Promessômetro do Botafogo: as promessas quebradas de Nelson Mufarrej

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Caio Martins / Cefat

  • O que Mufarrej disse?

07/09/2017 – No Caio Martins vamos fazer os jogos do sub-20 lá. Por enquanto é essa a programação.

07/09/2017 – Cefat não (será usado)

  • O que aconteceu?

O Caio Martins não foi usado por nenhuma das categorias de base em 2018 e nem depois disso. O Cefat foi o lugar que o Botafogo mais mandou jogos da base, no caso do Sub-20 foram 14 partidas (duas pelo Brasileiro, três pela Copa do Brasil e nove pelo Carioca). Dois jogos ainda foram no Nilton Santos, um pelo Carioca e outro pela Copa do Brasil da categoria conforme mostram as súmulas das partidas que constam nos sites da Ferj e da CBF. 

  • O que diz o presidente?

– Houve um ajuste no planejamento em relação a isso. Assim que assumi, em conversas com a direção das categorias de base, entendemos que, por termos um quantitativo grande de atletas em diversas categorias, seria melhor utilizarmos Caio Martins apenas para treinamentos. Foi uma forma de preservar o gramado e também de qualificar o trabalho.

– Em contrapartida, o Cefat apresenta uma estrutura muito boa e pertence à Trops, um núcleo de escolinha oficial e parceiro do Clube de longa data. Foi lá, inclusive, o lugar que o Matheus Nascimento deu seus primeiros passos no futebol. Redefinimos que os treinos das categorias de base seriam em Caio Martins e os jogos no Cefat. Essa configuração se mantém até hoje e considero um planejamento assertivo.

Contratações

  • O que Mufarrej disse?

23/11/2017 – Não vamos fazer nada que não esteja ao nosso alcance, senão amanhã vamos pagar um ônus muito grande. Já chega o que estamos pagando da gestão anterior. Mas só vamos contratar se houver recursos.

  • O que aconteceu?

O Botafogo teve muita dificuldade com salários atrasados nas últimas temporadas. Em que pese a dificuldade do contexto econômico, o clube contratou mais do que os recursos permitiam.

  • O que diz o presidente?

– Isso não pode ser considerada uma promessa quebrada. Pelo contrário. É algo que vem sido mantido. Nosso orçamento certamente é um dos menores dos clubes grandes, como disse anteriormente. Estamos numa política de austeridade que já vem de anos. É uma batalha diária manter a folha em níveis mínimos para se poder competir em alto nível.

Contratos curtos

  • O que Mufarrej disse?

23/11/2017 – Tem que ser essa política, ter o feeling de saber se vamos contratar alguém por mais tempo ou não. Ou a própria comissão técnica. Já pensou? O jogador não se adaptou ao esquema do técnico… Aqui todos recebem certinho em dia, até quem não está jogando.

  • O que aconteceu?

A política de contratos curtos não acompanhou Mufarrej até o fim. Os principais exemplos são de Diego Souza e Cícero, jogadores com contratos longos e caros para o time e considerados velhos para ter a duração do contrato nos valores que tinham.

  • O que diz o presidente?

– O Diego Souza veio como uma grande oportunidade. Não apenas como atleta de bom nível, mas com expectativa de retorno fora de campo. Lembro que o anúncio dele impactou bastante na torcida e a apresentação dele levou muitos torcedores e sócios a General Severiano. Poderia ter dado muito certo esportivamente, mas infelizmente não atendeu às expectativas. Coisas do futebol. Quanto ao Cícero, o contrato dele foi renegociado recentemente com valores inferiores.

Contrato longo com Cícero gerou desgaste no clube — Foto: Vitor Silva/Botafogo 

Departamento de futebol

  • O que Mufarrej disse?

23/11/2017 – Não haverá mudanças. Em primeiro lugar, o Cacá (Azeredo) é o vice de futebol, gosto muito dele, acho que está fazendo um ótimo trabalho. O (Antônio) Lopes idem.

  • O que aconteceu?

Houve mudança menos de um mês depois, quando Cacá entregou o cargo porque vinha sendo minado internamente e a diretoria já tinha decidido pela saída dele, conforme mostram reportagens da época. Ele foi substituído por Gustavo Noronha.

Também, menos de um mês depois, a diretoria comunicou a Antonio Lopes que não iriam renovar o contrato do gerente de futebol para o ano de 2018.

  • O que diz o presidente?

– Houve fatos novos após a entrevista. Com a saída do Cacá, o novo Vice de Futebol, Gustavo Noronha, possuía visões diferentes do Lopes e entendeu ser necessária a vinda de um novo profissional para comandar o departamento, o que é natural.

Marechal Hermes

  • O que Mufarrej disse?

07/09/2017 – Estamos recuperando e fazendo um trabalho de máster lá, com pessoas ajudando. O Ministério Público indagou da gente que prometemos fazer lá um centro de treinamento, com pedra fundamental, e não teve mais nada. O jurídico explicou que houve problemas. Hoje tiramos o cavalinho que estava lá, já estamos gramando, (consertando) muro arrebentado, a invasão seria muito grande. Então Marechal Hermes vai ser para isso, e talvez até o futebol feminino, que vamos ser obrigados (exigência para jogar as próximas Libertadores).

  • O que aconteceu?

A sede de Marechal Hermes não está sendo utilizada pelo Botafogo. Em entrevista coletiva no fim de outubro, o ex-presidente Carlos Augusto Montenegro relatou que na sede “só tem matagal”.

  • O que diz o presidente?

– Marechal Hermes é uma sede que realmente tem um grande potencial. Além de ter muita história aqui no Clube. Mas por ter sido destruída anteriormente, ficou inviável realizar intervenções por ausência de recursos. 

Nilton Santos

24/11/2017 – O estádio Nilton Santos foi devolvido agora, em 2017, e as cores, todo mundo sabia, desde que o candidato da oposição foi empregado remunerado do clube, ele pregava que o estádio era um estádio do Rio. E que era para servir todas as torcidas do Rio de Janeiro. Nós somos contra e procuramos agora, com a volta do estádio plenamente para nós, customizamos o estádio, que foi o primeiro passo que fizemos para mostrar aos botafoguenses, que esse estádio é nosso. 

Ele tem a nossa cara. Ele não tem outra cara, a não ser a do Botafogo. Então é muito importante esclarecermos isso para todos os sócios-proprietários. Além da customização, nós estamos querendo fazer não só um museu que vai ser feito dependendo simplesmente da autorização da Prefeitura. E, também, fazer com que o estádio se abra mais cedo (às 10h) para que as famílias possam trazer seus filhos, tendo brinquedos e toda parte de alimentação também.

  • O que aconteceu?

A reportagem entrou em contato com a Subsecretaria de Patrimônio Imobiliário da Prefeitura do Rio de Janeiro, que informou, por e-mail, não ter recebido informações sobre uma possível implantação de museu no Estádio Nilton Santos.

Além disso, por mais que houvesse “toda parte de alimentação” na parte interna do estádio, ele não abria às 10h e nem havia atrações para as crianças com brinquedos.

  • O que diz o presidente?

– Deixamos um caminho pavimentado para a próxima administração. Há um acordo de patrocínio com a TIM que envolve a utilização de recursos incentivados para serem utilizados em projetos culturais. São dois anos de contrato. Temos ideias avançadas e vamos deixar opções para o próximo gestor. Um museu se encaixa nesse perfil.

Estádio Nilton Santos, do Botafogo — Foto: Divulgação 

Plano de governo

  • O que Mufarrej disse?

28/11/2017 – Ao contrário, a política de austeridade fiscal aliada ao cumprimento do orçamento e as obrigações em dia serão o carro-chefe do nosso mandato.

04/01/2018 – Aqui pretendo continuar o rígido controle orçamentário, uma vez que não podemos nunca mais deixar que o Botafogo se mergulhe em dívidas.

  • O que aconteceu?

Pode até ter sido o carro-chefe, mas o Botafogo teve muitas dificuldades em manter os salários em dia. Na atual temporada, o clube só conseguiu se acertar com os funcionários após um acordo com a Justiça do Trabalho.

Quanto ao orçamento, é possível avaliar o planejado com o que foi realizado em 2019 pelo o que o clube disponibiliza na seção de transparência do site oficial

As despesas do Botafogo são divididas em cinco tópicos: Clube, Esportes Gerais, Futebol, Estádio e Remo. Dentro de cada um deles há um detalhamento nos gastos de Pessoal, Material e Gerais.

Na comparação do orçado em 2019 com o que foi realizado no mesmo ano, apenas Futebol e Estádio gastaram mais do que o estimado. O excesso foi o suficiente para que as despesas do clube no ano passado fossem de R$ 13,58 milhões a mais do que o estimado (10,16% acima do estipulado no orçamento). Apesar de estourar o orçamento – no futebol a diferença foi de R$ 17,55 mi (18%) – o clube teve R$ 7,6 mi a mais de receitas do que despesas em 2019.

A intenção de Mufarrej em não deixar o Botafogo mergulhar em dívidas não deu certo. De acordo com o último balanço disponibilizado, o clube tem R$ 826 milhões em dívidas. 

  • O que diz o presidente?

– As penhoras que assolam o Clube são um grande problema, isso impediu que pudéssemos honrar nossos compromissos da forma desejada. Mesmo com todos os desafios na parte financeira, seguimos firmemente em dia com as obrigações do Ato Trabalhista e o Profut. Os salários de atletas e funcionários também estão em dia. 

Situação financeira

  • O que Mufarrej disse?

07/09/2017 – De 2015 para cá ficou menos pior. 2018 ainda não vai ser muito bom, já sabemos como vamos gerir. Estamos procurando novos contratos de publicidade, pode ter venda de jogadores… Mas vai melhorar a partir de 2019, com o novo contrato de televisão. Aí realmente a tendência é melhorar. Por outro lado, deve diminuir bastante as penhoras. Nosso vice jurídico (Domingos Fleury) acha que até 2018 ainda terão muitos processos cível e trabalhista. Temos que superar isso.

  • O que aconteceu?

Os números mais recentes disponíveis indicam que as coisas não melhoraram a partir de 2019. Segundo Rodrigo Capelo, a relação entre receitas e dívidas do Botafogo ficou mais discrepante.

Dívidas do Botafogo em 2017, 2018 e 2019: R$ 705 milhões, R$ 752 mi (aumento de 6,67%) e R$ 826 mi (aumento de 9,84%).

Receitas do Botafogo em 2017, 2018 e 2019: R$ 238 milhões, R$ 183 mi (queda de 23,11%) e R$ 185 mi (aumento de 1,09%).

  • O que diz o presidente?

– As dívidas, e seus custos, evoluem numa velocidade muito intensa. A S/A é o caminho para resolver a questão de forma definitiva, o que dará saúde financeira para o Clube se reconstruir.

Fonte: ge

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