Santos faz matéria citando partida contra o Botafogo em 1963 como “O maior jogo do mundo”

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Passados 58 anos, os torcedores que estiveram presentes ao Estádio Mário Filho, o Maracanã, mantêm viva na memória a partida que ficou marcada como o “Jogo do Século”. Para o jornalista Ney Bianchi, da revista Fatos & Fotos, com muita inspiração e emoção definiu a partida como “O maior jogo do mundo”.

Naquela memorável noite de 2 de abril de 1963, uma terça-feira, na cidade do Rio de Janeiro, o Santos sagrava-se Bicampeão Brasileiro de 1962, ao vencer com superioridade inquestionável a forte equipe do Botafogo pelo placar de 5 a 0, com gols de Dorval, Pepe, Coutinho e Pelé (2).

Escalado pelo técnico Luiz Alonso Perez, o Lula, o Peixe Goleador formou com Gylmar, Lima, Mauro e Dalmo; Zito e Calvet; Dorval, Mengálvio, Coutinho (Tite), Pelé e Pepe.

Dois dias antes, com um Maracanã lotado por mais de 100 mil pessoas, o Santos perdera para o Botafogo por 3 a 1, no jogo de ida da final do Campeonato Brasileiro.

O bicampeonato brasileiro! (Foto: Folha de São Paulo)

Os melhores times do país formavam a base da Seleção Brasileira

O estádio recebeu 70 324 torcedores para ver o duelo dos dois melhores times do mundo, aqueles que, juntos, congregavam quase todos os titulares da Seleção Brasileira bicampeã na Copa do Chile, nove meses antes. Intitulado “o jogo do século” pela crônica esportiva brasileira, aquele encontro entraria para a história.

Nesse encontro entre os dois Alvinegros, além dos craques do Peixe que eram convocados constantemente, pelo Botafogo jogaram os selecionáveis: Nilton Santos, Garrincha, Amarildo e Zagallo que participaram da Copa do Mundo, no Chile em 1962.

Quem ficou maravilhado também foi o poeta Guilherme de Almeida que escreveu:

“Ficar durante noventa eternidades, isto é, noventa minutos, pregado,

hipnotizado, diante do vídeo. Medo de ter palpite – a vergonha daqueles três-a-um

com baile, outro dia, por trinta e sete milhões de cruzeiros – tudo contra a

gente – no Maracanã de novo – os fatores campo e torcida – o locutor contou que

havia apostas humilhantes para nós – mas Gilmar disse ao repórter que: “Nunca

o Santos perdeu duas vezes seguidas”- ? – aquele comentarista respondendo a

uma consulta – Pelé já marcou em toda a sua carreira quatrocentos e um gols,

mas nunca marcou um único nos jogos da Taça Brasil – eles ganharam o toque –

começam ganhando – mau, mau – foi dada a saída…

É agora.

Religiosidade: – a gente benze-se, diz “Valha-nos Deus!”, faz figa, dá com os nós

dos dedos três pancadinhas na madeira. O gigantesco disco do Maracanã. Um

samba (não quadrado, pois que é disco) bossa-nova. E a gente vai ouvindo: –

Defesa espetacular de… Terceiro escanteio contra nós – o gol está pingando…

Não pingou… Quase…

Arre!

De repente:

“Gol de Dorval aos vinte e seis minutos do primeiro tempo: Um a zero”.

“Gol de Pepe aos quarenta e um minutos do primeiro tempo: dois a zero”.

“Gol de Coutinho aos nove minutos do segundo tempo: três a zero”.

A gente respira. Mas, cuidado com a virada! Olha só: quase que… então aquele

que, pelos mundos por onde tem andado e em que tem reinado, já fez

quatrocentos e um gols, mas para a conquista da IV Taça Brasil, nunca havia

feito um único, brincando assina a nanquim as duas últimas faixas, twist, bossa-nova,

do long-play guanabarino. Assina a nanquim:

“Gol de Pelé aos trinta minutos do segundo tempo: quatro a zero”.

“Gol de Pelé aos trinta e cinco minutos do segundo tempo: Cinco a zero”.

Sobre o grande círculo, Zito ergue a taça que a noite carioca enche de estrelas.

No vestiário, descalçando a chuteira, o Rei sorri!”

Eduardo Gonçalves de Andrade, o gênio Tostão, que formou no time brasileiro tricampeão mundial no México, em 1970, e hoje é um conceituado jornalista esportivo, assim se expressou sobre as duas melhores equipes brasileiras na década do ano de 1960:

“Os dois maiores times que eu vi no futebol brasileiro foram o Santos de Pelé e o Botafogo de Garrincha. Eu era menino, já estava no juvenil, vi um Santos contra o Botafogo no Maracanã, que coisa espetacular! Pelé, Coutinho, Garrincha, Didi, Nilton Santos. Talvez fosse melhor do que hoje é Real Madrid x Barcelona. No mínimo, no mesmo nível. Imagina…o mundo hoje para para ver Real Madrid x Barcelona. Todo mundo diz “que espetáculo”. E tinha aqui no Brasil o Santos x Botafogo no mesmo nível, espetacular. Eu lembro de um gol que o Pelé e Coutinho chegam trocando passes numa tabela, aí o Manga sai na entrada da área, aí tem o toque por cima dele…Emocionante lembrar disso. Esses duelos Santos e Botafogo estavam acima de todos”

Fonte: Site Oficial do Santos

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