Site: “ Futebol brasileiro vive funil: rebaixamento se tornou caso de vida ou morte”

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Não tem muito tempo o Cruzeiro exibia orgulhoso Copas do Brasil e Brasileiros conquistados recentemente. Agora se arrasta tentando uma hoje improvável volta ao Brasileiro da Série A. Essa queda vertiginosa não parece ter feito outros clubes como Botafogo e Vasco acordarem para o fato de que o futebol brasileiro vive um funil: um rebaixamento pode significar que o clube deixe de ser grande por muito tempo.

Durante anos, era possível manter um gestão caótica durante anos sustentado na tradição. Sempre haveria cotas diferenciadas da Globo para os eleitos do Clube dos 13 para mante-los a parte dos demais. Era o reino do status quo.

Essa realidade foi se modificando durante a última década. As cobranças de dívidas pelo governo se tornaram mais céleres com a possibilidade de exclusão do Profut. E há a ameaça constante de bloqueios judiciais de recursos. Além disso, ações de jogadores e credores na Fifa por dívidas provocaram vetos a contratações pelos clubes.

Não é um mundo ideal de fiscalização. A CBF ainda atrasa a implementação de um sistema de licenciamento e do fair play financeiro que apertariam as regras financeiras para os clubes. Mas é certo que há algumas formas de pressão sobre dirigentes que não existiam na década passada.

Aliado a isso, o sistema de distribuição de dinheiro de televisão, principal fonte de receitas, foi modificado na última negociação de contrato com a Globo e Turner. Não há mais a salvaguarda para “clubes grandes” com a manutenção da cota de TV mesmo com rebaixamento à Série B.

Além disso, clubes como Grêmio, Flamengo, Palmeiras e Bahia profissionalizaram suas gestões o que aumentou a distância para os rivais. Há outros clubes como Fortaleza e Ceará que, em cenários diferentes, melhoraram suas administrações para se tornarem competitivos. E há novos-ricos como o Red Bull Bragantino.

É um processo ainda em andamento que vai se intensificar com uma nova legislação para transformação de clube-empresa que possibilitará o investimento mais seguro de capital externo no futebol. Como consequência, terá de haver mais transparência e racionalidade na gestão. E há capital externo querendo entrar no Brasil no setor. A ver qual a origem desse recursos.

Neste futebol em transformação, clubes que ficaram para trás podem nunca recuperar o status anterior. Veja o caso do Botafogo: com uma dívida impagável no modelo atual, sem poder de investimento no time, sem Norte em sua gestão. O rebaixamento e uma queda de receita que deve se aproximar de R$ 60 milhões pode significar que o time não terá condições sequer de competir forte na Série B.

O Vasco tem um potencial maior de alavancar receita, teve uma gestão que não aumentou a dívida e seu passivo é menor. Mas a guerra política e a desorganização atual o levaram as portas da Série B e de dar vários passos atrás no meio de um processo de recuperação financeira.

Esses clubes estão ameaçados de não passar no funil de quem vai ser relevante no novo futebol brasileiro. E, se isso vale para os dois cariocas esse ano, pode valer para outros times fazem gestões caóticas em um futuro próximo. Há um processo de seleção em curso: e a tradição vai contar bem pouco para passar no teste.

Fonte: Blog do Rodrigo Mattos – UOL

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