“Tranquilo”, “inteligente” e “nome de consenso”: o perfil de Túlio Lustosa, o novo gerente do Botafogo

Ex-jogador esteve por quase três anos no Goiás e tem estilo elogiado; escolha pelo dirigente leva em consideração passado no clube e trabalho no time de Goiânia

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Túlio “Guerreiro” Lustosa foi um daqueles volantes clássicos. Os mais novos talvez não se lembrem dele com a camisa 5 do Botafogo, mas o dirigente de 44 anos foi destaque do time na Série B de 2003 e um dos pilares da equipe montada por Cuca em 2007 que ainda contava com nomes como Juninho, Lúcio Flávio e Dodô. Hoje, Túlio volta ao clube com o mesmo perfil de liderança, mas com a bagagem que o fazia ser observado desde antes do anúncio na última quinta-feira. 

Mas Túlio não retornou ao Botafogo antes por causa de um imbróglio jurídico. Em dezembro de 2008, o volante deixava General Severiano por causa do desgaste com os resultados negativos e também com o não pagamento de salários e recolhimento do Fundo de Garantia. Por causa dessa dívida, o ex-jogador entrou na Justiça, que chegou a autorizar a penhora de imóveis dos atuais presidente e vice do clube. Resolvida a questão, o comitê gestor chegou ao consenso no nome do ex-jogador, que tem identificação com o Botafogo e se encaixa na realidade financeira.

O cargo que ele vai exercer estava vago desde a morte de Valdir Espinosa. O técnico campeão em 1989, faleceu em fevereiro deste ano e desde então a função de fazer a ligação entre diretoria e jogadores era contornada por Paulo Autuori. Com a efetivação de Bruno Lazaroni, o comitê optou por colocar uma pessoa específica para a função. 

Acostumado com o trabalho, pois fazia exatamente essa ponte no Goiás – de onde foi demitido em agosto deste ano – Túlio foi bastante elogiado pelo presidente do clube goiano. Em contato com o ge, Marcelo Almeida fez questão de exaltar as qualidades do dirigente “muito culto e inteligente”

– Por ele ser um cara novo, parou de jogar recentemente, tem boa conexão com os jogadores. Fala a mesma língua deles e consegue traduzir isso para a gente. É um cara muito justo. Ele não quer sacanear a diretoria e nem sacanear o jogador. Defende os interesses dos dois lados. Ele queria mostrar uma coisa justa que fosse boa para as duas partes. Negociação de bicho, por exemplo, não deixava jogador para trás e também não deixava a diretoria sangrar. É um cara que preenchia as necessidades que o cargo pedia. 

Tulio em treino do Botafogo em 2008 — Foto: Arquivo / O Globo

Tulio em treino do Botafogo em 2008 — Foto: Arquivo / O Globo 

No Goiás, assim como é a tendência no Botafogo, a necessidade que o cargo pedia não era, necessariamente, a contratação de jogadores. Por mais que sugerisse nomes, era o conselho diretor quem definia os jogadores que chegavam – e assim deve continuar sendo no Botafogo.

O desgaste para a saída do Goiás foi, também, por causa da pressão da torcida na contratação de jogadores e técnicos. Em 2019, o dirigente teve o número de telefone vazado para torcedores, que passaram a questioná-lo sobre a contratação de Claudinei Oliveira. Foi quando a personalidade serena do gerente se mostrou de forma clara. Em áudio gravado ao retornar a ligação de um torcedor que não conhecia, o dirigente manteve toda a calma do mundo para explicar o motivo da escolha à época. O repórter Guilherme Gonçalves, que acompanha o Goiás para o ge, resumiu o estilo do novo dirigente. 

– É um cara muito tranquilo, que não perde a cabeça. Você nunca vai ver ele discutindo com alguém, seja em coletiva, seja torcedor… A gente percebe que é o tipo de pessoa que pode acabar sofrendo por ser gente boa demais. Ele defende muito os jogadores e dificilmente vai ver dando bronca em jogador em público. A torcida pega um pouco no pé por alegar que ele pode ser omisso por causa disso. Mas é um cara trabalhador, tranquilo, trata tudo internamente e é pouco provável que exponha algum problema interno 

Túlio pode até ser um nome de consenso entre o comitê gestor, mas a receptividade entre outros membros da diretoria não é tão boa. Uma das críticas é por causa do marcante episódio da final da Taça Guanabara de 2008 contra o Flamengo. E, fora de campo, os críticos consideram que seria melhor alguém com mais experiência, mesmo que fosse uma opção mais cara, dada a posição na tabela do Campeonato Brasileiro. 

Após se aposentar como jogador no Sobradinho, de Brasília, Túlio começou como dirigente no mesmo clube. Natural do Distrito Federal, o ex-volante chegou ao Goiás em novembro de 2017 e saiu somente em agosto deste ano. A chegada ao Botafogo se dá 12 anos após o fim da passagem como jogador pelo clube. Túlio chegou ao Rio na noite da última quinta após resolver questões pessoais em Goiânia e começa a trabalhar nesta sexta-feira. 

O primeiro jogo de Túlio como gerente do Botafogo será neste domingo. O Bota recebe o Fluminense às 11h (de Brasília), no Nilton Santos, pela 13ª rodada do Campeonato Brasileiro. O Alvinegro está na 19ª colocação, com 11 pontos, a um do primeiro time fora da zona de rebaixamento, que é o Bahia.

Fonte: GE

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