogadores: Pedro Raul (Kashiwa Reysol, do Japão), Caio Alexandre (Vancouver Whitecaps, do Canadá) e Matheus Babi(Athletico-PR). Em 2020, o clube realizou a venda de Luis Henrique para o Olympique de Marselha, que pagou 8 milhões de euros por 70% dos direitos do atacante. Como o atleta pertencia ao TAC-RS, o Bota não tinha a palavra final e embolsou R$ 25 milhões referentes aos 40% que detinha. Foi a maior transação da história alvinegra.

O clube de Portugal que fez a proposta por Matheus Nascimento não foi revelado. O atacante já havia recebido propostas do futebol nacional e algumas sondagens, mas o Botafogo prefere esperar. Em 2021, esta tem sido uma postura comum da diretoria alvinegra, que deu passo atrás em outras negociações, como a do zagueiro Kanu, na expectativa de fazer acordos mais prósperos.

Fonte: ge

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