Túlio lamenta ter ido para o Corinthians em 1997 e deseja ajudar o Botafogo

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Em janeiro de 1997 o Corinthians anunciou uma contratação de peso: o atacante Túlio Maravilha, pela quantia de US$ 4 milhões à época, bancada por uma parceria com um banco. O casamento, porém, durou cerca de seis meses. Em entrevista exclusiva ao UOL Esporte, o ex-jogador, hoje com 51 anos, disse que se arrependeu de ter trocado o Botafogo pelo clube paulista. Mas também afirmou que foi imaturo ao deixar o Parque São Jorge tão rapidamente.

“Foi uma passagem prematura, foi uma imaturidade da minha parte, seis meses de Corinthians e eu fui campeão paulista em 97. Fui o vice-artilheiro do campeonato [14 gols, cinco a menos que Dodô, do São Paulo], mesmo ficando no banco. No segundo semestre, quando veio o Brasileirão, eu ia ser o titular e resolvi sair. Não era o momento de eu ter saído do Corinthians, poderia ter ficado mais um, dois, três anos e teria muito mais sucesso, teria muito mais conquistas”, recordou.

Quando desembarcou na capital paulista, Túlio tinha status de jogador com maior salário do futebol brasileiro, com ganhos de R$ 150 mil mensais, enquanto o tetracampeão mundial Romário recebia R$ 100 mil no Flamengo. Mesmo assim, o ex-atacante lamentou ter acertado com o Timão.

“Já tinha me arrependido de ter saído do Botafogo, onde eu já tinha um status de grande ídolo do time, já estava consolidado, iria jogar em minha função e no Corinthians eu tinha que provar tudo de novo, tinha que começar uma nova história. Esse foi um arrependimento. O segundo arrependimento foi ter saído do Corinthians para ter ido para o Vitória-BA, foram dois erros capitais que culminaram num atraso na minha carreira”, analisou.

Ajuda ao Botafogo

Túlio acumulou três passagens pelo Botafogo ao longo de mais de 30 anos como profissional. Foi fundamental na conquista do título brasileiro de 1995 ao fazer 23 gols e se tornar o artilheiro do campeonato. Ídolo do Alvinegro carioca, como ele mesmo faz questão de mencionar, agora pretende ajudar o Glorioso a retornar à Série A após o rebaixamento na temporada passada.

“É muito, muito triste. Como torcedor, como apaixonado que eu sou, já vai fazer 26 anos da conquista do último título nacional, o Brasileirão de 95. A gente não vê um horizonte, não vê uma perspectiva de melhora. Corre o risco de não subir porque a Série B este ano está muito disputada, muita equilibrada. São dívidas atrás de dívidas. Eu me coloquei à disposição para o novo presidente [Durcesio Mello] para ajudar o clube de uma forma ou de outra, seja nas categorias de base, seja no profissional. Com a minha história, com as minhas palestras motivacionais, eu acho que usar a minha imagem junto ao Botafogo seria importante para dar mais visibilidade e credibilidade aos torcedores com a minha presença”, revelou Túlio, que não pretende se tornar técnico.

Uma das frases clássicas do ex-atacante era que “com Túlio em campo, não tem placar em branco”. Desta forma, ele alega ter alcançado a marca de 1.001 gols na carreira. Para alcançar este feito, jogou até os 49 anos, quando defendeu o Taboão da Serra, na Terceira Divisão paulista, em 2019. Notóri por seu faro de gols, o ex-jogador aponta que falta artilheiros natos no futebol brasileiro hoje.

“Falta muitos Túlios, muitos Romários, muitos Ronaldos, muitos Bebetos, muitos Violas, Evair, Careca, Muller… Enfim, falta realmente atacante verdadeiros, legítimos, raízes, aqueles que prometiam gols, cumpriam, aqueles que levavam as torcidas aos estádios, eram ídolos de verdade. Hoje você conta um, dois ou três jogadores mais ou menos parecidos daquela época da minha geração”, analisou.

Confira mais trechos da entrevista com Túlio:

UOL Esporte: Por que você acha que faltam goleadores no Brasil na atualidade?

Túlio: Primeiro, na divisão de base é muito raro. Os atacantes que parecem ser promissores, que vão ser atacantes verdadeiros, que vão ser realidade e vão deixar de virar promessas, sobem muito cedo para o profissional. Já no profissional eles não têm aquela maturidade, aquela preparação técnica e psicológica como era antigamente. Na nossa época, a gente tinha uma base bem forte, hoje não. Jogadores com 16, 17 anos nem passam para o profissional e já vão direto para o exterior. Falta para o futebol brasileiro essa matéria-prima, de ser lapidado aqui, de se tornar ídolo, ser campeão, jogar pela seleção brasileira e muitas vezes esses jovens atacantes saem e se consagram lá na Europa. Muitas vezes se perdem, outros conseguem sobreviver no futebol europeu e aí sim vão ser reconhecidos aqui pelo futebol brasileiro. As ordens estão todas invertidas.

UOL Esporte: Os treinadores brasileiros de alguma forma têm culpa em não revelar atacantes de ofício?

Túlio: Eles tentam até ajudar, lançam esses jogadores das categorias de base para o profissional para ver se eles conseguem uma visibilidade. A partir desse momento, conseguem atrair a atenção dos grandes clubes, dos empresários e acabam vendendo eles, porque a necessidade do futebol brasileiro é essa. Infelizmente, eles estão vivendo de vendas de jogadores, de joias raras para poder sobreviver. O futebol brasileiro hoje está muito deficitário, haja vista aí dívidas e dívidas dos grandes clubes, mais de bilhões de reais.

UOL Esporte: Está faltando no futebol brasileiro os Túlios marqueteiro, as brincadeiras positivas?

Túlio: Está faltando. Alguns e outros tentam fazer isso de reverência, mas são mal interpretados e eu dou até razão para eles, porque com a mídia, com as redes sociais, qualquer coisinha que você brinca com um atleta, com uma torcida, com o clube adversário, o pessoal já leva para o lado da violência, para o lado pejorativo, sofrem ameaças de morte. Hoje o futebol associou muito a situação social do brasileiro, de desequilíbrio, de desemprego, passando fome, muita violência. Eu não tiro a razão deles, mas, se souber usar o básico e a criatividade, pode fazer sim uma brincadeira saudável e legal.

UOL Esporte: Você diz que fez 1001 gols, hoje seria mais fácil marcar mais?

Túlio: Seria muito mais fácil, porque na nossa época você tinha qualidade, disputava uma artilharia com cinco, seis jogadores de alto nível. Você fazia 20, 25 até 30 gols num campeonato, e não 10 ou 15 gols. Eram menos jogos, hoje são mais, tem mais competições, Copa do Brasil, Libertadores, Estaduais, Sul-Americana, Brasileiro… Se eu jogasse no futebol atual, era no mínimo de 50 a 60 gols por temporada, e não 20, 30 gols.

Fonte: UOL

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